Campanha Janeiro Roxo alerta para luta contra a hanseníase

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A Secretaria de Estado da Saúde de Goiás (SES-GO), em parceria com as Secretarias Municipais de Saúde, promove em todo o Estado a Campanha Nacional de Luta contra a Hanseníase no Brasil, também denominada de Janeiro Roxo. Efetivada a partir de 2016 pelo Ministério da Saúde (MS), a iniciativa visa conscientizar e fornecer informações detalhadas à população sobre os principais sinais da hanseníase, importância do diagnóstico precoce, formas de tratamento e prevenção de deformidades e incapacidades físicas.

O mês de janeiro foi escolhido para intensificar as ações de conscientização sobre a doença pelo fato de o último domingo de janeiro ter sido instituído, por meio da Lei Federal 12.135 de 2009, como o Dia Nacional de Combate e Prevenção da Hanseníase. Considerada a doença mais antiga da humanidade, a hanseníase, conhecida popularmente como lepra, ainda representa um problema de saúde pública e um desafio a ser superado por gestores, pesquisadores, profissionais de saúde e população em geral, em função da alta prevalência e do preconceito que a envolve. Em Goiás, a campanha é desenvolvida pela Coordenação de Doenças Negligenciadas da SES-GO.

O MS segue a meta proposta pela Organização Mundial da Saúde (OMS) de eliminar a hanseníase no País, com o registro de menos de 1 caso para cada grupo de 10 mil habitantes. A doença tem tratamento e cura, com o uso de medicamentos fornecidos gratuitamente pelo Sistema Único de Saúde (SUS). Apesar disso, o Brasil ainda se encontra inserido em um contexto de alta prevalência da doença. Dados da OMS apontam que o Brasil é o país mais endêmico das Américas, reunindo 94% dos casos novos notificados e o segundo em número de casos no mundo, perdendo apenas para a Índia.

Em 2018, foram registrados 26.875 casos no Brasil. As regiões mais endêmicas são a Norte, Nordeste e Centro-Oeste. Em Goiás, conforme notificações da SES-GO, foram diagnosticados 1.371 casos novos em 2018, indicando transmissão e manutenção da doença. Em 2019, foram notificados 974 casos novos. A taxa de prevalência no Estado em 2018 foi de 3,2 casos para cada grupo de 10 mil habitantes, caracterizada como parâmetro médio endêmico pela OMS.

Manifestações na pele e nos nervos
Doença infectocontagiosa e de evolução crônica, a hanseníase se manifesta principalmente por meio de lesões na pele e sintomas neurológicos, como dormências e diminuição de força nas mãos e nos pés. É transmitida pelo Micobacterium leprae, também conhecido como Bacilo de Hansen, por meio das vias aéreas superiores (fossas nasais, faringe e laringe), durante contato próximo e prolongado entre as pessoas.

Estudos apontam que de 80% a 90% da população têm resistência natural ao bacilo. O risco de adoecer está associado, entre outros fatores, à resposta imunológica de cada indivíduo, às condições socioeconômicas, condições precárias de habitação, baixa escolaridade e ao número de pessoas vivendo no mesmo ambiente.

O diagnóstico e tratamento da hanseníase são oferecidos pela rede básica de saúde, por meio das unidades básicas de saúde, como Cais, Ciams e postos de saúde. O tratamento segue um esquema que utiliza várias medicamentos, de acordo com a forma clínica da doença. O diagnóstico precoce e o tratamento adequado possibilitam a cura da hanseníase, sem deixar sequelas.

Em Goiás, os casos considerados mais complexos, como as complicações hansênicas e aqueles de difícil diagnóstico, principalmente os identificados em menores de 15 anos, são encaminhados ao Hospital das Clínicas da Universidade Federal de Goiás, referência em hanseníase no Estado. O Hospital Estadual de Doenças Tropicais Dr. Anuar Auad, unidade da SES-GO, também atua como suporte, recebendo os casos de reações graves, que necessitam de internação.

A campanha
O Ministério da Saúde definiu a Prevenção de Incapacidades como tema central para o Janeiro Roxo de 2020. Para a coordenadora de Doenças Negligenciadas da Superintendência de Vigilância em Saúde da SES-GO, Eunice Pereira de Salles, “há a necessidade da realização de ações fundamentais como educação em saúde, diagnóstico precoce da doença, tratamento regular com a poliquimioterapia, vigilância dos contatos, detecção precoce e tratamento das reações e neurites, apoio emocional e psicológico, integração social e realização do autocuidado”.

 

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