Entrevista | Pandemia faz crescer em mais de 150% a demanda por crédito entre os microempreendedores 

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Foto: Internet

Presidente da Agência de Fomento de Goiás destaca a importância do setor cooperativista na estratégia do governo estadual e a capilaridade das cooperativas de crédito em Goiás, principalmente no interior, facilitando o acesso aos recursos financeiros.

Como o Sr. avalia o papel das cooperativas de crédito para o fomento da economia goiana e, especialmente, para alavancar o setor produtivo goiano neste período de pandemia?  

As cooperativas têm uma capilaridade muito grande em todo o Estado. Elas têm um papel fundamental no fomento da economia goiana, especialmente no interior de Goiás. As cooperativas de crédito possibilitam o acesso ao crédito a pessoas que, às vezes, têm dificuldade nos grandes bancos tradicionais. E essas pessoas podem ter um serviço bancário mais próximo da realidade delas, com uma facilidade muito maior, o que converge com os objetivos da Goiás Fomento. Em razão desse alinhamento de objetivos, nós estamos sempre buscando parcerias com as cooperativas de crédito para poder potencializar essas ações.

Quais linhas de crédito a Goiás Fomento tem disponíveis neste momento para o setor produtivo goiano?

A Goiás fomento tem uma série de linhas de crédito que atendem todo o setor produtivo goiano. Nós temos uma linha de crédito específica para o setor do turismo, temos também linhas de crédito específicas para investimento em qualquer setor da economia, capital de giro e aquisição de equipamentos também.

E para as cooperativas, especificamente?

Para as cooperativas temos linhas de crédito voltadas para o agronegócio e também para cooperativas do setor de serviços, dentro do Programa Estadual de Apoio ao Empreendedor (PEAME), com valores que variam de R$ 3 mil a até R$ 50 mil, dependendo do porte dos cooperados e da atividade econômica.

Quais são as condições e seus diferenciais em relação às linhas oferecidas no mercado?

Os principais diferenciais das nossas linhas e crédito são as taxas de juros mais baixas. Temos taxas de juros subsidiadas pelo Estado e, dependendo do programa, podemos chegar a 100% de subsídio. E mesmo aquelas linhas não subsidiadas, nós temos taxas de juros mais competitivas. A nossa taxa de juros mais alta é de 1,7% ao mês. E temos taxas de juros em torno de 1%, a 1,12%, em média. Porém, temos algumas linhas com taxas mais baixas ainda, como o FCO e as linhas do turismo, que tem taxa de 5% ao ano mais a Selic.

Qual o montante de recursos disponível para este ano?

Este ano estamos com uma disponibilidade de, aproximadamente, R$ 130 milhões.

Como o senhor percebe o aumento de demanda por linhas de crédito, em Goiás, decorrente da pandemia?

Desde quando começou a pandemia, em março de 2020, nós tivemos um aumento muito grande da demanda por capital de giro, especialmente para as despesas fixas das empresas. E tivemos uma redução da demanda para investimentos.

A demanda esse ano já é maior que a de 2020? Quanto?

Ainda estamos no início do segundo trimestre do ano, porém, a demanda, em razão do PEAME, aumentou muito em relação ao microempreendedor individual (MEI). Em 2020 já tivemos um aumento de 150%, aproximadamente, na demanda por crédito e, também, na liberação de recursos. E esse ano estamos com uma demanda maior dos MEIs. Em termos relativos, estamos estimando que nós vamos ter em torno de 300% de aumento de demanda para este segmento. Para os demais, as demandas estão próximas dos níveis de 2020.

Qual o valor médio contratado?

O valor médio contratado em 2020 foi de R$ 40 mil e esse ano estamos com um valor médio de R$ 20 mil.

Acredita que os recursos disponíveis para o crédito são suficientes para atender a demanda?

Temos hoje uma disponibilidade muito grande de recursos. Porém, é um princípio econômico que o recurso é escasso, dificilmente a oferta de recursos financeiros é maior que a demanda. Existe uma demanda represada que é muito maior que o recurso disponível no Sistema Financeiro Nacional. Devido às normas de enquadramento, entendemos que a nossa disponibilidade é bastante robusta para atender a demanda do nosso público-alvo.

E em relação à acessibilidade aos recursos, há, agora, mais facilidades para a contratação?

Sim. Implementamos uma série de medidas para poder facilitar esse acesso. Quando o governador Ronaldo Caiado lançou o PEAME, uma das diretrizes foi que facilitássemos ao máximo esse acesso ao crédito. Desde o ano passado, e agora reforçando ainda mais esse ano, dispensamos a exigência de certidões negativas e tributos federais. A única que é obrigatória, por força constitucional, é a do INSS. Todas as outras foram dispensadas. E simplificamos o processo de análise. Hoje, para o PEAME, a avaliação é feita em cima do faturamento declarado pela Receita Federal, o que dá uma objetividade muito maior nessa análise, e simplificamos também o cadastro, especialmente para o microempreendedor individual e o autônomo. Além disso, disponibilizamos também os fundos garantidores, (Fampe e FGI) e, agora, com o PEAME, o Fundo de Aval do Estado.

Em sua opinião, como o setor cooperativista, liderado pelo Sistema OCB/GO, em parceria com o governo de Goiás, pode contribuir para a geração de novos investimentos, empregos e aumento da renda no Estado?

O setor cooperativista e, especialmente, as cooperativas de crédito, fazem parte da estratégia do Governo do Estado. Dentro do plano de governo do governador Ronaldo Caiado, está previsto o fortalecimento do cooperativismo. As ações, tanto da Goiás Fomento, quanto da Secretaria da Indústria e Comércio e da Secretaria da Retomada, são muito voltadas para o fortalecimento do cooperativismo. E não apenas as cooperativas de crédito, mas, também, as cooperativas das áreas do agronegócio e da prestação de serviços. A Goiás Fomento tem buscado, junto ao Sistema OCB/GO, promover parcerias com as cooperativas para que possamos fomentar ainda mais essa atividade e dar o apoio para fortalecer o cooperativismo.

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