Vacinação nacional contra gripe se torna peça estratégica para ações contra coronavírus

0
243
Foto: Tomaz Silva/Agência Brasil

Não dá para fechar os olhos: o Brasil caminha para semanas duras de combate ao novo coronavírus (COVID-19), de acordo com o Ministério da Saúde. E além da capacidade de disseminação altíssima do vírus – que já atinge todos os estados brasileiros – ele se mostra extremamente traiçoeiro por ter sintomas tão similares a gripes e resfriados. Com o país caminhando para temperaturas mais amenas nestes meses de outono e, posteriormente, inverno, a Campanha Nacional de Vacinação contra a Gripe ganhou ainda mais importância para a saúde pública. A estratégia é simples: é preciso diferenciar o que é COVID-19 e o que é influenza.

As ações começaram esta semana, por todo o país, com idosos e trabalhadores da saúde, que foram priorizados por causa do novo coronavírus. A próxima etapa da campanha inicia 16 de abril, com o intuito de vacinar doentes crônicos, professores (rede pública e privada) e profissionais das forças de segurança. A fase final começa no dia 9 de maio e dará prioridade a crianças de 6 meses a menores de 6 anos, pessoas com 55 a 59 anos, gestantes, puérperas (até 45 dias após o parto), pessoas com deficiências, povos indígenas, funcionários do sistema prisional, adolescentes e jovens de 12 a 21 anos sob medidas socioeducativas e população privada de liberdade. Vale dizer: em São Paulo – estado com mais mortes pelo coronavírus até aqui – a vacinação contra gripe para as forças policiais, Polícia Militar, Polícia Civil, corpo de bombeiros, sistema prisional, polícia científica foi antecipada para o dia 30 de março.

Ao todo, a expectativa é vacinar 67,6 milhões de pessoas em todo o país, atingindo 90% de cada um dos grupos até o dia 23 de maio. O investimento do governo federal é de R$ 1 bilhão na aquisição de 75 milhões de doses da vacina.

População e os mitos da vacinação

Apesar da campanha massiva ao longo dos últimos anos, a coordenadora do curso de Enfermagem da Anhanguera de Anápolis, Juliane da Silveira Ortiz de Camargo Lopes, relata que muitos brasileiros ainda se mostram receosos em tomar a vacina da gripe. O movimento antivacina, aliás, gerou um impacto global no ano passado – inclusive nos Estados Unidos – e ainda reflete culturalmente em algumas regiões. No Brasil, muitos idosos, por exemplo, acreditam que a vacina leva a doença para dentro do corpo. “Muitos dizem que tomaram a vacina e acabaram tendo um resfriado ou desconforto. Porém, não existe a mínima probabilidade de isso acontecer, porque o imunizante é produzido com o vírus inativado. A explicação é que o organismo entra em contato com cepas do vírus inativo, ou seja, entra em contato com fragmentos “mortos” do vírus e uma vez que alguém toma o imunizante, seu sistema de defesa reconhece aquelas partículas estranhas e começa a produzir proteínas para debelá-las, que são os anticorpos contra a gripe. Acontece que essa fabricação não ocorre de uma hora para outra, ela leva de 10 a 15 dias até ganhar a escala necessária para debelar a doença. Durante esse período, é possível que alguém contraia a enfermidade e apresente seus sintomas. Por isso que muita gente pensa, erroneamente, que a vacina causa o problema”, explica Juliane.

Quem tomou a vacina no ano passado deve se vacinar de novo?

Sim, por dois motivos. Primeiro, pois conforme o tempo após a vacina passa, os anticorpos para os vírus vão diminuindo, sendo necessário reforçar, novamente, o sistema imunológico através da vacina. Segundo, porque a composição dela é atualizada a cada ano, de acordo com os tipos de vírus Influenza que mais estão circulando na temporada.

Velocidade é segredo da eficiência

Com os casos de coronavírus dobrando a cada pouco mais de 48 horas no Brasil, a vacinação contra a gripe precisa ser eficiente e assim o sistema de saúde público e privado poderão distinguir os casos de COVID-19 e influenza de forma otimizada durante o mês de abril. “É preciso entender que quem toma a vacina agora demorará entre 10 a 15 dias para que o corpo crie memória imunológica contra os ataques da influenza. Se lá em meados de abril esse paciente tiver uma suspeita de COVID-19, ficará mais fácil diagnosticá-la, já que a influenza poderá ser descartada”.

Vacinação e novos hábitos

O coronavírus fez com que muitas famílias começassem a transformar hábitos importantes dentro de casa. Mas o fato é que junto com a vacinação da gripe, não é possível baixar essa guarda. No Brasil, temos na rede privada a vacina quadrivalente e na rede pública a vacina trivalente. A quadrivalente realiza a imunização para dois subtipos do vírus Influenza – dois subtipos A, normalmente H1N1 e o vírus da gripe sazonal (H3N2) e dois subtipos B que dependem do vírus circulante no ano anterior. Já a vacina trivalente, imuniza contra dois tipos da Influenza A (H1N1 e o H3N2) e um vírus da Influenza B. Portanto, a cepa adicional de Influenza B é o que a diferencia da quadrivalente, no entanto, como praticamente não existe a circulação dessa cepa no Brasil, não é obrigatória a vacinação nas clínicas privadas.

DEIXE UMA RESPOSTA

Please enter your comment!
Please enter your name here