Thelma repete dona Iris

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Além de acompanhar o prefeito em diversos eventos oficiais, a primeira-dama de Goiânia tem realizado uma agenda de executivo, como reunião com secretários municipais

Por Andréia Bahia

o que tudo indica, a primeira-dama de Goiânia não terá um papel protocolar na administração do marido, o prefeito Rogério Cruz (Republicanos). Ela vem assumindo o protagonismo em ações de secretarias, junto com os titulares, ou acompanhando o prefeito

Baiana, Thelma veio para Goiânia em 2010, acompanhando o marido, transferido para assumir o cargo de diretor-executivo das rádios da Record. Antes, morou por 16 anos na África, também acompanhando o marido em sua missão de instalar a Record em Moçambique e Angola. No último dia 20, a Record TV África, foi suspensa em Angola.

Thelma é terapeuta holística e, antes de ser primeira-dama, realizava trabalho voluntário de massagem e outros procedimentos terapêuticos em comunidades carentes. Envolveu-se também em trabalhos com entidades de pessoas com deficiência – na Câmara Municipal de Goiânia, Rogério Cruz, quando vereador, foi presidente da Comissão dos Direitos da Pessoa com Deficiência – e mulheres com câncer de mama.

De esposa de vereador Thelma passou a primeira-dama e sua presença na agenda do prefeito tem chamado a atenção. Até então, ela acompanhou Rogério Cruz na maioria dos eventos oficiais, e não apenas naqueles de cunho mais assistencial: visitas ao aterro sanitário, a escolas, entrega de benefícios aos índios venezuelanos, lançamentos de obras, reunião com empresários, entrega de viaturas e, inclusive, em visitas a ministros em Brasília.

Tudo isso registrado nos perfis das redes sociais do prefeito e no site da Prefeitura de Goiânia. Em uma das matérias publicadas no site, é dito que os “Alimentos foram doados pela primeira-dama Thelma Cruz e pela secretária municipal de Políticas para as Mulheres, Tatiana Lemos”. Na quinta-feira, 28, a primeira-dama acompanhou o prefeito na entrega de novas vagas de Educação Infantil no Centro Municipal de Educação Infantil (Cmei) Alto da Glória.

Apesar de não ter uma pasta na prefeitura, nem uma sala própria, a primeira-dama tem realizado também uma agenda de executivo: na segunda-feira, 26/4, por exemplo, ela se reuniu com o secretário de Desenvolvimento e Economia Criativa (Sedec), para discutir qualificação profissional.

A presença constante da primeira-dama já chama a atenção da imprensa e parece que ela está gostando dos holofotes, sendo que as críticas parecem não ter muita aderência. Recentemente, ela se vestiu de gari para cuidar da horta do Centro de Referência de Assistência Social (Cras) Floresta, na Região Noroeste. Estava ao lado do prefeito.

Repetiu o uniforme na colheita da horta do Paço Municipal e ambas aparições receberam críticas nas redes sociais. Antes disso, havia se aventurado a entrevistar Rogério Cruz na live de anúncio das ações de 100 dias da administração, substituindo um jornalista.

Em quatro meses, Thelma já implantou dois projetos na prefeitura: Hortas Comuni­tárias, implantadas nos Cras, e Pão Nosso, uma padaria comunitária construída na Região No­roeste para distribuir pão para a população de baixa renda.

Discretas

Considerando os últimos anos, a atuação de Thelma como primeira-dama da capital só tem paralelo com a de Íris Araújo no mandato de Iris Rezende entre 2017 e 2021. Além de também visitar os órgãos municipais, dona Iris despachava no Paço Mu­ni­cipal, e foi criticada por secretários e vereadores por interferir na agenda do então prefeito Iris Resende, decidindo quem ele podia e quem não podia receber. Sua atuação chegou a provocar um requerimento do então vereador Eduardo Prado, que solicitou informações sobre a atuação institucional da então primeira-dama da capital.

Mas, diferentemente do que aconteceu com Íris Araújo, cuja atuação gerou uma crise na prefeitura e no partido, o estilo de Thelma parece não incomodar secretários e servidores municipais. “Ela é muito engraçadinha e muito participativa”, diz um servidor.

Antes de Íris Araújo, o posto de primeira-dama de Goiânia era da socióloga Maria Tereza Canesin Guimarães, mulher do então prefeito, Pedro Wilson (PT). Após desistir da Secretaria de Ações Integradas em razão de acusações de nepotismo, inclusive por parte do PT, Caneca, como é conhecida, decidiu por não participar da administração municipal. Ela já havia optada por não assumir a presidência da extinta Fundação Municipal de Desenvolvimento Comu­nitário (Fundec), tradicionalmente era ocupada pelas primeiras-damas.

Como presidente da Fundec, a então primeira-dama Geralda Albernaz, esposa de Nion Albernaz, limitou sua atuação na prefeitura à área social.  Ela idealizou o programa Trabalhando com as Mãos, voltado para o apoio a crianças, adolescentes e idosos. Teve uma atuação discreta assim como Lucide Accorsi, esposa do ex-prefeito Darci Accorsi, que tem como marco de sua passagem pela prefeitura a criação do Cidadão 2000, programa vinculado ao Trabalhando com as Mãos, e que buscava inserir o adolescente no mercado de trabalho.

O município de Goiânia teve também como primeira-dama a discretíssima médica anestesista Tereza Beiler, esposa do ex-prefeito Paulo Garcia, que não teve nenhuma atuação na prefeitura.

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