Artigo | Prepare o seu coração…

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Foto: Internet

Por Rosana Melo

Eu tinha apenas 15 anos em 1982 e obviamente ainda não votava. Já me interessava por noticiários e política. Lembro de ser apresentada ao programa eleitoral gratuito com uma música de Geraldo Vandré que alertava: “Prepare o seu coração, pras coisas que eu vou contar…”, a imagem de Iris Rezende surgindo na tela da tv. Aquela construção do que Iris Rezende representava nunca saiu da minha cabeça.

Passado alguns anos, quando era estagiária de Jornalismo no Jornal da Segunda (hoje Tribuna do Planalto) fui desafiada a entrevistar o governador Iris Rezende Machado. E como a sorte persegue os focas, dei de cara com o próprio no Salão New Star, do amigo Ruimar Ferreira, em uma manhã quando acompanhava meu marido que queria cortar o cabelo. Não pensei duas vezes. Sentei ao lado do governador e comecei a conversar com ele. Era ofi cialmente a minha primeira entrevista com Iris. Nada de gravador. Nunca gostei de usar. Nada de caneta e papel. Simpaticíssimo, Iris respondeu a tudo que eu perguntava.

Corri para o jornal e escrevi o que ele havia me dito. Na segundafeira seguinte, foi publicada minha matéria de uma página com o governador. Que pena que não a guardei. Espero ter feito boas perguntas. Sei que ele elogiou a matéria depois. Já no Diário da Manhã, acompanhei algumas ações de seu governo. E acabei contratada pelo Jornal de Brasília para acompanhar o governador dos mutirões pelos municípios onde ele chegava e colocava a mão na massa.

Em uma dessas cidades, após descer do monomotor onde eu viajava, já vi o governador pegando uma enxada e ajudando a furar a rua onde passaria a rede de água. Ao lado estavam as fi andeiras com suas cantigas tradicionais. No meio delas, minha tia Geralda, moradora ilustre de Varjão. Estávamos em Edealina. Iris a viu no meio daquelas mulheres na mesma hora em que eu o abordava. Ele falou alto: Geralda do Psalmo! Era minha tia, viúva do meu tio Psalmo de David. Minha avô materna era evangélica.

Minha tia idolatrava Iris. Ia com as fi andeiras onde quer que ele fosse com os mutirões. Ele lamentou quando o câncer a matou muitos anos depois. Tenho boas lembranças deste dia. E porque contar isso tudo? Para que fi que registrado que, sendo ou não ligado ao Iris, todo goiano já foi benefi ciado de alguma forma pelo trabalho dele. É admirado e respeitado por todos, mesmo seus adversários. Não haverá outro. É insubstituível.

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