Entrevista | “Precisamos investir em políticas públicas de apoio a população”

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A deputada estadual Delegada Adriana Accorsi, do Partido dos Trabalhadores, lançou sua pré-candidatura a prefeita de Goiânia, no último dia 13, em evento 100% virtual e recebeu convidados em uma sala virtual. Na oportunidade foi lançada a plataforma do plano de governo para que a população opine sobre o que acha importante para a cidade. Adriana é filha do ex-prefeito Darci Accorsi, é formada em Direito pela UFG, especialista em Gestão em Segurança Pública e Ciências Criminais. É delegada da Polícia Civil, onde atuou em delegacias do interior, foi titular da Delegacia de Proteção à Criança e ao Adolescente de Goiânia, foi a primeira mulher a ocupar o cargo de Delegada Geral da Polícia Civil de Goiás, Superintendente de Direitos Humanos da SSP e Secretária Municipal de Defesa Social de Goiânia. Em entrevista ao Tribuna do Planalto, ela falou do desafio de fazer uma pré-campanha completamente virtual, entre outros assuntos.

Tribuna do Planalto – O lançamento de sua pré-candidatura à Prefeitura de Goiânia foi totalmente digital. A campanha será assim também? Que desafios os prefeitáveis terão este ano por conta da pandemia? E você acredita que todos os candidatos farão campanha pela internet?

Adriana Accorsi – Pelo menos por um bom tempo, um bom período dessa campanha, a maior parte das atividades serão digitais, até porque nós precisamos ter grande responsabilidade sobre a segurança e a vida das pessoas. Não podemos colocar as pessoas em risco ainda mais em um momento em que o Estado de Goiás e sobretudo Goiânia atravessa de grande contaminação. E onde a prefeitura só começou os testes da população esta semana, ou seja, os números que estão sendo divulgados, como oficiais, são números que não refletem a realidade, que com certeza é muito pior. Acredito que sim. As redes sociais que já vinham tendo uma grande importância na política, como em várias outras áreas, torna-se muito mais relevante nessa campanha e nós do Partido dos Trabalhadores, temos procurado aprender a utilizar desses meios para ter o contato direto, a transparência, diálogo com a população. Estamos trabalhando na construção de um plano de governo democrático, através de reuniões virtuais, tanto por tema, como também por região da cidade, e agora lançamos também, não só a pré-candidatura, mas juntamente com ela lançamos uma plataforma digital através da qual toda a população de Goiânia pode participar do plano de governo colocando propostas e sugestões.

Quais os principais problemas que você vai encontrar se for a próxima prefeita de Goiânia e que propostas apresenta para resolvê-los?

O desafio será muito grande para próxima ou próximo prefeito, na cidade, pois vivemos hoje uma cidade que é maravilhosa, que é excelente, porém que sofre com grandes problemas, como por exemplo, um sistema de saúde que ao meu ver não atende as necessidades da população, principalmente que não valoriza de forma adequada os seus profissionais, os trabalhadores e trabalhadoras. Acredito que nós temos um transporte público totalmente indigno da nossa população que precisa ser reformulado, que precisa ter atuação do poder público, não só em Goiânia, mas que ele lidere uma atuação da região metropolitana pra gente transformar em um transporte público de fato digno da nossa população e atuar no sentido de terminar o BRT o mais rápido possível pra que também seja uma solução moderna nesse sentido. A educação sem dúvida será um grande desafio, uma vez que nós tivemos o ano todo uma dificuldade. Porque a educação está sendo feita de forma remota. Nós sabemos que muitas famílias não tem acesso a internet ou só tem um celular. Os próprios professores não tiveram preparo para esse tipo de educação à distância. Não houve. Então, com certeza, nós vamos ter que repor esse ano. Além disso, receber muitos alunos que vem da rede privada, que por causa da dificuldades econômicas, virão pra rede pública. Então, precisamos ter uma grande valorização dos trabalhadores na educação, professores, administrativos, todos e todas. Além disso, não podemos permitir que nenhuma criança fique fora da escola e devemos ter locais dignos e não contêineres. Eu sou totalmente contra essa ideia do prefeito atual de colocar crianças em contêiner. Acho que tem que ser um grande investimento do município. Por fim, citando que as maiores pautas, a geração de emprego e renda que será algo que nós precisamos investir em políticas públicas de apoio à população nesse sentido devido a crise econômica.

Em 2016, quando disputou a prefeitura de Goiânia, o PT sofria um desgaste. O que mudou neste cenário?

As últimas eleições, principalmente a nível nacional aconteceram em um contexto de muita manipulação através de fake news, de notícias falsas, de mentiras e também de criminalização do Partido dos Trabalhadores, apontado como culpado de muitos delitos que não aconteceram e culminou com a prisão injusta do nosso líder, ex-presidente Lula. Agora está sendo revelada a total parcialidade e falta de ética do juiz que o prendeu justamente para que ele se tornasse ministro da Justiça, caso Bolsonaro ganhasse, como ganhou a eleição. Tudo foi combinado com o Bolsonaro de prender o Lula para que Bolsonaro ganhasse e ele assim se tornasse ministro da Justiça. Isso isso fez com que houvesse uma votação alta em setores da direita da política, tanto majoritário, como também proporcionais. Mas ao mesmo tempo, nós tivemos a eleição da maior bancada de deputados federais pelo PT. O partido que tem mais governadores é o PT e a segunda maior bancada de deputados estaduais. Então, eu vejo que em toda essa criminalização, perseguição e desgaste do partido que acontece a partir de 2014 e tem seu ápice em 2016, que ela começa a cair em 2018. Nós acreditamos que esse ano será assim de forma ainda mais profunda e nós teremos uma grande votação. O Partido dos trabalhadores volta a ganhar confiança da população tendo espaço pra colocar todo o seu legado, tudo que fez nos seus governos, tanto municipais, mas também federal, que a população está lembrando que quem defende você é o PT, quem defende os direitos dos trabalhadores, quem defende o nosso país, as riquezas sempre foi o PT.

A participação popular é uma marca do Partido dos Trabalhadores em suas gestões. Ao lançar a plataforma Fala Goiânia, sua intenção é a de ouvir a população de forma mais democrática? Como estas sugestões vão ser inseridas no seu plano de governo?

A plataforma é mais um instrumento, uma ferramenta de democracia e de diálogo com a sociedade. Nós queremos tanto a campanha quanto o plano de governo bastante democrático. É uma marca do Partido dos Trabalhadores. Então, nós já estamos construindo plano de governo com reuniões virtuais temáticas, por regiões da cidade, chamando a população para debater os problemas da cidade e essa plataforma agora vem justamente pra permitir que as pessoas possam ainda mais interagir com a pré- -candidata, colocar suas sugestões, ideias para a cidade livremente nós iremos então eh analisar as ideias e eh claro fazer com que elas façam parte do plano de Governo. Queremos manter essa essa busca pelo diálogo democrático, pela transparência também na nossa gestão, caso tenhamos oportunidade de governar Goiânia, resgatando aí políticas públicas como o orçamento participativo.

Quem será seu ou sua vice?

Estamos em busca do ou da vice, é claro que tendo em vista que as eleições tiveram suas datas adiadas também foram adiadas as datas das convenções. Então, nós temos aí até meados de setembro pra definir as coligações e também quem serão os vices. Estamos em diálogo com os do campo democrático popular, nossos aliados de sempre e esperamos conseguir aí fazer coligações e assim também definir vice. Esperamos ter alguém que contribua para a nossa ideia de uma cidade mais solidária e de cuidar das pessoas.

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