Há bala de prata para as questões educacionais no país?

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Por Paulo Emílio de Castro Andrade

Há 20 anos, minha preocupação cotidiana está em contribuir com a construção de caminhos que favoreçam o desenvolvimento integral das novas gerações de brasileiros. A pandemia, que escancarou e aprofundou ainda mais os problemas educacionais brasileiros, me fez e faz refletir ainda mais sobre esse campo que é fundamental para nosso país.

Em conjunto com muitos colegas educadores, invisto em aprofundar a compreensão sobre quem são as crianças e jovens que estão em nossas escolas, identificar as condições necessárias para que todos eles possam aprender. Queremos contribuir com a construção de metodologias que incentivem a aprendizagem significativa que fortaleçam as comunidades escolares. Desafios, portanto, complexos diante do atual panorama do cenário que veio se construindo ao longo dos anos.

Nessa longa trajetória, aprendi que se queremos construir uma educação pública de qualidade, é essencial ter um olhar sistêmico, amplo, profundo. Não existe bala de prata, um único foco a ser cuidado e transformado, há um conjunto de aspectos que precisam ser trabalhados adequadamente pelos vários “atores” envolvidos na educação, ou melhor, por toda sociedade. Aqui, destaco a importância do investimento para promover o desenvolvimento profissional dos educadores.

Sim, o professor que está na sala de aula, o coordenador pedagógico e o diretor (e os demais educadores que atuam na comunidade escolar) realizam um trabalho de alta complexidade, para o qual precisam mobilizar um repertório amplo de conhecimentos, experiências e métodos. Somos mais de 2 milhões de professores, sendo que mais de 75% atuam na educação pública. Em tempos de pandemia, em que os processos de ensinar e de aprender tornaram-se ainda mais desafiadores, investir tempo e esforço em formação continuada mostra-se essencial. E os educadores brasileiros estão fortemente comprometidos nesse sentido. Formação continuada é um termo já recorrente entre nós, profissionais da educação. Temos sede de aprofundar conhecimentos, partilhar e vivenciar experiências, construir metodologias, aprender com os colegas.

Para a formação de educadores, vi várias organizações e empresas se unirem em um ano difícil para todos. O Instituto iungo é um desses casos. Em seu primeiro ano de atividade, firmou parcerias com as secretarias de educação de Minas Gerais e de Santa Catarina, além de universidades de ponta e outros institutos. Esse trabalho envolveu 4.070 educadores em seus programas de formação e disponibilizou gratuitamente inúmeros materiais pedagógicos formativos para apoio ao trabalho docente, beneficiando indiretamente milhares de estudantes. Além disso, as lives e webconferências formativas promovidas pelo iungo alcançaram a marca de 170 mil visualizações. Outro que também buscou apoiar os educadores e vale conhecer melhor é o Instituto MRV. Por meio do seu programa ‘Educar para Transformar – Chamada Pública de Projetos’, a organização sem fins lucrativos mantido pela MRV tem apoiado 10 projetos de Organizações da Sociedade Civil (OSCs) que realizam ações e atividades junto aos professores de escolas de Ensino Fundamental II e Ensino Médio das cidades de Recife (PE), São Paulo (SP), Maringá (PR), Salvador (BA), Manaus (MA), Porto Alegre (RS), Belo Horizonte (MG) e em São José (SC).

Educação é um direito de todos e, em tempos de pandemia, evidenciou-se ainda mais a relevância da escola para que as novas gerações de brasileiros se desenvolvam integralmente. Não há educação de qualidade sem professor qualificado.

Foto: Pedro Vilela / Agencia i7

Paulo Emílio de Castro Andrade – Diretor de Educação do Instituto iungo. Mestre em Educação pela Faculdade de Educação da UFMG. Doutorando em Educação pela Faculdade de Educação da USP. Pesquisador do Núcleo de Pesquisas em Novas Arquiteturas Pedagógicas da USP. Professor do IEC/PUC Minas.

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