Entrevista | “Em nenhum lugar do mundo o trânsito funciona bem, sem que o transporte público funcione bem”

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O deputado federal Elias Vaz (PSB) lançou oficialmente na quinta-feira, dia 27, sua pré-candidatura a prefeito de Goiânia, em uma live no Facebook que contou com a presença doo do presidente da Assembleia Legislativa, deputado Lissauer Vieira e do presidente metropolitano do partido, José Alves. Elias Vaz é presidente estadual do PSB. Foi eleito deputado federal com quase 75 mil votos em 2018. Foi vereador por cinco mandatos em Goiânia. Participou da luta para a implantação do transporte alternativo na capital e contribuiu para a criação da Cooperativa de Transportes do Estado de Goiás (Cootego).

Tribuna do Planalto – A pré-campanha e campanha vão seguir este padrão virtual como foi o lançamento de sua pré-candidatura?

Elias Vaz – Fizemos o lançamento da pré-candidatura através de uma live pelo respeito neste momento difícil de pandemia. É necessário fazer tudo que for possível pra manter o isolamento social. É prudente e é correto fazermos o lançamento dessa forma. A campanha vai ter que ser muito diferente. Não teremos a vacina antes do processo eleitoral. Vamos ter que fazer uma campanha sem aquela tradicional política do corpo a corpo. Vamos ter que inovar. Se já era uma tendência o papel das redes sociais no processo eleitoral, agora ela vai tomar todo o espaço do processo eleitoral. Estamos preparando toda a estrutura pra fazer um diálogo com a sociedade sobre nosso projeto pra cidade e vamos adaptar essa estratégia pra essa realidade que a gente vive hoje.

O senhor fala no lançamento de sua pré-candidatura em repensar Goiânia. O que isso significa na prática?

Repensar significa fazer uma reflexão. Consideramos que Goiânia ao longo dos anos teve acertos, mas também acumulou equívocos. Queremos atrair as pessoas que queiram contribuir nesse processo eleitoral com ideias, com sugestões para que a gente possa elaborar uma proposta com a participação da sociedade. Goiânia tem problemas, que ela precisa enfrentar e precisamos do método de construção, que é a participação da sociedade para fazer esta reflexão sobre qual cidade que nós queremos e sobretudo, que a cidade que possa propiciar mais qualidade de vida, com justiça social.

Que projetos o senhor propõe para a cidade e como conseguir recursos para implementá-los?

O primeiro projeto, quando a gente coloca essa questão da cidade de Goiânia, nós falamos sobre o modo de administrar. Entra em uma questão de uma ruptura com um modelo que é adotado no Brasil, por vários governos, em várias prefeituras, governos estaduais, Governo Federal que é essa política do toma lá dá cá, onde se loteia os cargos. Se loteia secretarias pra partidos, pra forças políticas que efetivamente, na maioria das vezes, não significa que seriam pessoas capazes para estar a frente das secretarias. Queremos montar um secretariado que seja efetivamente capaz e honesto. Na verdade são essas duas características e nós queremos jogar Goiânia no século 21, porque Goiânia, em muitas políticas públicas está ultrapassada. A gente tem condições de avançar na gestão. Tem alguns gargalos que precisam ser enfrentados. Tem a questão da saúde, por exemplo. Nós entendemos que a forma como a saúde é trabalhada hoje é desumana e burra. Tem fila para UTI, o que é um absurdo. Tem fila para fazer exame. Tem fila para cirurgia. E a gente sabe que doença quando não é tratada precocemente, fica mais difícil de ser curada. O tratamento também fica mais caro. Então é ruim e desumano para o doente e ruim também para o poder público, que vai gastar mais. A gente precisa romper com essa lógica. O próprio Programa de Saúde da Família atinge menos de 50% da população. É um programa que devia atingir 100% da população, que é efetivamente a prevenção. Precisamos melhorar muito esse aspecto da saúde. Tem também a questão da mobilidade urbana que nós entendemos que passa fundamentalmente pela melhoria do transporte público. Em nenhum lugar do mundo o trânsito funciona bem, sem que o transporte público funcione bem. Nós precisamos ter um uma mudança radical. Não vamos falar que vamos resolver o problema do transporte em seis meses, como já teve gente que disse e não fez. Entendemos que é necessário que o poder público tenha realmente o controle do transporte público. Hoje o transporte público em Goiânia está órfão. Virou um problema entre as empresas e os usuários. O poder público é omisso. Temos um poder público sucateado, que não funciona, que não tem estrutura e o que nós vamos propor é que o poder público assume o controle, que significa principalmente ter o controle da arrecadação. Precisamos discutir, inclusive, outras fontes de financiamento do transporte público. Tem a implementação do parquímetro, por exemplo, que já tem lei e até hoje não foi implementado, que pode ser uma fonte de recurso pra subsidiar tarifa. Nós não podemos achar que a tarifa do sistema de transporte seja bancado só por quem usa. É preciso ter o subsídio e é preciso a gente criar mecanismos pra garantir que esse subsídio exista.

Qual será o maior desafio a ser enfrentado pelo próximo prefeito/prefeita da capital? E como ele pode ser superado?

O maior desafio é fazer a máquina da Prefeitura funcionar bem. Temos um conjunto de servidores expressivo, mas a máquina, em quase todas as áreas, não funciona bem, e isso não é culpa dos servidores. A culpa é de um processo de gestão. Precisamos melhorar e qualificar essa gestão pra que esse potencial que temos através dos servidores se traduza numa real prestação de serviço com eficiência pra sociedade. A gestão da Prefeitura de Goiânia está no século passado. A gente resolver isso aprimorando vários aspectos de gestão. A ineficiência é uma aliada da corrupção porque andam muito próximas. Toda vez que você tem mecanismos insuficientes de controle, a corrupção tende a se aprofundar.

O senhor tem participado de conversas com outros pré-candidatos para articular um nome forte contra Iris Rezende. Acredita que Iris cederá espaço a um novo nome na disputa? Como fica este diálogo com os outros pré-candidatos? E como fica esta composição agora?

Iris ainda é candidato. Pode ser até que ele desista. Se você for olhar o histórico dele, ele toda vez ele faz isso. Então, já é um comportamento. Agora, eu penso que esse problema de quem vai ser candidato do MDB é problema do MDB. A gente pode reconhecer a contribuição que essas últimas administrações deram a Goiânia, mas nós entendemos que nós temos algo melhor pra oferecer pra cidade. Vamos dialogar com a cidade independente de quem seja o candidato. Temos discutido com algumas candidaturas que a gente tem mais afinidade, da importância da gente ter uma estratégia eleitoral, que significa uma garantia da gente ter uma unidade entre entre algumas forças políticas para que a gente vá pro segundo turno. É uma estratégia eleitoral. Trabalho para ter uma aliança mais ampliada.

Quem será seu ou sua vice?

Meu vice será resultado de muito diálogo. Tem algumas pessoas que eu gostaria que fosse, mas é claro que isso vai ter ainda o seu devido tempo e só as convenções é que vão definir. Eu prefiro não antecipar nomes que a gente tá conversando.

De que forma a sua experiência como vereador pode ajudar na definição de prioridades para Goiânia?

Eu fui vereador em Goiânia durante 18 anos, o que me faz ter uma compreensão e um olhar pra Goiânia de forma bem profunda. Sempre fui um vereador que fiscalizei o Executivo, – detecto muitos problemas, os principais gargalos que a prefeitura de Goiânia tem. Isso é muito importante e contribui muito para uma formatação de um programa, de um projeto pra Goiânia.

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