Sem solução caseira, candidato a senador pela chapa de Caiado deve vir de composição

Nome competitivo será mais um fator para grupos negociarem apoio à reeleição do governador em 2022. Secretários e deputados aliados não reuniram atributos para ocupar a vaga, que na próxima eleição será única na chapa majoritária

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O processo de indicação à vaga de candidato a senador na chapa do governador Ro­naldo Caiado (DEM) na próxima eleição caminha para ser semelhante ao que ocorreu em 2014 e o elegeu ao Senado na coligação do até então adversário MDB. Seu nome, considerado imbatível para o mandato buscado, foi determinante para que ele pudesse escolher com qual grupo compor. Para 2022, por falta de um aliado — secretários e deputados eleitos na sua chapa — com força semelhante à sua naquela eleição, desta vez é ele quem terá que aceitar composição como fez Iris Rezende, que embora não tivesse as mesmas chances que Caiado tem agora de ser eleito governador, era nome competitivo. Aliás, a solução ao Senado poderá vir para Caiado e seu grupo do próprio MDB, que tem em seus quadros o mesmo Iris Rezende com quem fez dupla, e já anunciou apoio pessoal e garantiu que vai lutar para levar também o do partido.

Em Goiás, nas últimas três eleições, nenhum dos candidatos ao Senado apoiados pelos governos conseguiu se eleger e todos eram soluções caseiras, saídos de dentro do grupo que governava. A última, em 2018, do grupo de José Eliton (PSDB) foram derrotados Marconi Perillo (PSDB) e Lúcia Vânia (PSB); na de 2014 foi a vez do então deputado federal licenciado e secretário da Casa Civil do governo Marconi, Vilmar Rocha (PSD) ocupar a vaga única e não se eleger; em 2010 Alcides Rodrigues também lançou aliados, inclusive do próprio partido, o PP. Concorreram Paulo Roberto Cunha e o cantor sertanejo Renner, que acabou abandonando a campanha.

Em 2002, um dos candidatos governistas a senador saiu da própria equipe de Marconi, o secretário de Segurança Pública Demós­tenes Torres, que surpreendentemente bateu a eleição tendo mais votos que o imbatível Iris Rezende e até a colega de chapa, Lúcia Vânia, à época do PSDB. Na eleição anterior, em 1998, Maguito Vilela (MDB) havia cumprido quatro anos de governo e foi o nome emedebista ao Senado. Foi eleito.

Perfil unicamente técnico dificulta candidatura

Os nomes que, em tese, teriam preferência para a indicação em 2022 são os que compõem a administração do governador Ronaldo Caiado — principalmente os secretários — e os deputados federais que foram eleitos em sua chapa na eleição que o levou ao governo do estado. Dos que compõem a administração, a maioria é de perfil técnico e os com mais atividades políticas, ou que já tiveram experiência com mandatos, pouco se movimentam em busca dessa indicação. Já os deputados federais, o único que diz abertamente ter disposição — embora seja somente com as bênçãos de Caiado — é Zacharias Calil (DEM), mas para isso, dizem aliados, teria de ir para outro partido, para justificar se tratar de uma composição e evitar a ocupação de duas vagas da chapa majoritária pelo DEM.

Da equipe de governo, o vice-governador Lincoln Tejota (Cidadania) não é citado como alternativa para o Senado. Ele articula para se manter como vice e, paralelamente, trabalha também candidatura à Câmara dos Deputados, projeto que tinha em 2018, mas que foi interrompido quando indicado para vice da chapa, numa composição em que foi tirado do grupo governista de então.

Na Secretaria da Agricul­tura, Pecuária e Abaste­cimento (Seapa), o agora secretário Tiago Mendonça (DEM), embora seja de indicação política — do deputado federal José Mário Schreiner (DEM), e de agrado do governador — terá pouco tempo para pleitear a vaga. Ele disputou a prefeitura de Morrinhos, em 2020, e por pouco não derrotou o candidato do PSDB.

