Artigo | Lixão municipal de Iporá: uma problemática ambiental

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Por João Batista Alves

A falta de destinação adequada do lixo é um problema comum em grande parte das cidades do Estado de Goiás, inclusive em Iporá. Basta olhar para o lado que não será difícil encontrar lixo espalhado pelas ruas da cidade. O acúmulo de lixo gera impactos negativos em toda a cadeia ambiental, social e econômica. Mais do que conscientizar a população sobre a importância do descarte adequado do lixo, é preciso que poder municipal invista ainda mais em medidas que erradiquem os famosos lixões.

Infelizmente em Iporá ainda vivemos a triste realidade de um lixão que, recentemente por falta de manejamento correto pegou fogo. A fumaça com o forte odor atingiu diversos bairros da cidade e até algumas fazendas próximas. A destinação inteligente de resíduos orgânicos é uma das regras que já deveria estar em vigor e, assim, criar e destinar para um aterro sanitário apenas os rejeitos materiais que não podem ser aproveitados, como embalagens de alumínio e fraldas descartáveis. Nos lixões, os resíduos são depositados em aterros a céu aberto sem nenhum controle ambiental ou tratamento. Além de produzir o gás natural metano, um dos agravadores do efeito estufa, a decomposição da matéria orgânica gera o caldo chorume, altamente poluente.

Em 2016 a Promotora de Justiça, Margarida Bittencout da Silva Liones, ajuizou um pedido cautelar buscando que o município de Iporá fosse proibido de promover a queima de resíduos no lixão a céu aberto. A medida foi proposta a partir de reclamações dos moradores que vivem em bairro próximos ao lixão, e procuraram o Ministério Público relatando que as queimadas são regulares. A fumaça permanente no local causa danos diretos à saúde dos moradores e principalmente problemas respiratórios, prejudicando também a atividade agropecuária da região.

O problema acaba ganhando contornos econômicos e sociais, pois muitas pessoas tiram seu sustento desses locais insalubres, recolhendo o lixo para reaproveitar os materiais, sujeitando-se a contaminação e doenças. A prefeitura de Iporá precisa urgentemente criar um consórcio intermunicipal com algumas cidades vizinhas para a criação de um aterro sanitário. Assim, o lixo produzido por Iporá e as cidades que se interessem em participar, passa a ter uma destinação correta. Nos aterros os resíduos são compactados e cobertos por terra. Terrenos assim têm sistema de drenagem que captam líquidos e gases resultantes da decomposição dos resíduos orgânicos. Desta forma, o solo e o lençol freático ficam protegidos da contaminação do chorume, e o metano é coletado para armazenagem e queima.

O poder municipal precisa tomar uma atitude. Não é novidade para ninguém que o lixão está abandonado a própria sorte. Além disso, o sistema de coleta de lixo do município não tem funcionado. Isso tem que mudar! Os moradores de Iporá necessitam de um gestor que se atente aos cuidados com a cidade.

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