Artigo | Petrobras: Governança de Fachada

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Por Thomas Lanz

Mais uma vez a Petrobrás é manchete.  Infelizmente nossos presidentes por diversas razões interferem e determinam ações sobre questões que não lhes dizem respeito.
Podemos dizer que a interferência da ex-presidente Dilma em assuntos de precificação nas empresas de energia elétrica foi o marco inicial da derrocada de nossa economia há alguns anos atrás. A ingerência da presidente em assuntos que competiam unicamente às empresas e sobre as quais não tinha o devido entendimento foram muito mal vistas no mercado interno e externo. Além dos efeitos negativos que essas ingerências causaram sobre o resultado das empresas, a questão da credibilidade sobretudo pelo desrespeito a contratos firmados foi colocada em jogo. Na época, a comunidade financeira e empresarial internacional não   aceitou bem as mudanças de regras e o capital financeiro do resto do mundo começou a se retrair em relação aos investimentos no Brasil.

Estamos assistindo a uma reprise. O chefe do executivo, volta a interferir na condução da empresa em questões de gestão e preços como se a empresa fosse seu negócio particular ou   uma empresa exclusivamente governamental.

Mas não é o caso. Estamos assistindo a condutas que desrespeitam totalmente a empresa como entidade jurídica e sobretudo seus milhares de acionistas. Mais uma vez os acontecimentos arranham a imagem da Petrobrás e do país.

Como sociedade de capital aberto a empresa por lei precisa ter o seu Conselho de Administração. Este é o principal órgão da empresa, que entre muitas funções precisa ditar os rumos estratégicos da empresa, acompanhar seu desempenho econômico-financeiro, cuidar de aspectos ligados à sustentabilidade, participar de discussões sobre investimentos de exploração, tecnologia, etc. Ao Conselho responde o presidente da Petrobrás e indiretamente toda a diretoria.

Os conselheiros são eleitos pelos sócios e o Regimento Interno do Conselho estabelece as regras e o funcionamento desse órgão. Um conselheiro deve antes de mais nada defender os interesses da empresa, buscar seu desenvolvimento, crescimento e rentabilidade, pois sem lucros a Petrobrás não tem recursos para investir. Portanto os conselheiros devem antes de mais nada responder e prestar contas aos seus milhares de acionistas.

Uma interferência como a que estamos assistindo fere os princípios da boa governança corporativa. Quem deveria avaliar se o presidente da Petrobrás deve ou não permanecer no cargo seria o Conselho. Quem deveria julgar se a questão de preços está sendo administrada corretamente também é o Conselho. E, de repente, assistimos a uma interferência de cunho absolutamente política na empresa, passando por cima das atribuições do Conselho.
Mesmo sendo uma empresa de interesse público e de capital misto (governo e sociedade civil) as regras de boa governança corporativa deveriam ser respeitadas.

Como a maioria dos conselheiros da Petrobras é eleita pelo governo, não resta a eles outra escolha, do que seguir o que o executivo determina. O certo seria ter um Conselho que determinasse quando o presidente da empresa deve passar o bastão para outra pessoa.  Em resumo, temos um cenário onde o Conselho de um momento para o outro perde sua razão de ser, tornando-se inoperante, não representando mais os interesses de seus milhares de acionistas brasileiros e estrangeiros e que aguarda as coisas se acomodarem para reiniciar suas atividades com pouca credibilidade independentemente de sua composição. Este Conselho precisa agora dançar conforme os tons da política, o que é muito desalentador!

Thomas Lanz, presidiu a Carbex Indústrias Reunidas e a Giroflex SA. Teve importantes cargos de gestão na Mangels Industrial e Lafer Industria e Comercio.  É conselheiro de administração certificado pelo IBGC (Instituto Brasileiro de Governança Corporativa), participando de conselhos tanto de empresas nacionais como estrangeiras. Formado em economia pela PUC – São Paulo e mestre em administração de empresas pelo INSEAD – França. É certificado pelo FFI (Family Firm Institute) de Boston – EUA. Tem inúmeros artigos publicados e foi co – autor dos livros Aspectos Relevantes da Empresa Familiar e Empresas Familiares – Uma Visão Interdisciplinar publicados pela Editora Saraiva e Editora Noeses respectivamente.

Hoje é CEO da Thomas Lanz Consultores que tem por objetivo, entre outros, dar apoio a “famílias empresárias” em assuntos ligados à governança, sucessão da gestão, conflitos, mentoria, compliance, estudos especiais e estruturação societária.

Sua clientela se estende por todo o território nacional, tendo forte atuação no Centro Oeste e Sudeste do país, atendendo empresas familiares dos mais diversos setores de atuação, tais como: construção civil, comércio, indústria transporte terrestre e fluvial, agropecuária, energia, serviços, etc.

Thomas Lanz, presidiu a Carbex Indústrias Reunidas e a Giroflex SA. Teve importantes cargos de gestão na Mangels Industrial e Lafer Industria e Comercio.  É conselheiro de administração certificado pelo IBGC (Instituto Brasileiro de Governança Corporativa), participando de conselhos tanto de empresas nacionais como estrangeiras. Formado em economia pela PUC – São Paulo e mestre em administração de empresas pelo INSEAD – França. É certificado pelo FFI (Family Firm Institute) de Boston – EUA. Tem inúmeros artigos publicados e foi co – autor dos livros Aspectos Relevantes da Empresa Familiar  e Empresas Familiares – Uma Visão Interdisciplinar publicados pela Editora Saraiva e Editora Noeses respectivamente.

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