MDB perde força e pode entrar na briga pela vice de Caiado

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Foto: Divulgação

Perda do comando da prefeitura de Goiânia e rompimento com o prefeito Rogério Cruz redesenha posição das forças políticas e poderá mudar rumos do partido

Thiago Queiroz

Visto como o principal adversário do governador Ronaldo Caiado (DEM) para a eleição ao governo de Goiás em 2022, o MDB sofreu perdas com a transformação do cenário político imposta pela morte de Maguito Vilela, principal expoente do partido, depois que Iris Rezende diz ter se aposentado da vida pública. Fora do comando da prefeitura de Goiânia e com a perda de dezenas de cargos — de uma só vez e marco oficial do rompimento o de 14 secretários municipais — na gestão de Rogério Cruz (Republicanos), vice que as sumiu o posto de prefeito, poderá restar ao partido apenas a briga pela a vaga de candidato a vice do atual governador, que deve ir à reeleição, por contar com grande aprovação popular e de seu grupo para concorrer novamente.

Presidido pelo ex-deputado e filho de Maguito, Daniel Vilela, o MDB enfrentou com ele a eleição de 2018, tendo ficado em segundo lugar, com 16,14% dos votos, e superando o então governador José Eliton (PSDB), que registrou apenas 13,73%, embora aparecesse em segundo lugar nas pesquisas ou no mínimo empatado com Daniel Vilela, até a deflagração da operação Cash Delivery, comandada pela Polícia Federal e o Ministério Público, e que prendeu o coordenador da campanha de José Eliton. Em 7 de outubro Caiado venceu a eleição no primeiro turno, com 59,73%.

Após o pleito, Daniel se firmou como a principal voz da oposição ao governo de Caiado, ao qual sempre se referia como “desgoverno populista” em entrevistas e posts nos seus perfis nas redes sociais, onde pesava a mão e não poupava críticas à gestão e à figura do governador. As críticas, segundo ele, colaboravam para que o partido mantivesse “a trajetória de crescimento em Goiás”. Uma das atitudes mais marcantes como presidente do partido foi levar ao Conselho de Ética o processo de expulsão dos prefeitos de Catalão, Adib Elias; de Rio Verde, Paulo do Vale; e de Turvânia, Fausto Mariano, por terem eles apoiado a eleição de Caiado. O único que escapou do processo de infidelidade partidária foi o ex-prefeito de Formosa e atual secretário de Governo, Ernesto Roller, por ter se desfiliado antes do julgamento.

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Passada a caça aos Judas, Daniel se empenhou ainda mais ao trabalho de reestruturação dos diretórios e preparo de candidaturas municipais, sobretudo nas de Goiânia e Aparecida de Goiânia, onde Gustavo Mendanha (MDB) foi reeleito com 95,81% dos votos válidos. Os dois municípios são os que mais possuem eleitores e são estratégicos para uma eleição estadual. Maguito também foi vitorioso ao vencer o candidato apoiado pelo governismo, o senador Vanderlan Cardoso (PSD). Triunfo duplo para o MDB, que elegeu ainda outros 28 prefeitos, alguns para municípios de grande população como Jataí, Mineiros e Valparaíso de Goiás. Embora tenha sido o terceiro na colocação, o partido foi o campeão de votos para prefeito (769.285) no primeiro turno e, depois, 217.194 de Maguito, no segundo turno em Goiânia. Boa arrancada para um candidato ao governo filho do prefeito da maior cidade e “quase irmão” do da segunda.

Finalizado o processo eleitoral dos municípios, as atenções se voltaram para a estadual de 2022, além do aguardo pela recuperação da saúde de Maguito, o que não aconteceu. A morte do prefeito eleito alçou o vice Rogério Cruz ao posto, no 13º dia após tomar posse como prefeito em exercício. O rompimento do agora prefeito da capital com o MDB e o desembarque do partido da maior prefeitura do estado provocou um rearranjo nas forças políticas que vão disputar o Palácio das Esmeraldas no próximo ano.

O MDB perdeu, além do controle e, posteriormente, a participação na gestão da capital, espaço para abrigar os aliados que romperam e saíram juntos da prefeitura de Goiânia, num ato que revelou, por um lado, darem total apoio ao líder de seu partido ou, por outro, saberem que inevitavelmente seriam substituídos por correligionários do prefeito Cruz. Todos esses fatores, somados à necessidade de não deixar dispersar esse grupo que acompanha o partido desde as gestões de Iris, fizeram com que a direção emedebista se aproxime agora do governo estadual. O próprio presidente amenizou as críticas à gestão de Caiado, que conduz bem as ações de enfrentamento à pandemia de Covid-19 e é respaldado pelo apoio popular à sua administração. Daniel tem também direcionado em entrevistas alguns elogios ao democrata e não nega a possibilidade de apoio administrativo ao atual governo.

Se por um lado essa aproximação enfraquece o projeto de ser o principal oponente ao governismo, ela resolve o problema de conseguir fazer com que o partido se mantenha unido, e é a alternativa mais viável, caso venha a abrigar suas lideranças numa eventual participação na gestão estadual. Isso é dado como certo por pessoas ligadas ao próprio governador e a seu núcleo político. Se concretizado, o MDB será a maior força para ocupar a vaga de candidato a vice ou ao Senado na chapa de Caiado.

 

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