“Tratamento do câncer tem sido subestimado com a Covid-19”, alerta médico oncologista da Unifesp

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Pacientes com diagnóstico de câncer relatam que têm enfrentado dificuldades para seguir o tratamento devido às mudanças de atendimento na área da saúde estabelecidas com pandemia causada pela Covid-19. “Alguns pacientes têm relatado que muitos laboratórios e hospitais não estão marcando tomografias, biópsias, entre outros procedimentos de diagnóstico”, alerta Ramon Andrade de Mello, médico oncologista, professor da disciplina de oncologia clínica da Unifesp (Universidade Federal de São Paulo) e da Escola de Medicina da Universidade do Algarve (Portugal).

“O câncer também é uma situação de emergência. O diagnóstico e tratamento não podem esperar três meses. Ir à consulta com o oncologista é essencial”, ressalta o professor de oncologia da Unifesp. Ele lembra que o novo coronavírus tem um índice de letalidade em torno de 6% a 10% nas pessoas acima de 80 anos de idade, já o câncer de pulmão, por exemplo, tem letalidade que pode chegar a 99% em qualquer idade se não diagnosticado e tratado corretamente. “Sem falar em outras doenças crônicas que, se não tratadas, podem elevar o número de mortes muito mais do que a Covid-19”, esclarece Mello.

O médico oncologista ressalta que as medidas de isolamento social não podem parar, mas as pessoas devem comparecer às consultas oncológicas: “O paciente precisa conversar com o seu médico para perguntar se os procedimentos podem ser adiados sem causar prejuízos ao diagnóstico e/ou tratamento”. Outra dificuldade apontada pelo especialista ocorre com pacientes de determinadas regiões que não conseguem se deslocar para continuar com os procedimentos indicados pelos especialistas em outras localidades distantes de sua residência. “Pacientes de Fortaleza, no Ceará, que fazem tratamento em São Paulo, estão encontrando dificuldades de locomoção”, exemplifica o especialista.

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