Entrevista | Pedro Leonardo: Emater Goiás ganha Complexo de Inovação Rural

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Fotos: Walter Peixoto

Em entrevista ao Tribuna do Planalto, o presidente da Emater Goiás, Pedro Leonardo Rezende revela que antiga sede foi vendida para a Secretaria Municipal de Educação de Goiânia e que a nova sede, no Campus Samambaia da UFG, concentra administração, os cinco laboratórios e o centro de treinamento da agência.

Tribuna do Planalto – Como está ficando a nova sede administrativa da Emater Goiás?

Pedro Leonardo Rezende – Estamos chamando de Complexo de Inovação Rural e compreende mais que a sede administrativa. Temos os quatro laboratórios de agroindústria e o centro de treinamento. Temos os laboratórios de solo, fitopatologia, análises de alimentos e agroindústrias. Nossa pretensão que este centro de pesquisa seja referência em pesquisa de tecnologias aplicáveis à realidade dos pequenos produtores. Referência no desenvolvimento de tecnologias que possam servir para melhorar a renda dos pequenos produtores, dos produtores familiares, que são os objetos principais dos esforços da Emater com instituição pública de Ater, de assistência técnica. A parte dos laboratórios já foi concluída. Já estamos estruturando parcerias com outras instituições de pesquisa, principalmente a UFG, UEG e a Embrapa para que essas instituições disponibilizem os pesquisadores ou os bolsistas para estarem desenvolvendo o projeto de pesquisa dentro da unidade experimental da Emater.

Qual a maior dificuldades de vocês no processo de pesquisa?

É o quadro reduzido de colaboradores na área de pesquisas. Diante desse cenário de dificuldade com relação ao quadro de colaboradores, a gente tem cada vez mais buscado parcerias. A Fapeg (Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Goiás) é uma parceira importante, porque ela faz a destinação das bolsas para a Emater, ela descentraliza as bolsas para Emater, e então dessa forma, a Emater tem a condição de atrair os pesquisadores para dentro.

Para o governador Ronaldo Caiado é prioridade essa área?

Totalmente, o governador Ronaldo Caiado está ciente dessa dificuldade. Ele já manifestou, inclusive, publicamente que é prioridade a Emater. Porque a Emater é um órgão que executa atividades para atender o público agropecuário, que é o público que ajudou a eleger o nosso governador. Ele (o governador) está sensível a essa dificuldade e tem como prioridade de direcionar todo o apoio no sentido de reestruturação.

Que tipo de pesquisas são desenvolvidas pela Emater Goiás?

A preocupação da Emater é desenvolver pesquisa aplicada. A pesquisa aplicada é gente desenvolver tecnologias que sejam possíveis de serem aplicadas dentro da realidade do nosso público principal, o produtor rural familiar. Agricultura familiar e os pequenos agricultores de maneira geral. Então no processo pesquisa, nossa preocupação é desenvolver tecnologias que atendam às necessidades desse cliente, que é o pequeno produtor.

Quantos clientes estão sendo atendidos pela Emater aqui e Goiás?

Não temos uma carta de clientes. Todas a políticas da Emater são voltadas para os produtores familiares. O Estado de Goiás tem 152 mil propriedades rurais, dessas 60% são classificadas como propriedades rurais familiares. São dois critérios que definem a propriedade rural como familiar. O primeiro é o tamanho da propriedade, que varia de município para município, mas geralmente é aquela propriedade de até quatro módulos fiscais. O outro é que a atividade principal seja realizada pelos entes ou agregados familiares. E 60% das propriedades rurais do Estado de Goiás são classificadas como familiares.

Qual a produção que domina as atividades do pequeno produtor goiano?

A maioria dos itens da cesta básica é proveniente da agricultura familiar. O estado de Goiás tem uma produção muito diversificada, até pela própria característica do estado. O Norte e o Nordeste tem uma vocação. O Sudoeste tem uma vocação diferente. Mas em Goiás, as principais cadeias produtivas, que são conduzidas na agricultura familiar, são a pecuária de leite, que é a produção de leite que atende o mercado local e a própria subsistência da família, e também os itens básicos da cesta básica como a mandioca, farinha, pequenas produções de horticultura.

O milho e o arroz compõem essa cadeia?

Sim, o milho e o arroz são itens muitos executados na agricultura familiar. E além disso, a preocupação da Emater é fazer com que as políticas públicas alcancem essas pessoas. Por exemplo, o PNAE, que é o Programa Nacional de Alimentação Escolar, quais as diretrizes desse programa, que é municipalizado, é, por lei, fazer com que um mínimo de 70% dos itens da merenda escolar sejam adquiridos da agricultura familiar do município. O nosso desafio é fazer com que esse produtor familiar tenha acesso a esse mercado. É conduzir. É todo o processo produtivo, desde a implantação daquela horticultura ou daquela cadeia produtiva de leite, desde a implantação até a comercialização. E o PNAE é uma das formas de garantir que esse produtor tenha condição de comercializar os excedentes. A gente fala de excedente, porque o foco da agricultura familiar é, muitas das vezes, de subsistência.

