Isolamento social: a chance perfeita para se reencontrar

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Como Friedrich Nietzsche, em Assim Falou Zaratustra, desconstrói tudo que a Cultura Ocidental já pregou e impôs durante os séculos, e pode contribuir neste momento para tornar as pessoas mais fortes e focadas

Amar o próximo é uma espécie de fuga de si mesmo, um preenchimento do vácuo que causa não ter amor próprio e não querer se encontrar. Para realmente entender esse conceito, o mundo precisava de uma tradução íntegra da famosa e talvez a mais importante obra de Nietzsche, Assim Falou Zaratustra, publicada pela editora dos clássicos, Edipro.

O conceito de amor ao próximo descrito no livro leva para longe qualquer pensamento niilista e/ou cristão, satirizando o Velho e Novo Testamento. Mas porquê? O filósofo alemão quer derrubar a igreja e os pensamentos conservadores da Cultura Ocidental? Talvez!

O que Nietzsche mostrou com esta passagem tão atormentadora e complexa, é que ao desejar o próximo e amá-lo com veemência prova que não suporta a ti mesmo e aquele que está distante. Pois é muito difícil fugir e fingir para si mesmo e também para aqueles que não têm um envolvimento social substancial a ponto de cegar.

Principalmente em época de confinamento, todos percebem o quão difícil e conflituoso é conviver com próximo, o mar de envolvimento se subtrai. E também fica nítido o quão importante é viver o distante, que não poder vê-lo é uma sensação de falta de liberdade. Ainda, o tempo sozinho, pode fazer as pessoas olharem para dentro, se aturarem e, acima de tudo, se amarem.

Para entender todo esse conceito e lidar com esse momento tão complicado e de guerra psicológica que envolve a imprensa, a si mesmo, trabalho e família, essa obra se torna essencial no objetivo de manter a mente sã e estudar novas formas de olhar o mundo.

Em tempos de isolamento as passagens da obra Assim Falou Zaratustra, publicada pela editora dos clássicos, a Edipro, farão com que as pessoas repensem em todos os comportamentos que acreditam ser corretos e repetiram sem ao menos questionarem durante um longo período da história do mundo.

A quarentena forçada deve ser aproveitada da melhor forma. Conhecer a si mesmo e aprender a olhar o mundo com novos olhos é o melhor que uma pessoa pode tirar de tempos incertos.

Sinopse

Assim falou Zaratustra é uma obra composta de discursos e imagens poéticas. Lançando mão de um estilo que emula as parábolas bíblicas, Nietzsche narra o que seria a sua versão da vida e dos ensinamentos do filósofo persa também chamado de Zoroastro, do século VII a.C. Suas três primeiras partes foram publicadas entre 1883 e 1885. Uma quarta parte foi adicionada à obra, que foi lançada em volume único em 1893. O livro é estruturado em episódios que podem ser lidos em qualquer ordem. Nietzsche busca subverter as bases do zoroastrismo e desenvolver a ideia de que o humano é uma forma transicional; o meio do caminho entre o macaco e o “super-homem” ou “além do homem”. Nesta obra também aparece sua célebre declaração: “Deus está morto”. Assim falou Zaratustra é leitura essencial para estudiosos e apreciadores da filosofia. Esta é uma das peças fundamentais para a construção do moderno pensamento ocidental. Leitores de Nietzsche encontrarão nesta edição ― com tradução, introdução e notas de Saulo Krieger, doutor em filosofia e membro do Grupo de Estudos Nietzsche (GEN) ― uma das mais bem elaboradas críticas do autor à moralidade que inibe a autossuperação e a vontade.

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