Entrevista | “Quando o estado começou a tomar providências de enfrentamento à doença, já estávamos com protocolos de segurança rígidos”

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Creche em Posse é para crianças de famílias cujos pais precisam trabalhar. Quem tem condição de pagar, não tem vaga em creche pública! É o que revela a continuação da entrevista que o prefeito Wilton Barbosa (PSDB) concedeu ao Tribuna do Planalto semana passada, quando esteve de passagem por Goiânia para deliberar assuntos relacionados à Prefeitura de Posse e também para hipotecar seu apoio à pré-candidatura à Prefeitura de Nova Roma, do empresário Sebastião Barbosa (MDB). Segundo ele, os municípios brasileiros precisam de gestores que levem a administração a sério em benefício da população e que os municípios do nordeste goiano sofrem há décadas com o abandono e descaso dos governos, sinalizando para a necessidade urgente de mudança desta realidade a partir de ações como a que ele próprio tem feito em Posse, que é de levar aos mais pobres o poder público. Assim como o empresário Sebastião Barbosa, Wilton, que é pré-candidato à reeleição, trabalha para o fortalecimento político e econômico do nordeste goiano. Aqui ele fala de emprego e renda para a população, de investimentos na saúde e educação e de como o município tem enfrentado a pandemia de Covid-19.

Tribuna do Planalto – Como incrementar a geração de emprego e renda em Posse?

Wilton Barbosa – A gente cria emprego para gerar renda para a população de uma forma. Trazendo empresas e indústrias para o município. Tentamos trazer uma indústria de frango, depois uma cervejaria, uma indústria de energia solar e um indústria de ração. Nenhuma deu certo. Não tem infraestrutura do governo que atenda as necessidades de médias e grandes indústrias no estado. Mesmo oferecendo incentivos, melhores impostos, não temos apoio do governo, que não leva a estrutura necessária para que as empresas se instalem no interior. Não existe o incentivo, por exemplo, que Goiânia recebeu para se tornar um pólo de saúde. Goiânia se transformou num grande centro de saúde sem ter um hospital do município. E a cidade absorve doentes do estado todo, inclusive do nordeste goiano que está a 600 quilômetros da capital. Não recebemos aqui o incentivo, por exemplo, que Aparecida de Goiânia recebeu para seu pólo industrial. Ou Anápolis. Faltou incentivo do governo em desenvolver essa parte do estado.

Como é a questão de saúde?

Temos uma população de 45 mil habitantes e atendemos 150 mil pessoas. Somos um pólo regional, porque fortalecemos o sistema de saúde do município, inclusive com um ambulatório antigripal, para o enfrentamento ao novo coronavírus. Quando o estado começou a tomar providências de enfrentamento à doença, já estávamos com protocolos de segurança rígidos, com orientação ao comércio, à população. Os poucos óbitos de pessoas de Posse registrados na cidade por covid-19, as pessoas foram contaminadas e tratadas em outras cidades. Formamos barreiras sanitárias num excelente trabalho da nossa Vigilância Sanitária que tinha quatro pessoas na equipe e hoje tem mais de 30. Investimento em saúde foi o grande avanço que a gente deu na cidade. Em 2018, a policlínica estava com 90% da obra concluída. Tentamos fazer com que o então governador Zé Eliton a inaugurasse, mas não deu. Foi o Caiado que foi lá e terminou a obra. Tenho de aplaudir o governador por isso. Por conta da pandemia, está com metade da capacidade de atendimento. Nosso hospital estava para ser estadualizado e atenderia toda a região, mas o governador deixou de estadualizar nosso hospital e estadualizou o de Formosa.

Qual o investimento da prefeitura nesta área?

