Editorial | Seremos os mesmos depois da crise?

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Foto: Tom Brenner/Reuters

E as pessoas que andavam distantes por causa da tecnologia, cada um em seu celular e seu mundo na web teve de ficar em casa com outras pessoas. E por mais conectadas que estivessem, em algum momento se deram conta da presença física da família, da falta de convivência com os colegas no trabalho, do bate-papo presencial com amigos. De uma hora para a outra o virtual perdeu um pouco a graça, o glamour. Sentimos falta do outro. Aquele mesmo que estava o tempo todo ao nosso lado, quando dávamos atenção apenas ao smartphone. Que ironia!

E o ar, os mares, rios, o planeta? Nosso isolamento diminuiu o impacto ambiental que causamos pelo simples fato de existirmos. o doutor em Meteorologia Carlos Nobre, que é membro da Rede de Especialistas em Conservação da Natureza disse que “o isolamento horizontal como a mais efetiva resposta à pandemia da COVID-19 nos permite realizar um ‘experimento’ único. Verificar o grau de diminuição dos impactos da poluição do ar na saúde dos brasileiros, em decorrência dos níveis menores de emissão. Este conhecimento deverá balizar políticas públicas de redução urgente da poluição”. O especialista também observa que a redução de veículos nas ruas reduz a demanda por UTIs, pois o ar mais limpo causa menos problemas respiratórios e a quantidade menor de carros resulta em menos acidentes. É como se o vírus do planeta fosse o próprio homem e hoje ele, o planeja ‘respira’ aliviado.

Vimos líderes mundiais parando as economias de seus países, contingenciando recursos para socorrer empresas, indústrias, mas antes de tudo, a própria população. É um vírus altamente letal e precisamos salvar vidas, anunciaram os líderes. No Brasil, não. Bolsonaro bravejava que era uma gripezinha. Minimizou a letalidade do vírus e agora já somamos centenas de mortes e um avanço assustador do número de contaminados. Somos ridicularizados por termos elegido um presidente que fala mal da imprensa, dos ministros e do povo. “Morrer é natural”, diz o líder do nosso país.

Seremos os mesmos depois da crise? Espero que não. Que a gente saiba a importância do abraço, do encontro com colegas, amigos e principalmente com a família. Que a gente cuide melhor do nosso corpo, da nossa alma, da nossa casa, cidade, estado, país e do planeta. Do meio ambiente e saiba eleger pessoas comprometidas com nossas vidas, com nossos propósitos e com o nosso país. Que sejamos melhores em todos os sentidos.

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