Saúde orienta população de Pontalina após enchente e rompimento de represa

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Foto: Hegon Corrêa

A Secretaria de Estado da Saúde de Goiás (SES-GO) colabora com a Prefeitura de Pontalina para prevenir possíveis doenças que possam surgir em decorrência das enchentes e do rompimento de uma represa que afetaram a cidade goiana no último fim de semana. Uma equipe da Coordenação de Vigilância em Saúde da Regional de Saúde Centro-Sul esteve no município, conforme orientações do governador Ronaldo Caiado e do secretário de Estado da Saúde, Ismael Alexandrino, que também visitaram os locais atingidos pela água.

Em reunião com a Secretaria Municipal de Saúde de Pontalina (SMS), os técnicos da SES-GO disponibilizaram a Cartilha de Orientação à População no Período de Alerta de Chuvas Intensas, do Ministério da Saúde, e solicitaram que o documento seja entregue aos moradores da cidade. Também foram disponibilizados 50 frascos de água sanitária (hipoclorito de sódio 2,5%), com as recomendações de uso, e realizadas orientações sobre a importância de disseminar informações técnicas para os profissionais de saúde e população.

Foram feitas orientações sobre os sintomas, mecanismos de transmissão e das ações de prevenção e controle, em relação ao aparecimento de surtos de doenças infecciosas – particularmente a leptospirose –, doenças respiratórias, doenças de transmissão hídrica e alimentar, e sobre acidentes por animais peçonhentos. Além disso, a população foi orientada sobre a importância de manter o cartão de vacina atualizado contra o tétano e hepatite A.

As equipes da SES-GO realizaram visita ao local de rompimento da represa e ao setor Bijui 2, onde houve inundação. Alguns moradores foram abordados para orientações sobre a utilização da água de cisternas, visto que houve a entrada de água poluída nesses locais, e sobre os cuidados durante a limpeza das residências.

Qualidade da água
Flúvia Amorim, superintendente de Vigilância em Saúde da SES-GO, alerta que casos de diarreia e outras doenças gastrointestinais provocadas pelo contato com água contaminada são motivos de preocupação. “A secretaria está realizando o trabalho de vigilância ambiental da qualidade da água na cidade”, explica a superintendente.

Equipes da SMS de Pontalina realizaram a coleta de amostras de água nos reservatórios e torneiras para verificar se ela está apropriada para consumo. O Laboratório Estadual de Saúde Pública Dr. Giovanni Cysneiros (Lacen-GO) da SES-GO aguarda o envio das amostras para realizar os testes sobre a qualidade da água.

As inundações levam à contaminação das redes públicas de abastecimento, pela entrada de água poluída nos pontos de vazamento da rede, além da interrupção temporária das atividades das estações de tratamento. Como o consumo de água é uma necessidade básica, muitas vezes a população acaba utilizando água contaminada, expondo-se ao risco de diarreia, cólera, febre tifoide, meningites por enterovírus e hepatites A e E. A secretaria também destaca a importância de avaliar a situação vacinal contra hepatite A.

Para evitar as doenças diarreicas, são importantes a orientação e adoção de algumas medidas de prevenção e controle para a população, como evitar o consumo de água contaminada, por meio de educação em saúde e distribuição de hipoclorito de sódio a 2,5% para desinfecção da água, para beber e para cozinhar.

Leptospirose
Segundo Flúvia Amorim, uma das principais ocorrências epidemiológicas após as inundações é o aparecimento de surtos de leptospirose. A doença é causada por uma bactéria, a leptospira, que está presente na urina dos roedores domésticos, como ratazanas, ratos de telhado e camundongos, por exemplo. Durante as enchentes, a urina dos animais, que contamina os esgotos e bueiros, mistura-se à enxurrada e à lama.

Qualquer pessoa que tiver contato com a água ou lama nessas ocasiões pode se infectar. A bactéria penetra no corpo ao entrar em contato com a pele ou mucosas, principalmente por arranhões ou pequenos ferimentos, e também na pele íntegra, quando o contato com a água for prolongado. O contato ocorre durante e imediatamente após as enchentes, quando as pessoas retornam às residências e procedem à limpeza e remoção da lama e outros detritos.

O período de incubação da leptospirose é de 1 a 30 dias após o contato com a bactéria. Os sintomas variam desde febre alta, dor de cabeça e no corpo, até quadros mais graves, podendo ocorrer icterícia (coloração amarelada em pele e mucosas), insuficiência renal, hemorragias e alterações neurológicas.

A orientação à população é que, após as águas baixarem, realize a limpeza da lama e a desinfecção das casas com solução de água sanitária (hipoclorito de sódio a 2,5%) diluída em água, na proporção de 2 copos (400ml) para 20 litros de água. Essa solução elimina a leptospira, diminuindo de maneira considerável as chances de infecção pela bactéria.

Animais peçonhentos
Nas enchentes e em situações de alagamentos, os animais peçonhentos, como serpentes, aranhas e escorpiões, também ficam desabrigados e procuram abrigo em locais secos, invadindo as residências e aumentando o risco de acidentes. Para esses casos, as orientações incluem ter cuidado ao entrar na água, bater os colchões antes de usar e sacudir cuidadosamente roupas, sapatos, toalhas e lençóis, limpar o interior e os arredores da casa usando luvas, botas e calças compridas. Em caso de acidente com o animal, a pessoa deve procurar atendimento médico o mais rápido possível.

Tétano
As inundações propiciam ainda a ocorrência de acidentes com ferimentos, levando ao aumento do risco de contaminação pelo bacilo do tétano, presente na natureza, no solo, na poeira e nas fezes de alguns animais, sendo necessárias algumas medidas de prevenção e controle. A equipe da SES-GO orientou a SMS de Pontalina para que as pessoas que sofrerem ferimentos recebam criteriosa avaliação clínica por profissional de saúde capacitado, com os cuidados necessários de limpeza e antissepsia. E, nas situações necessárias, iniciar a vacinação contra o tétano.

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