Bolsonaro pede que população entre em hospitais e faça vídeos de leitos para Covid-19

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Foto: Marcello Casal Jr./Arquivo

O presidente Jair Bolsonaro pediu na quinta-feira, 11, que as pessoas entrem em hospitais e façam vídeos dos leitos destinados a pacientes contaminados com Covid-19, doença respiratória causada pelo novo coronavírus, para mostrar se há ou não há lotação dessas unidades.

“Seria bom você fazer na ponta da linha. Tem hospital de campanha perto de você, tem hospital público, arranja uma maneira de entrar lá e filmar”, disse o presidente na transmissão semanal que faz em suas redes sociais.

“Muita gente está fazendo isso, mas mais gente tem que fazer para mostrar se os leitos estão ocupados ou não. Se os gastos são compatíveis ou não. Isso nos ajuda. Tudo que chega para mim nas redes sociais a gente faz um filtro e eu encaminho para a Polícia Federal ou para a Abin (Agência Brasileira de Inteligência) e lá eles veem o que fazer com esses dados”, acrescentou.

A sugestão de Bolsonaro, além de colocar em risco de contaminação pessoas que entram em unidades hospitalares que têm pacientes portadores de Covid-19, pode violar a privacidade dos doentes e das equipes médicas que atuam nesses locais.

No início deste mês, deputados estaduais entraram no hospital de campanha montado no complexo do Anhembi pela prefeitura de São Paulo com auxílio de recursos do governo do Estado —alguns deles sem máscaras e outros equipamentos de proteção individual—, geraram tumulto e filmaram pacientes e leitos vazios.

Vídeos publicados nas redes sociais mostraram profissionais de saúde em trajes de proteção pedindo que os parlamentares e seus assessores usassem máscaras.

A prefeitura disse que os leitos vazios ficam preparados para serem utilizados em caso de necessidade e que o hospital de campanha atende casos de baixa e média complexidade —não casos graves— e que este tipo de unidade ajudou a aliviar a pressão sobre os hospitais regulares.

De acordo com dados do Ministério da Saúde, a Covid-19 já infectou 802.828 no Brasil, com 40.919 mortes. (Reuters)

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