Setembro Verde incentiva população a ser doadora de órgãos

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Tomar decisões conflituosas quando se perde alguém da família é uma situação muito difícil. Mas, mesmo em um momento doloroso, algumas dessas atitudes podem ser um fio de esperança para outras pessoas. A campanha Setembro Verde, realizada ao longo do mês, tem o objetivo de sensibilizar a população para a doação de órgãos e tecidos. Para ser um potencial doador, não é necessário deixar algo por escrito. Porém, é fundamental comunicar à família o desejo de doação.

Esperança. Esse é o sentimento que tem movido a paciente Rythyelle Nayara Cavalcante. Em tratamento no Hospital Estadual Alberto Rassi – HGG há quase dois anos, ela explica que após contrair uma hepatite C, o fígado foi acometido de uma cirrose. Sem outra opção de tratamento, Rythyelle estava na fila há sete meses aguardando um transplante de fígado. O procedimento foi realizado no dia 27 de agosto e a paciente está bem. “Estou muito feliz por ter conseguido fazer o transplante, pois a esperança é de que eu melhore. É muito complicado o jeito que a gente fica com essa doença. Espero que a minha expectativa de vida após esse transplante seja melhor”.

A paciente Eudoxia Inhumas Cabral, de 57 anos, nunca tinha ouvido falar de transplante renal ou hemodiálise. Descobriu o que era quando foi diagnosticada a necessidade de fazer um transplante de rim. Eudoxia afirma que fazer o procedimento no HGG foi muito bom e que todos os colaboradores do hospital são ótimos. “Fui me acostumando com o processo (hemodiálise) e não tive medo de nada. Só tinha um pensamento, que Deus iria me curar, que eu iria entrar para o centro cirúrgico e que ele iria me curar. Aqui no HGG cuidam muito bem da gente”.

Os pacientes atendidos pelo HGG precisam de esperança constante para acreditar que um doador compatível vai aparecer. A família do potencial doador deve saber desse desejo, e permitir este último ato voluntário da pessoa. Um exemplo de iniciativa da família, aconteceu no mês de junho, no HGG. Um paciente sem identificação deu entrada no hospital já em coma, porém sem nenhuma documentação. Após a constatação da morte encefálica, o serviço social do HGG e a política técnico-científica fizeram uma força-tarefa, encontraram a família do paciente e eles autorizaram a doação. Foram realizadas cinco captações: dois rins, duas córneas e o fígado.

Transplantes no HGG

Mesmo com a pandemia da Covid-19, o Hospital Estadual Alberto Rassi (HGG) fechou o primeiro semestre deste ano com um crescimento de 20% na realização de transplantes de rim e de fígado. A unidade de saúde do Governo de Goiás, gerida pelo Instituto de Desenvolvimento Tecnológico e Humano (Idtech), sob orientação da Secretaria de Estado de Saúde (SES), permaneceu com o serviço de transplante. O hospital é referência em transplantes no Estado de Goiás.

Desde a criação do serviço de transplante renal em 2017, foram realizados 460 procedimentos (até agosto de 2020). O transplante hepático, habilitado em 2018, já realizou 16 cirurgias. De acordo com levantamento da Associação Brasileira de Transplantes de Órgãos (ABTO), divulgado no mês de agosto, o HGG é o 5º maior centro transplantador renal país.

Uma das medidas aplicadas no hospital para evitar a contaminação pelo coronavírus foi a suspensão de coleta de órgãos realizada por doadores vivos. De acordo com o diretor-técnico do HGG, Durval Pedroso, no caso do doador já falecido, o transplante é justificável. “No caso do doador cadáver, se você não fizer o transplante, haverá perda do órgão. O procedimento é realizado desde que em comum acordo com o receptor e com todas as medidas de prevenção e contaminação tomadas”, frisa.

Durval ainda ressalta que é importante deixar a família bem informada sobre o desejo de ser doador de órgãos. “Em caso de alguma situação de tragédia, os familiares da pessoa já estarão de acordo com a doação, facilitando o procedimento e salvando várias vidas”, enfatiza.

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