Editorial | Por uma semana menos ruim

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O otimismo e esperança em dias melhores nunca esteve tão em baixa quanto na última semana, quando vivenciamos o caos na saúde pública, com mais de 40 mil brasileiros mortos pela pandemia do novo coronavírus; uma sugestão presidencial para que “entrem e filmem” hospitais públicos e discípulos bolsonaristas invadem hospital, agridem e oprimem funcionários e pacientes; em que o racismo estrutural e pessoal foi discutido amplamente por estar muito presente no país e no mundo.

É neste cenário que entramos chegamos na segunda quinzena de junho, com dados do Ministério da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos (MDH), que revelam que houve um aumento de 13% em 2018 em relação a 2019 no número de violência contra pessoas idosas no Brasil. A maioria dos casos, 85,6%, foram registrados dentro das residências das vítimas. Quase a metade das agressões foi praticada pelos próprios filhos.

Não é de ficar perplexo que isso ocorra em um país onde as pessoas perderam a empatia, não se colocam no lugar do outro e até uma pandemia é politizada e claramente polarizada entre a favor e contra um presidente da República. Pessoas que menosprezam a minoria, que agridem idosos, mulheres, crianças, animais e a população mais vulnerável, funcionários, moradores de rua. Falta amor.

É difícil enxergar um cenário de paz social, espiritual, uma confraternização real entre os seres humanos no pós-pandemia se, conforme recomendado pela ciência, nem o isolamento social fomos capazes de tornar possível. Enquanto alguns cumpriam as exigências para que a doença não se alastrasse, a pressão econômica falou mais alto. Trabalhadores tiveram de voltar a seus postos, houve relaxamento no isolamento, os casos de covid-19 aumentaram abruptamente e agora o fim está muito mais distante. Muito mais gente vai morrer, vai adoecer e cada vez mais próximos de cada um de nós.

Que algo bom e novo venha com nos novos dias. Que tenhamos uma semana menos ruim.

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