Urso Robinho deve ficar em Goiânia

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A decisão do juiz Sebastião Fleury, do Tribunal de Justiça de Goiás, para que o urso Robinho, um urso pardo que nasceu no Zoológico de Goiânia há 17 anos, seja transferido para o Santuário Rancho dos Gnomos, em Joanópolis, interior de São Paulo foi reconsiderada pelo Tribunal de Justiça que acatou os argumentos da Procuradoria-Geral do Município de Goiânia de que o animal já está adaptado ao clima de Goiânia.

A briga judicial entre o Zoológico de Goiânia e o Fórum Nacional de Proteção e Defesa Animal, que entrou com a ação alegando que o animal sofre maus-tratos devido ao ambiente apertado e inadequado e desconforto por causa do clima, começou quando pessoas que visitavam o zoológico filmaram o animal em sofrimento e inquietude por causa do calor que faz em Goiânia. A espécie é natural do norte Canadá e região siberiana da Rússia, onde as temperaturas médias são de 38 graus negativos.

Com a repercussão da decisão, a Prefeitura de Goiânia criou um novo ambiente para o urso pardo, com o dobro do tamanho (680m²), climatizado, com uma piscina de 10 mil litros, pontos de fuga e toca para descanso. O presidente da Agência de Eventos, Turismo e Lazer (Agetul), Urias Junior disse que, apesar da prefeitura não ter sido notificada formalmente ainda, irá recorrer da decisão da Justiça.

Robinho tem 17 anos, nasceu no zoo de Goiânia, filho de Lucy, outra ursa parda que morreu ano passado, aos 42 anos e que vivia em Goiânia desde 1983. Urias Júnior defende que Robinho já está acostumado ao clima de Goiânia, já que nasceu aqui e que o Zoológico tem compromisso com bem-estar animal e que não procedem as denúncias.

“Aqui é um lugar que nunca está pronto, pois estamos sempre nos adaptando aos animais para levar qualidade de vida a eles. O Robinho é goianiense, goiano, acostumado aqui e talvez pela exposição nas redes sociais tenha despertado as atenções de outros locais. A mudança não melhoraria em nada a rotina dele, pois iria para outro recinto similar e só geraria estresse ao animal, que já se encontra na vida adulta. Portanto, mostraremos à justiça que não há nada de errado quanto ao tratamento oferecido”, destaca.

A advogada Ana Paula de Vasconcelos, secretária adjunta da Comissão Nacional da OAB de Proteção e Defesa Animal denuncia que no Zoológico de Goiânia, Robinho sofre maus-tratos, desconforto pelo local não ter clima muito frio, ambiente insalubre, quente, de dimensões pequenas e que não teria enriquecimento ambiental que pudesse diminuir o sofrimento do animal.

No Santuário Rancho dos Gnomos, defende, ele teria um espaço bem mais amplo, tratamento adequado, em ambiente com vegetação, piscina com água corrente e a possibilidade de conviver com outros dois ursos resgatados. Além disso, Joanópolis fica em região serrana, com clima mais ameno no verão e frio no inverno. No santuário não há visitação pública, o que diminui o estresse do animal.

“Nós respeitamos a decisão judicial, mas não concordamos e vamos recorrer. Esperamos que a Justiça seja sensível a esta situação de maus-tratos gritante denunciada pela população da cidade, que se manifesta pela mudança do animal daqui. A prefeitura fez uma manobra bem-sucedida, ao fazer alterações no local, mas isso não muda o sofrimento do Robinho. Temos laudos técnicos que provam nosso argumento”.

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