Ao contrário de administrações passadas que nem tiveram as contas aprovadas por não investirem na saúde o exigido por lei, minha administração gasta entre 28 e 32% dos recursos em saúde. O exigido é 15%. Pegamos a Prefeitura com seis equipes de PSF. Hoje tem nove equipes. Fizemos um investimento da ordem de mais de R$ 5 milhões na reforma, ampliação e compra de equipamentos para o hospital. Qualificamos o pessoal, corrigimos aos salários praticamente dobrando os valores. Valorizamos o servidor público, principalmente o da saúde. Tínhamos apenas 900 famílias cadastradas no sistema. Hoje temos mais de 20 mil famílias. Na zona rural fazemos um trabalho itinerante com as equipes do Saúde da Família. Elas levam tratamento preventivo. É mais barato. Agora, não tem como o município continuar por conta própria gastando 30% dos recursos em saúde. A luta de qualquer gestor é conseguir recursos federais. É um cavalo de Troia conseguir que essa despesa seja custeada pelos governos estadual e federal. Temos lutado neste sentido.

Voltando a falar de Covid-19, o senhor foi um dos prefeitos que entrou na Justiça contra o decreto do governador que determinou o isolamento social e o fechamento das atividades econômicas em todo o Estado. O que o levou a fazer isso?

Vou colocar assim. Nós estamos muito mais perto de Brasília e lá, quando começaram os casos e o governador Ibanês fechou tudo, na sequência fechamos também. Então quando o Estado começou a tomar alguma ação, Posse já estava na frente com barreiras sanitárias, com um comitê de enfrentamento ao covid, com um trabalho de conscientização do comércio, da população. Entrei com ações contra o decreto do governador porque entendi que não era justo fechar tudo lá em março quando nenhum caso da doença havia sido registrado no nordeste do estado. Penalizou a todos. A pandemia chegou aqui em julho. O governador errou na hora de administrar a medicação. Defendo que o conhecimento e a informação são armas contra essa doença. Apesar disso, entendi que uma briga judicial causaria mais danos para todos, então chamei o Ministério Público, Polícias Civil e Militar, os Bombeiros e o CDL e fizemos em março nosso comitê para deliberar as ações e tem dado certo. Trabalhamos por faixas, como Aparecida e Anápolis, por exemplo para regular a flexibilização dos serviços Essa proposta do governador de 14 por 14 não atende a nossa região também. Sabemos que o importante neste processo é o cidadão ter consciência. Quem tem de ficar em casa, fica. Idosos, pessoas com comorbidades, por exemplo. As outras podem voltar ao trabalho.

Quantos leitos a cidade dispõe para o tratamento do covid-19?

Temos 10 leitos e nesses mais de 120 dias de funcionamento nunca teve nem 30% de ocupação. Nossas equipes médicas criaram um tratamento sem cloroquina, sem ivermectina, sem essa bobeira que acabou politizando a doença. Fazemos o tratamento sério. Tivemos até agora 80 casos da doença e como já disse, os dois óbitos foram de pessoas que foram contaminadas e tratadas fora de Posse. Porque isso? Porque tomamos medidas sérias.

O ano letivo será retomado no segundo semestre?

Pra mim, por causa da pandemia, ninguém passou de ano. A questão é bem simples. Em 2020, ninguém passou de ano. Nossa prioridade foi proteger o aluno e a família dele, os professores e servidores da educação. Ano letivo a gente repõe. Vida não. A educação sempre foi uma tradição de Posse. Nós sempre tivemos nossas escolas públicas entre as melhores do estado de Goiás. Minhas três filhas, por exemplo, estudaram em escolas públicas. Uma fez Direito na UFRJ, a do meio fez Administração na UNB e a caçula faz Enfermagem aqui na UFG. Sou formado em Agronegócio e casado com a professora Maria Coelho e ela conhece muito de Educação. Tinha muita escola na zona rural com poucos alunos. Concentramos o ensino padronizado em 10 escolas na cidade e em outras 10 na zona rural. O aluno recebe um lanche assim que chega na escola, porque muitos levantam bem cedo e chegavam com fome, além da merenda normal. Reformamos todas as escolas. Eram 3 mil alunos quando entrei. Hoje são mais de 4 mil alunos porque incluímos aí as crianças de 4 anos nas salas de aula. Creche, que é um de nossos gargalos, é oferecida apenas para crianças de famílias que ganham pouco. Quem pode pagar creche não utiliza mais o serviço público. As vagas são para crianças de famílias que precisam de segurança e educação para os filhos enquanto os pais saem para trabalhar.

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