A Secretaria de Desenvol­vimento Social (Seds), nos dois primeiros anos da gestão Caiado abrigou dois nomes com perfil político. Marcos Cabral (DEM) deixou a prefeitura de Santa Terezinha de Goiás para ser secretário e vislumbrava com o cargo disputar mandato de deputado estadual ou federal. Mas só até aí. Com a ida para a Codego e o escândalo no órgão durante sua gestão, dificilmente disputará a próxima eleição, pelo menos a estadual. A ex-senadora Lúcia Vânia (sem partido) também ocupou, por 1,5 ano a Seds, mais pelo perfil técnico — é o nome em Goiás com mais experiência em assistência social — que pelo político. Ela deixou a secretaria e anunciou interesse em ser candidata a algum cargo ao lado de Ronaldo Caiado, mas está fora do jogo que poderia levá-la de volta ao Senado, onde ficou por 16 anos.

Ernesto Roller (sem partido) é o secretário de Caiado que mais disputou eleições e teve mandatos. Ele, a exemplo de Marcos Cabral, também deixou mandato de prefeito para servir ao governador. Tem no currículo três mandatos de deputado estadual, secretário de Segurança Pública, procurador-geral de Goiânia e prefeito de Formosa. Foi também candidato a vice-governador, em 2010, ao lado de Vanderlan Cardoso, ambos pelo PP do então governador Alcides Rodri­gues. Mas seu objetivo é a indicação a alguma vaga no TCE ou TCM.

Outra secretaria que abrigou e abriga nomes políticos é a de Indústria, Comério e Serviços (SIC). O primeiro, Wilder Morais (PSC), foi candidato a senador na chapa de Caiado, em 2018. Saiu da secretaria para disputar, na vice de Vanderlan Cardoso, a prefeitura de Goiânia. Perdeu com o apoio do governo e permanece nas articulações para ser novamente candidato ao Senado. A pouca expressividade de seu partido e a falta da formação de um grupo consistente pesam em seu desfavor para que seu objetivo seja concretizado na chapa de Caiado. Os aliados mais próximos tentam convencê-lo a permanecer na base governista e tentar vaga na Câmara dos Deputados.

Agora na SIC, o ex-deputado por dois mandatos e ex-presidente da Assem­bleia Legislativa, José Vitti (sem partido), tem boa articulação política e empresarial em Goiás, maior que a de Wilder. No entanto, ele trabalha candidatura a deputado estadual e já acertou até dobradinhas com federais. O objetivo é ser eleito e voltar ao comando da Alego.

Titulares de pastas estratégicas do governo não são lembrados

Numa das áreas de maior destaque da administração caiadista, Ismael Alexan­drino, secretário de Saúde, é técnico da área e, ainda muito jovem, tem vasta experiência com gestão de saúde, inclusive com passagens pelo governo do Distrito Federal. Foi o secretário que mais se destacou no atual governo e também o que mais esteve presente na mídia devido à pandemia de Covid-19. Mas seu perfil é extremamente técnico.

Outra área em que o governo deu mais atenção foi a Segurança Pública, ocupada desde o início da atual gestão pelo delegado da Polícia Federal aposentado Rodney Miranda. Apesar de ter experiências com disputas eleitorais e cargos públicos — foi prefeito de Vila Velha-ES, secretário de Segurança e deputado estadual no Espírito Santo e secretário de Defesa Social de Per­nam­buco — a atuação po­lítica dele em Goiás foi tímida e a gestão não tão transformadora como a de Demós­tenes Torres, que lhe deu o posto em 2002.

Quanto aos deputados federais eleitos no grupo caiadista em 2018, fora Dr. Zacarias Calil (DEM), Flávia Morais (PDT), Glaustin da Fokus (PSC), José Mário Schreiner (DEM), Alcides Rodrigues (PRP), José Nelto (Podemos), Major Vitor Hugo (PSL) e Delegado Waldir (PSL), rompido com o governo, não almejam vaga ao Senado e vão disputar a reeleição à Câmara.

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