Entrevista | “Levei dois anos para colocar a casa em ordem e começar a investir na cidade”

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Em passagem por Goiânia para deliberar assuntos relacionados à Prefeitura de Posse, o prefeito Wilton Barbosa (PSDB), pré-candidato à reeleição, visitou a sede do Tribuna do Planalto para apoiar a pré-candidatura à Prefeitura de Nova Roma, do empresário Sebastião Barbosa (MDB). Segundo ele, os municípios brasileiros precisam de gestores que levem a administração a sério em benefício da população e que os municípios do nordeste goiano sofrem há décadas com o abandono e descaso dos governos, sinalizando para a necessidade urgente de mudança desta realidade a partir de ações como a que ele próprio tem feito em Posse, que é de levar aos mais pobres o poder público. Confira a primeira parte da entrevista com o prefeito Wilton Barbosa, onde ele fala dos desafios de administrar um município com poucos recursos e muitos problemas.

Tribuna do Planalto – Como o senhor deixou sua empresa e foi se dedicar à política?

Wilton Barbosa – Eu sou tradicional da zona rural. Meus pais, um agricultor e uma dona de casa. E comecei a trabalhar cedo, com comércio na área do agronegócio no oeste da Bahia. Fiquei 21 anos na empresa. Entrei como auxiliar e acabei como dono da empresa. Cheguei a todas as fases. De vendedor, gerente até que, em 2012, a gente acabou comprando a empresa, a Rural Rosário, que já tem 31 anos de mercado. Minha família também tem tradição política. Eu sei o que é política. Então, não foi por acidente que eu vim para a política. Em 2016, foi fácil me arrastarem para a política e acredito que a gente foi muito até acima da média, em eficiência com a campanha política. E o que é a campanha política? Ela é o ato de você você colocar a esperança das pessoas. Então eu falo que a gente foi muito eficiente nisso. Sou sou primo do ex-governador José Eliton, que era o governador na época. Então, essa essa leitura de ser prefeito da cidade com o apoio do governador foi bem favorável para o município. Saímos com quase 60% dos votos, disputando com três candidatos. A grande dificuldade no interior são pessoas com capacidade e conhecimento. Que possam tocar uma gestão pública. O que falta realmente são essas pessoas e eu peguei um município extremamente precário. Eu tinha a expectativa, durante a campanha, que teria ao meu lado meu amigo Eltin (ex-prefeito, pai do ex-governador Zé Eliton) como meu secretário de Administração, o que acabou não ocorrendo, então, eu tive de meter a mão na massa e mesmo não conhecendo a coisa pública, tive de aprender fazendo.

O senhor disse que o município estava extremamente precário quando assumiu. Qual era a situação?

Primeiro, não tive qualquer transição. Não tinha informação de como estava a Prefeitura. Como eu já era gestor da minha empresa, entendia que a minha experiência de empresário seria bem similar. O que descobri é que o município estava em frangalhos. Todos CNPJs da Prefeitura estavam positivados. Levei quase um ano para regularizar isto. A Prefeitura não tinha crédito nenhum na praça. Tínhamos uma dívida em torno de R$ 32 milhões, sendo que a arrecadação bruta do município é entre 5,5 milhões a R$ 6 milhões. Por 16 anos as contas dos gestores anteriores não foram aprovadas pelo Tribunal de Contas. Os servidores estavam há 18 anos sem reajuste salarial. O quadro de funcionários era todo irregular em relação a contratação. Regularizamos isso com um concurso que está em andamento. Os salários foram reajustados. Então, nos dois primeiros anos, o trabalho foi de organizar a casa, pagar dívida e de resgatar a credibilidade do município.

E como o senhor conseguiu isso, já que todos os municípios brasileiros sofrem com a falta de recursos?

Contamos muito com o apoio do vice-governador José Eliton e do próprio governador Marconi Perillo, já que Posse é a cidade do José Eliton, e com a influência de ambos junto a senadores, deputados federais e aos deputados estaduais conseguimos muitos recursos. Esse apoio político foi muito importante neste aporte financeiro que conseguimos na época. Em 2017 e 2018, conseguimos muitos recursos. O orçamento médio do município ao ano era em 2016 de R$ 67 milhões em recursos. Entrego o município agora com mais de R$ 90 milhões. Com o apoio político desses anos que a gente teve levamos recursos federais e estaduais, principalmente nas áreas de Infraestrutura e Saúde. Na época conseguimos uma obra importante para a nossa região que é o asfaltamento da Estrada Parque, que liga Posse, passando por Iaciara até Guarani, de R$ 60 milhões, dos quais, na época, foram feitos mais de R$ 30 milhões. Com a entrada do governador Ronaldo Caiado cortou esses recursos. Tínhamos uma estrada, a saída da JK, que era uma obra estadual de seis quilômetros, da ordem de R$ 15 milhões que foi cortada também. Os investimentos do Programa Goiás na Frente da ordem de R$ 13 milhões, dos quais R$ 8 milhões e 400 mil, o governador Ronaldo Caiado também tirou do município.

