Caiado avalia criação de colegiado para deliberar sobre reabertura do comércio

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O governador Ronaldo Caiado enviará nos próximos dias projeto de lei à Assembleia Legislativa que prevê a criação de colegiados – formados por representantes de diferentes segmentos da sociedade e reconhecendo-os como agentes públicos (sem remuneração) – para a decisão sobre a retomada gradual da economia no Estado. Proposta pela Procuradoria-Geral do Estado, a ideia foi apresentada pela procuradora-geral Juliana Prudente durante videoconferência realizada pelo governador, na manhã desta quinta-feira (28/05), com representantes de todos os Poderes, do Fórum Empresarial de Goiás e de pesquisadores da Universidade Federal de Goiás (UFG).

Conforme está sendo avaliado pelo Governo de Goiás, os integrantes do colegiado – que deve receber o nome de Câmaras – terão direito a voto, mas também assumirão responsabilidades, já que estarão atuando como agentes públicos. A PGE, em conjunto com Secretaria de Estado da Saúde e demais órgãos do governo, está desenvolvendo a minuta projeto.

Caiado destacou que, dessa maneira, respeitando estudos técnicos e científicos, assim como as determinações jurídicas, cada câmara atuaria no sentido da retomada gradual das atividades de forma criteriosa, garantindo a proteção da população. “Ele vai responder por todos os seus atos, de acordo com o seu voto público e, ao mesmo tempo, embasado por um programa de biossegurança e de sinalização de leitos para o atendimento dos pacientes. Assim, estaremos dando um passo rápido para podermos chegar a algumas conclusões em comum acordo”, concluiu.

UFG projeta cenários

Durante a reunião, pesquisadores da UFG que integram o grupo de modelagem da expansão espaço-temporal da Covid-19 em Goiás apresentaram as projeções de demandas hospitalares – leitos clínicos e de Unidades de Terapia Intensiva (UTI) – e também de números de óbitos para a segunda quinzena de julho caso o índice de isolamento social continue como está atualmente: abaixo dos 40% no Estado.

De acordo com a médica infectologista e epidemiologista Cristina Toscano, há três cenários possíveis: um azul, considerado o ideal, no qual o índice de isolamento social nos municípios voltaria a ficar entre 50 e 55% — como ocorreu durante no final de março até abril, quando estava em vigor o primeiro decreto do governo; um verde, na hipótese de o isolamento for de 38,29%; e um vermelho, baseado na projeção de isolamento abaixo de 37,91%.

De acordo com as análises apresentadas, a demanda de leitos clínicos tanto nos cenários verde quanto no vermelho seria maior que a quantidade existente em Goiás, considerando leitos públicos e privados. Nas duas hipóteses seriam necessários entre 3 e 5 mil leitos diários, números que cairiam para algo em torno de 300, se o isolamento social atingisse o cenário azul.

Já em relação à demanda por UTIs, a projeção para a segunda quinzena de julho, se mantida a taxa atual de isolamento que se encontra em 36%, prevê a necessidade de 1.257 leitos por dia, número também acima da capacidade do Estado. Com o isolamento social alcançando índices ideais, a projeção que é a demanda cairia para 75 leitos por dia.

As perspectivas de óbitos para o período também preocupam. Segundo a pesquisa da UFG, projeta-se em Goiás um total acumulado de óbitos por Covid-19 entre 387 e 530, no final de junho, e entre 634 e 839, no final de julho. Isso dentro do cenário azul, com índices altos de isolamento social. Nos piores cenários – verde e vermelho – as mortes de goianos pelo coronavírus poderiam chegar a quase 6 mil, exatos 5.938 vidas perdidas.

“Fica claro que precisamos atingir essa área entre a curva azul e a verde. Por isso, é importante retornar ao nível de isolamento desejável para se evitar essa situação de alta mortandade e uma demanda de leitos de UTI e leitos de saúde no Estado que não possam ser atendidas”, destacou Cristina Toscano. A pesquisadora goiana foi convidada pela Organização Mundial da Saúde para integrar uma equipe de trabalho focada no desenvolvimento de uma vacina contra o coronavírus.

Na avaliação do grupo de estudos da UFG, as medidas de distanciamento social adotadas pelo governo no início da crise funcionaram em Goiás, permitindo o achatamento da curva e o crescimento mais lento de casos e de mortes. “A situação que vivemos atualmente, uma das melhores entre os estados brasileiros, se deve a essas medidas que foram implementadas precocemente”, defendeu a docente, ao concluir que “o momento certo de fechar e o momento certo de abrir são pontos cruciais no manejo adequado de uma epidemia”.

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