Rota cicloviária de 2021 é a mesma de 2016

Quem é adepto do pedal na capital goiana reclama da falta de estrutura das faixas para ciclistas

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Foto: Prefeitura de Goiânia

Por Mirella Abreu

dealizadas e entregues durante a gestão do ex-prefeito de Goiânia, Paulo Garcia, em 2016, os mais de 90 km de trechos cicloviários existentes hoje na capital não tiveram novos quilômetros adicionados em suas rotas ao longo dos cinco últimos anos. Quem opta por andar de bicicleta, seja como meio de transporte ou de lazer, em Goiânia, reclama das faixas destinadas aos ciclistas.

De acordo com os últimos documentos da Secre­taria Municipal de Mobi­lidade (SMM), a capital conta hoje com 94,07 quilômetros de ciclovias, ciclofaixas e ciclorrotas implantados. Ou seja, quando se fala em melhoria da mobilidade urbana por meio de pistas para circulação de bicicletas, é possível ver que Goiânia ficou parada em 2016.

Em 2020, na gestão do então prefeito Iris Rezende, a SMM revitalizou a sinalização de alguns das ciclovias de Goiânia, entre eles o da Avenida Universitária e o da Avenida T-63. A revitalização, todavia, não implicou em avanço na mobilidade urbana, o que tornou a malha cicloviária da capital defasada. Um dos problemas apontados pelos ciclistas é a falta de integração entre as rotas já existentes, além do fato de elas só existirem na região central da cidade, não se estenderem até a periferia.

As rotas são denominadas ciclovias, ciclofaixas e ciclorrotas, mas existem apenas no papel, de acordo com os ciclistas. Na prática, afirmam, é totalmente diferente. “Esse negócio de ciclorrotas e ciclofaixa não existe em Goiânia. Onde a prefeitura afirma que elas existem voce pode comprovar que há carros estacionados e motoristas trafegando por elas, como se não existissem. Na verdade, foi um meio que a prefeitura encontrou de quantificar os quilômetros da estrutura cicloviária na capital”, diz Edson de Melo, fundador do grupo GO Ciclo.

A falta de interligação é uma reclamação constante dos ciclistas. “É a mesma reclamação de sempre, essas ciclovias não se interligam e não ligam nenhum lugar concreto. Por exemplo, a T-63 percorre vários bairros, mas só fica na T-63, ela não tem ligação com outras ciclovias fixas”, exemplifica Edson.

Na opinião do ciclista, falta empenho, por parte da prefeitura, para essa modalidade de transporte dentro do projeto de mobilidade urbana da capital.

As ciclorrotas são consideradas uma alternativa importante dentro de um modelo de deslocamento urbano sustentável. Todavia, a implantação de faixas exclusivas para ciclistas depende de planejamento e integração. Na opinião de quem teima em se locomover de bicicleta em Goiânia, a malha cicloviária existente está muito aquém do necessário. “Goiânia tem, sim, sua estrutura cicloviária, mas suas ciclovias fixas, pintadas e demarcadas exclusivas não dão 27 km”, completa.

Perigos e desafios

Além do reduzido número de trechos de ciclovias e ciclofaixas, o ciclista reclama também da   falta de sinalização e de iluminação. Essa má condição, aliada à falta de respeito e conscientização de motoristas, são, segundo Melo, a causa da maioria dos acidentes envolvendo ciclistas.

Outro desafio para quem pedala na capital está na própria faixa, muitas são limitadas e acabam muito rápido, como se vê na T-63. Já na Anhanguera, o perigo é constante, porque não há nenhum espaço para ciclistas, relata Melo.

“Tem as ciclofaixas e ciclorrotas, que são demarcações no asfalto, e faixas exclusivas para os ciclistas. Mas, na maioria das vezes, essas ciclofaixas estão na mesma linha do ônibus, o que não chega a ser ruim, mas se torna perigoso e pouco atraente para o ciclista. E isso quando elas não são usadas como estacionamento”.

Quanto à falta de trechos cicloviários que se interligam, Edson explica que o perigo é quando trabalhadores que usam a bicicleta como meio de transporte têm que pegar a BR-153 ou avenidas movimentadas. “A respeito da interligação, temos outras demandas pela cidade. Se você for na BR, na região dos motéis, que integra Goiânia à cidade de Aparecida, muitos ciclistas utilizam a pista do acostamento para ir trabalhar. Aqui na avenida Rio Verde, até o Garavelo, acontece a mesma coisa”.

A falta de consciência e educação é outro fator que impede os ciclistas de circularem pela cidade. “No Centro, tem a demarcação das ciclofaixas, mas ninguém respeita, as pessoas invadem e transitam por ela. Na Av. Cora Coralina, se você chegar lá agora, está cheio de carro estacionado na altura da Faculdade Universo; o mesmo acontece na ciclofaixa do Clube de Engenharia, que chega à Alameda Ricardo Paranhos. Se você passar lá, está cheio de carros estacionados”, diz o fundador do grupo de ciclismo GO Ciclo.

O grupo faz passeios semanais e aos domingos e tenta mostrar para a sociedade goiana as necessidades e anseios dos ciclistas e usuários das ciclovias na Capital. “Já fizemos abaixo assinado pela volta da ciclofaixa de lazer aos fins de semana e feriados. O grupo promove o incentivo aos novos ciclistas, desde crianças na cadeirinha, até idosos, promovendo saúde e bem-estar, além de buscar junto ao poder público a necessidade de novas estruturas para o uso da bicicleta na grande Goiânia”.

Rota cicloviária de Goiânia perde para a de Aparecida

Em Goiânia, os trechos para os adeptos do pedal somam 94 km, de acordo com a Secretaria Municipal de Mobilidade (SMM). Porém, ciclistas que utilizam as rotas cicloviárias da capital afirmam que, se somar as ciclofaixas e ciclovias, os principais trechos para ciclistas não somam 27km. “As ciclovias de Goiânia, na T-63, na Assis Chateaubriand, na Rua 10 e um pedaço na Vila União, que vai até o terminal, não dão mais que 27 km; já as ciclorrotas e ciclofaixas são para inglês ver. Sem contar que é a mesma soma da época do Paulo Garcia”, aponta Edson Melo.

Outro ponto destacado pelo fundador do grupo GO Ciclo é a falta de manutenção desses trechos. “Na administração do Iris, foi feito apenas algumas repinturas das ciclovias permanentes, como na Rua 10, Avenida Assis Chateaubriand e alguns trechos das ciclorrotas. Outros pontos nem foram refeitos, a exemplo do Parque Areião, e outros apenas recapados”, critica.

Edson compara a malha cicloviária da capital com a de Aparecida de Goiânia, que foi iniciada mais ou menos no mesmo período, em 2016. “Se compararmos, por exemplo, com Aparecida, que começou seu projeto cicloviário ainda com o Maguito, se não me engano entre ciclofaixas reais e ciclovias fixas, deve ter no mínimo 150 km de malha cicloviaria”, compara Edson.

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