“Oposição terá apenas um candidato”, afirma Pedro Paulo Medeiros

Pré-candidato defende que a escolha recaia ao nome com maior viabilidade de vitória e conta com capital eleitoral angariado no peleio de 2018

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Foto: Divulgação

Por Andréia Bahia

os cinco pré-candidatos à presidência da OAB, o advogado Pedro Paulo Medeiros, acredita que apenas dois devem concorrer ao pleito, com data marcada para a segunda quinzena de novembro.  “Não acredito que seja essa a configuração que permanecerá até o final. Isso é apenas o início de uma discussão de projeto.”

Segundo Medeiros, que disputou a eleição de 2018 pela oposição e foi derrotado por Lúcio Flávio, atual presidente da Ordem, na situação, dois dos pré-candidatos integram a atual gestão e não podem ser considerados concorrentes do candidato apoiado por Lúcio Flávio, que é Rafael Lara.

“Pesquisas apontam que 75% dos advogados querem eleições on-line e entendem como razoável que os inadimplentes possam
votar”

“Eles participam das decisões da atual, portanto, não representam mudança. São colegas que, por motivos aparentemente pessoais, gostariam de ter sido escolhidos candidatos a presidente pela situação para continuar mandando na OAB e foram preteridos.

O advogado se refere ao advogado Rodolfo Otávio Mota, presidente da Caixa de Assistência dos Advogados de Goiás (Casag), e à advogada Valentina Jungmann, conselheira federal, pela atual gestão, até dezembro. “O pré-candidato de oposição, que em 2018 era oposição e continua sendo oposição, sou eu”, afirma.

Medeiros tem um concorrente no campo oposicionista: o advogado Júlio Meirelles, que também lançou sua pré-candidatura. Todavia, Medeiros acredita que eles estarão juntos. “Júlio Meirelles é um grande amigo, um grande companheiro que, legitimamente, demonstrou interesse em ser pré-candidato para, futuramente, viabilizar sua candidatura, mas o ideal é que nós unifiquemos na­quele que tem a maior chance de vitória, que é o que nos indica a pesquisa, que é o nome do candidato de 2018, que sou eu.”

Medeiros trabalha com um cenário de polarização: uma chapa de oposição e outra de situação, encabeçada por Rafael Lara. “Espero que a chapa de oposição seja encabeçada por mim, pelo menos as pesquisas indicam que a melhor e maior chance da oposição é com uma chapa única de oposição encabeçada por mim.” Na avaliação do advogado, em razão da pandemia de Covid-19, que restringiu as campanhas presenciais, não houve tempo para se construir um novo nome na oposição. “Por tudo isso, o melhor cenário é que o candidato a presidente seja o mesmo de 2018”, afirma.

Medeiros avalia que a oposição tem, nesta eleição, chances reais de retomar a presidência da OAB. “O grupo atual teve sua chance e agora temos que mudar novamente, não podemos deixar a OAB sempre nas mãos de um mesmo grupo porque a alternância e a mudança, que é o sentimento geral da advocacia, é algo que deve ser concretizado.” O que, segundo ele, justifica o fato de ser contra reeleição. “Para que possamos sempre ter sangue novo, pessoas dispostas cuidando da OAB.”

Além da alternância, Medeiros aponta como principal contraponto em relação à atual gestão, a democratização: “A OAB para todos e não para um pequeno grupo, diferentemente da atual gestão, que fez uma gestão para um pequeno grupo, para o grupo dos amigos”, critica.

Se eleito, Medeiros promete abrir espaço para toda a advocacia, especialmente para os advogados jovens, afirma. “Não posso fazer uma gestão apenas para meus amigos, para os escritórios ficarem cada vez mais ricos e quem está chegando não ter espaço, não ter cliente. Eu tenho que fazer uma gestão que olhe para todos e não para um pequeno grupo”, diferentemente da atual gestão, afirma o advogado. Segun­do ele, todos os indicados pela OAB para cargos nos órgãos em que a Ordem tem a prerrogativa de indicar são os integrantes da própria entidade, aqueles que já compõem a direção da OAB, ou os amigos e parentes de advogados que fazem parte da diretoria.

Pedro Paulo Medeiros defende que essa participação seja ampliada, “ouvindo a todos e não a um pequeno grupo”. Isso se daria, por exemplo, na escolha de representantes da OAB para cargos públicos. “Anunciar para a advocacia do estado que há algum cargo em aberto para indicado e olhar quem pretende, e não simplesmente indicar um amigo do seu escritório.”

“Queremos trazer o programa anuidade zero, que é quando o advogado não tem que pagar a anuidade em razão de convênios”

Esse modelo de indicação – que segue a máxima aos amigos do rei – de acordo com Medeiros, pode ser verificado no atual conselho da OAB. “As pessoas são donas de um mesmo escritório, são de uma mesma família e isso não deveria acontecer”, critica.

Medeiros é autor de ação que, em razão da pandemia, pede que    a eleição ocorra de forma digital e também que os advogados inadimplentes possam participar do pleito. Segundo ele, a pandemia trouxe diversos impactos negativos para a advocacia. “Passamos a não ter clientes, os processos judiciais ou administrativos passaram a andar de forma muito mais lenta, o advogado ficou sem acesso presencial ao Fórum e ao juiz, e, é claro, os advogados começaram a ficar em débito com as suas obrigações, entre elas, a anuidade com a OAB. Especialmente aqueles que estavam entrando no mercado de trabalho.”

De acordo com Medeiros, todos os advogados que recorreram à OAB em busca de um auxílio que a entidade anunciou que daria não conseguiram obtê-lo. “Mas o marketing da OAB, oferecendo o auxílio, foi grande”, provoca o pré-candidato.

Antes de judicializar o pedido de eleições remotas e participação de inadimplentes, Medeiros conta que fez o pleito administrativamente. “Em época de pandemia, temos que dar as mãos a quem mais precisa, mas fui surpreendido com a negativa do presidente.” Segundo ele, pesquisas apontam que 75% dos advogados querem eleições on-line e entendem como razoável que os inadimplentes possam votar.

No momento, Medeiros está ouvindo os advogados para montar seu projeto. “Mas o que me move hoje é fazer com que a OAB volte a se preocupar com toda a advocacia do estado e não só com o pequeno grupo dos apaniguados, do pequeno grupo da gestão e dos amigos do rei.”

Entre suas prioridades, o pré-candidato elenca, além da atenção à advocacia do interior, da capital, jovem, das mulheres, pública e privada, a incorporação da tecnologia e a redução da anuidade. Ele lembra que Goiás tem a segunda maior anuidade do Brasil. “Queremos trazer o programa anuidade zero, como já existe em outras seccionais, que é quando o advogado, ao final do ano, não   tem que pagar a anuidade em razão de convênios que são feitos.”

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