É uma forma, também, de movimentar a economia do município?

Também. Além de beneficiar o produtor, beneficia o município em que aquela propriedade está inserida.

O programa “Agro é Social” é o carro-chefe da Emater Goiás?

O Agro é Social foi proposto pela Emater e abraçado por todos, pelo gabinete de Políticas Sociais, pela Seapa e hoje é o carro-chefe da Emater. Agro é Social tem se tornado cada vez mais prioridade porque tem como objetivo conduzir políticas públicas aos pequenos produtores que estão inseridos em alguma classe de venerabilidade social. Que se encontram na linha de pobreza ou de extrema pobreza e fazer com que eles desenvolvam suas atividades e tenham renda a partir dessas atividades. Esse é um desafio para nós. Nosso objetivo é fazer com que o produtor não tenha necessidade de abandonar a sua atividade rural, a sua propriedade e ir para a cidade, gerando ônus para o poder público e uma série de problemas sociais. A gente quer estimular que ele permaneça na sua propriedade rural e que tenha condição e dignidade de aferir sua renda a partir da propriedade rural.

A primeira-dama Gracinha Caiado convidou a Emater para integrar o Gabinete de Políticas Sociais com a missão de desenvolver projetos para que o produtor rural em situação de vulnerabilidade social tenha condição de aferir sua renda a partir de sua atividade, sem que haja necessidade dele abandonar sua atividade e que eles tenham condição e dignidade de ter a sua renda e sair dessa condição de vulnerabilidade social a partir da produção da sua atividade.

Que diferença de atendimento a esse público que está em situação de pobreza ou de miserabilidade daquele produtor rural que já é atendido pela Emater?

A diferença é que esse público que está em situação de vulnerabilidade socia, muitas vezes ele não está receptivo a adoção de tecnologias, por exemplo a assistência técnica gerencial, que é uma assistência vezes esse produtor é analfabeto. É mais uma ação de extensão rural na área social do que propriamente uma assistência técnica. É a implementação de uma tecnologia dentro da propriedade rural. A gente precisa dar primeiro dignidade para essa família. Para que ela tenha condição de estar receptiva a receber uma assistência técnica mais gerencial, mais aprimorada vamos dizer assim.

Então é como se você chegasse lá e esclarecesse que a Emater pode ajudar?

Exatamente, é um passo inicial. É fazer com que aquela família em vulnerabilidade saia da inércia da pobreza. Ela saindo da inércia, pode caminhar com seus próprios passos. São etapas. Primeiro a gente distribuiu sementes para as famílias cadastradas. Foram 1.556, se eu não me engano, de 10 municípios mais vulneráveis, mais os municípios da RIDE. É uma parceria com o Ministério formulado através de um projeto de Lei. É uma ação de fomento. Somos o órgão que executa o programa. E, por ser uma linha de fomento, os recursos para essa família de agricultores vai receber esse recurso através do cartão da Bolsa Família. O técnico da Emater faz um plano de aplicação desse recurso, identifica a vocação produtiva daquela família para fazer um plano de aplicação. Por exemplo, a família rural que está na linha da pobreza tem vocação para produzir aves caipiras. Ela tem uma produção de 50 aves caipiras por mês, então ele vai fazer com que esse recurso seja aplicado para aprimorar essa atividade que a família tem vocação. Ele pode, por exemplo, comprar uma chocadeira que vai fazer com que ele salte de uma produção de 50 aves para 200 aves no mês.

“Nossa preocupação é desenvolver tecnologias que atendam às necessidades desse cliente, que é o pequeno produtor”

É um processo individual?

Isso. É um plano de aplicação individualizado para a família. É uma linha de fomento para estimular a vocação produtiva daquela família vulnerável, considerando aquela atividade que ela já tem expertise. Outro objetivo fo plano de aplicação individualizado é incluir a mulher no processo produtivo. Pode ser que o técnico da Emater identifique que aquela mulher tenha possibilidade de complementar a renda da família através do artesanato. Ele pode sugerir a compra uma máquina de costura para complementar a renda da família. Ou de um forno para incluir a mulher no processo produto, e dessa forma ela possa fabricar pães, para colocar aqueles pães na merenda escolar. Na verdade, é um ciclo virtuoso. E um dos objetivos desse programa do Ministério da Cidadania, em que a Emater é a executora, é incluir a mulher nesse processo de melhoria de renda da célula familiar.

E como a família tem acesso a esse crédito?

Através do gabinete de Políticas Sociais. A Emater, através do gabinete, já tem essas famílias listadas, já tem esse diagnóstico. Essas famílias já estão cadastradas no Programa Bolsa Família.

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