Por dois anos o senhor foi prefeito tendo apoio do governo e agora, nos dois últimos anos, tem sido oposição. Como tem sido isso?

Em 2018, por ser a cidade do ex-governador José Eliton e ele candidato à reeleição, eu tive também uma situação política muito ruim. Uma experiência muito ruim, realmente. O município sofreu, não pra me atingir, mas para atingir o Zé Eliton, foi o ano mais difícil de fazer gestão, fazer a coisa certa, e você ter um candidato ali da sua casa, seu primo, seu companheiro ali. Foi um processo político muito ruim. Não digo que sou oposição ao Caiado. Eu diria que o governo dele é uma inércia de ações, entendeu? Do estado para com os municípios. A falta de ação dele não é como uma perseguição, uma oposição. É uma inércia mesmo em relação a todo mundo. A todas as regiões, inclusive ao nordeste goiano. Ele ainda não mostrou a que veio, não tem capacidade de administração, não sabe nada de gestão e mostrou isso nesses dois anos. E acho que o restante do governo vai ser da mesma forma. Não tenho esperança nenhuma de apoio do Estado neste governo.

Que tipo de investimentos sua gestão tem levado ao município?

Os dois primeiros anos foi para colocar a casa em ordem, pagar contas, regularizar as finanças da Prefeitura, investir em qualidade do serviço público com cursos de capacitação, melhoria salarial, processo seletivo e depois de tudo organizado, começamos a procurar recursos junto aos parlamentares e em Brasília. Aqui temos dois principais problemas. Estrada e água. Fizemos algo em torno de 1350 quilômetros de estradas vicinais. Onde havia apenas a famosa laminada nas estradas. Faço cascalhamento realmente. Então, a gente tá revitalizando nos dois últimos anos as estradas do município. Praticamente todas as pontes foram refeitas. O grande gargalo da região ainda é a da água. É a grande necessidade. Eu acho que pra frente o grande passo de qualquer gestor, e é um compromisso meu, a questão da água. Os dois elementos que o pessoal da roça quer é estrada e água. A questão da estrada vou entregar bem adiantada e a questão de água a gente adiantou também, mas tem muito a fazer. Levamos água tratada da Saneago para o maior povoado do município, o de Rosilândia, e para o segundo maior povoado, que é o Nova Vista. No nosso município temos 54 poços artesianos que servem a zona rural. Destes, só 3 têm água doce. O resto é tudo agua salobra, que tem um sabor ruim para o consumo, que calcifica nos canos e mangueiras e de tempos em tempos temos de trocar tudo. Eu entendo que precisamos da ampliação de pequenas represas, para atender às demandas do campo. Para uso dos animais, das famílias dos pequenos agricultores. A despesa com a manutenção dos poços é cara e corre por conta do município. É preciso um sistema mais eficiente de distribuição de água tratada para a comunidade. Assim, a Prefeitura vai deixar de gastar com essa infraestrutura e dar assistência técnica que é o que vai melhorar a qualidade de vida da sociedade. Ainda em relação a zona rural, temos em nossa cidade 70% de agricultores familiares. Os outros 30% são de médios produtores, principalmente pecuaristas. O agronegócio mesmo está na fronteira com a Bahia. Estamos há 15 quilômetros da divisa. O comércio, o emprego e a renda ainda está lá na fronteira. As três cidades que dão suporte ao comércio e ao agronegócio são Posse, Luiz Eduardo Magalhães e Barreiras. Elas dão o suporte para 3 milhões de hectares plantados. Mas voltando à Posse, pelo perfil de termos aí pequenos e médios produtores rurais, sendo 70% de agricultores familiares, precisávamos de uma estrutura para atender este pessoal. Quando assumi, a Prefeitura tinha 3 tratores velhos. Hoje temos sete tratores novos e equipados.

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