No pós-pandemia, OAB terá que ter “um olhar de assistência para a advocacia”

Pré-candidato da situação à presidência da entidade, Rafael Lara acredita que os nomes da oposição têm diferenças profundas que dificultam o consenso

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Foto: Paulo José

Por Andréia Bahia

A eleição da OAB, marcada para a segunda quinzena de novembro, já tem definidos quem vai participar da disputa: os advogados Rafael Lara Martins, Rodolfo Otávio Mota, Valentina Jungmann, Júlio Meirelles e Pedro Paulo Medeiros. Um pleito que já inicia judicializado: Pedro Paulo Medeiros entrou com mandado de segurança, pedindo que a votação seja on-line e que os inadimplentes também possam votar e serem votados no pleito. A inadimplência entre os advogados chega a 40% nas anuidades da entidade.

O advogado Rafael Lara é o nome defendido pelo atual presidente, Lúcio Flávio de Paiva, e a base de sua candidatura é a continuidade do trabalho realizado por essa gestão: “Temos um trabalho realizado, aprovado por toda a advocacia, um trabalho que deixou uma marca e mudou, verdadeiramente, a cara da advocacia do Estado de Goiás”, afirmou em entrevista concedida na sede do Tribuna do Planalto, que irá entrevistar todos os pré-candidatos à Presidência da OAB.

Segundo Lara, a OAB estava “literalmente abandonada e foi resgatada” por esse grupo que, hoje, apoia sua pré-candidatura. A adesão ao projeto de Lara já inclui, de acordo com o advogado, mais de 35 subseções no interior, além do apoio da maioria do grupo que compõe a atual gestão. “Existe um movimento e um momento muito propício e muito positivo da atual gestão e é por isso que a gente caminha num projeto futuro de sucessão do presidente Lúcio Flávio.”

Lara aponta o presidente da OAB como grande líder de sua campanha. “Ele tem uma credibilidade gigantesca, com tudo que foi feito pela advocacia do Estado de Goiás, e o fato de ele estar junto com certeza endossa a continuidade desse trabalho, agora com uma nova cara, um novo rosto, com ideias de um novo momento para a advocacia.”

O apoio de Lúcio Flávio, de acordo com Lara, significa confiança em seu projeto para o futuro da OAB, todavia, o pré-candidato afirma que o momento não é de propostas, mas de prestar contas e ouvir a advocacia. “A gente está caminhando bastante para ouvir a advocacia e isso já nos mostra alguns eixos dessa nova realidade”, relata.

Um desses eixos seria a necessidade de modernização, não apenas tecnológica. “A pandemia catapultou a advocacia para um momento muito diferente do qual ela estava habituada e até preparada, e isso traz uma necessidade de ajuste de emergência, que será feito no pós-pandemia, nos próximos três anos.” Na avaliação do pré-candidato, a pandemia teve um grande impacto nas mudanças em curso, portanto, as necessidades da advocacia precisam ser revistas e reajustadas.

Dentro dessa nova realidade, Lara vislumbra que a advocacia vai precisar que a Ordem tenha um olhar de assistência porque, segundo ele, a sociedade brasileira está empobrecida. “A economia brasileira está num momento muito delicado e teremos, nos próximos anos, uma necessidade de crescimento econômico. Eu sempre tive essa característica: de ajudar os colegas, de estar junto e pensar junto em soluções alternativas e propostas e isso, com certeza, vai ser uma marca do nosso trabalho.”

Rafael Lara faz parte de um grupo conhecido como advocacia jovem e, de acordo com ele, essa será a eleição com maior presença desse segmento. “Isso nos traz um desafio porque uma advocacia que começa a trabalhar nesse cenário de pandemia e precisa de muita atenção. Historicamente, nosso grupo sempre deu bastante atenção para a advocacia jovem e, agora, precisamos dar ainda mais.”

Todavia, ele ressalta que a advocacia não é composta apenas dos advogados iniciantes. “Temos a advocacia que já tem mais tempo de estrada, a advocacia sênior, que está passando por um momento que também precisa de um suporte e precisa de uma atenção.” Lara conta que existe um número muito significativo de advogados que, seja por insuficiência de recursos financeiros ou por falta de habilidade digital, não têm pleno acesso a esse novo mundo da advocacia digital.

Outro ponto que Rafael Lara destaca é a advocacia do interior do estado. Segundo ele, os advogados que atuam fora da capital têm peculiaridades e necessidades próprias e ele propõe uma gestão ainda mais próxima da advocacia do interior. “A sensação que tenho é que, apesar de a OAB estar muito presente, com o trabalho que tem feito esse ano, a pandemia deu uma sensação de que todo mundo está um pouco distante. Estávamos presente no trabalho, na prestação de serviços, no acompanhamento e garantindo a abertura dos escritórios, colaborando na expedição de alvarás, tentando trabalhar ao máximo, mesmo com a presença digital do juiz. Mas, em razão da pandemia, acho que todos nós sentimos a necessidade de estar mais próximos fisicamente.” Em razão desse distanciamento, Lara defende que a OAB esteja fisicamente mais próxima da advocacia do interior na próxima gestão, caso seja eleito.

A oposição tem buscado se unir em torno de um único candidato. Hoje, quatro candidatos se posicionam nesse campo: Rodolfo Otávio Mota, Pedro Paulo Medeiros, Valentina Jung­mann e Júlio Meirelles. Lara avalia que eles têm muitas diferenças. “Tenho visto diferenças profundas no pensamento de cada um deles e isso dificultaria essa junção.”

Diante da falta de consenso em torno de um nome que represente a oposição, Lara afirma que aquele que quiser se juntar ao candidato da situação será “muito bem-vindo”. “Historicamente, esse grupo tem compromisso com a advocacia e qualquer pessoa que, realmente, tiver essa mesma confluência com a advocacia, essa mesma ideia de trabalhar pela advocacia, buscar soluções nesse momento tão difícil para a advocacia, vai ser muito bem vindo, inclusive eventuais candidatos de oposição que possam querer caminhar dentro do maior desafio que provavelmente a Ordem vai ter na sua história.”

Lara, que já trabalhou com todos os candidatos de oposição, diz que tem uma relação próxima com eles. “Respeito a pretensão de cada um deles e sempre disse, de forma muito amistosa, que as nossas portas estão sempre abertas para o diálogo. Se eventualmente tiverem interesse, a gente vai ficar muito honrado em poder dialogar com eles.”

Lara acredita que a gestão pós-pandemia vai exigir da advocacia que ela tenha proximidade, de atenção e que está cansada de briga, de debate e da dualização. “Nós precisamos olhar com um pouco de carinho para a advocacia.”

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