Da solidariedade ao empreendedorismo

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Por Elizeth Araújo, especial para o Tribuna do Planalto

A pandemia do coronavírus trouxe uma dura realidade em vários campos da vida humana. A dor da perda. O medo. Medo de perder a vida, a saúde, o emprego e até de um teto. Se para os seres humanos ricos ou pobres ficou tudo mais difícil, imagine para os animais abandonados.

De acordo com a Organização Mundial de Saúde (OMS), o Brasil tinha em 2019, vinte milhões de cães e 10 milhões de gatos abandonados. Com a pandemia, esse número vem subindo e os pets que vivem na rua ou com famílias em situação vulnerável, estão com mais dificuldades para se alimentarem.

Mas como tudo tem dois lados, a pandemia trouxe também muita solidariedade. As entidades e pessoas que protegem os animais se desdobram para conseguir ajudar os bichinhos em sofrimento. A causa animal ganhou lugar especial nos corações mais aquecidos.

Esse é o caso da empresária Alessandra Serafim, proprietária de um espaço de eventos em Goiânia, que aos poucos foi sendo transformado em um lar temporário para cães abandonados. Os cãezinhos são encaminhados por clínicas e por uma ONG protetora de animais, onde ela é voluntária.

É um local seguro, onde o bichinho pode ficar até conseguir uma adoção e ainda faz o tratamento de saúde necessário. Proprietária de quatro doguinhos, atualmente ela está com mais dez animais. Todos têm suas madrinhas que bancam uma hospedagem simbólica, a ração, os medicamentos e são responsáveis em conseguir um adotante.

O diferencial de Alessandra é que além do espaço, ela doa muito carinho e atua como uma cuidadora. Os animais que ela abriga chegaram doentes, com traumas ortopédicos, sarna, doença do carrapato e outros males. Eles se alimentam e tomam todos os medicamentos na hora certa, com direito a banho de sol e brincadeiras ao ar livre duas vezes por dia em um amplo espaço cercado de verde. “Fico por conta deles”, relata.

Por ser voluntária em um abrigo para 700 animais, ela também ajuda outros cães e gatos com transporte para clínicas, abrigos e em resgates. Mas Alessandra tem pelas dificuldades de manter o espaço sem os eventos que realizava. “Só de IPTU, pagamos uma fortuna, pois o espaço é grande fica dentro de Goiânia.

Só para este ano, o local de festas estava com oito casamentos marcados, além de aniversários, churrascos e outras pequenas comemorações. “Tudo foi por água abaixo. Fiquei sem saber o que fazer. Quase todo mundo desmarcou”, lamenta. Ela conta que resolveu investir no lar temporário como uma terapia, a realização de um sonho. “Sempre gostei de animais e sempre quis ajudar mais e mais”, diz.

 

Nestes mais de três meses de pandemia, a solidariedade despertou em Alessandra a vontade de abrir um novo negócio. Como a pandemia não tem data para acabar e as festas serão as últimas a retornarem por causa da aglomeração, ela teve o que o mercado chama de insight. Abrir um hotel pet com todos os cuidados que os bichinhos merecem.

Ela já está estudando adaptações arquitetônicas no espaço de eventos para a hospedagem com segurança e diversão. “Cheguei a conclusão que para garantir uma renda, preciso de um novo negócio. Então minha ideia é manter a chácara com a renda do hotel e reservar um percentual de vagas para o lar temporário aos animais que precisam de abrigo e estão à espera de uma nova família”, conta animada a empresária. O projeto tem tudo para dar certo, pois em tempos de pandemia o mercado pet continua aquecido e fazer o bem está na última moda no mercado.

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