Entrevista | “Estamos construindo o projeto no campo macro, não só pensando na gestão da Amma, mas na gestão de Rogério Cruz”

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Foto: Paulo José

Presidente da Agência Municipal de Meio ambiente, Luan Alves é filho do vereador Clécio Alves (MDB) e foi indicado pelo grupo de vereadores do partido nas movimentações que o prefeito Rogério Cruz (Republicanos) fez para montar uma equipe mais alinhada com seu projeto, depois de assumir definitivamente a prefeitura de Goiânia. Em entrevista, na sede do Tribuna do Planalto, o presidente, que é administrador, falou dos projetos e prioridades à frente da agência responsável pelas políticas públicas de meio ambiente e pela manutenção e conservação dos 54 parques da capital.

Tribuna do Planalto – Quais são as prioridades da Amma, neste primeiro momento da gestão do senhor?

Luan Alves – O objetivo que tem nos pautado hoje, que o prefeito tem cobrado muito, é a questão da rearborização da cidade, a recomposição das árvores que foram retiradas ao longo dos anos. A Amma só tinha uma política de retirada, só procuravam a agência para abrir processo de poda, de extirpação. Não se tinha uma política pública de plantio. Então, acho que hoje a prioridade para nós, a que a gente vem buscando, é essa revitalização do verde na cidade.

No que diz respeito ao Plano Diretor, quais as intervenções que a agência fez ou pretende fazer no projeto, considerando a construção de prédios nas áreas de parques?

O Plano Diretor não pode se sobrepor às leis estaduais e federais sobre essas questões ambientais. O que podemos fazer, às vezes, é regulamentar alguma coisa que possa ter passado e que desobedeça a essas legislações. Mas eu creio que ele esteja na mesma linha das leis estaduais e federais que já estão vigentes hoje no município. O grupo técnico da Amma participou da elaboração do programa, que em breve será enviado à Câmara. A questão das construções próximas a parques, hoje, a gente obedece à questão do uso do solo e às diretrizes de uso do solo, que estão vigentes no atual plano. E não me recordo, desconheço que tenha havido algum tipo de mudança nesse sentido de permissão ou às vezes até um relaxamento.

Goiânia tem um problema com a questão do descarte correto do lixo, como a Amma trabalha para resolver?

A agência tem trabalhado muito nesse quesito de descarte irregular do lixo. Inclusive, até estamos trabalhando muito com as cooperativas de lixo. Vamos estartar um programa de conscientização, uma campanha publicitária nos próximos dias de grande extensão que vai atingir rádios televisões e jornais. Já estivemos reunidos com as cooperativas por duas vezes e com a Comurg, junto com o presidente Alex Gama. A reunião com a companhia e com esses colaboradore se sindicalistas das cooperativas foi para tratar da melhoria nesse assunto. A gente tem conversado sempre em sintonia, eu já estive visitando duas cooperativas para conhecer de perto a realidade e ver o que a gente pode avançar para melhorar.

E uma das políticas que nós implementamos para isso, e que eu vejo de grande importância, são os Ecopontos. Nós fizemos o lançamento, entregamos e inauguramos o terceiro no Setor São José. Neste mês que se inicia, nós vamos entregar o quarto, que é no setor Cachoeira Dourada. É uma política visando minimizar o descarte irregular de resíduos e o desperdício de resíduos recicláveis também. A partir do momento em que a gente dá um local para que seja descartado de forma gratuita e de forma correta, as pessoas vão deixando de fazer esse descarte irregular.

Como será esse projeto de conscientização que o senhor citou?

Vamos trabalhar muito com publicidade. Isso é uma questão educativa. A pessoa tem que saber da existência desse local, a funcionalidade desse local. A gente estartou as campanhas da Semana do Meio Ambiente, da reciclagem de material e de resíduos, e vamos também falar do Ecoponto, que é uma ideia muito bacana, mas que precisa ser replicada entre as pessoas. Quanto mais pessoas conhecerem, mais as pessoas vão usar o serviço. Nos setores onde eles já existem há algum tempo a utilização é muito grande. No Setor Guana­bara, por exemplo, o pessoal utiliza muito.

A gente tem uma gerência de políticas de educação ambiental e ela que faz uma conexão com as escolas e com os alunos. Temos o projeto de fiscal-mirim que foi justamente para replicar isso. Enfim, as crianças que vão cobrar. Eu tenho um filho, o Antônio, de 7 anos, que é a pessoa que mais cobra de mim essa conscientização de sustentabilidade, de reciclagem. Então, a gente vê a importância de as crianças cobrarem isso, porque a gente se polícia justamente para que elas não chamem a atenção da gente, de alguma coisa que a gente deixa passar.

As denúncias da população ajudam na fiscalização?

Hoje, temos um canal de denúncia, que é o telefone 161, e o aplicativo Prefeitura 24 Horas, em que pode ser solicitado algum tipo de serviço também da Prefeitura de Goiânia. A gente precisa da população, porque não consegue estar presente a todo momento em todos os locais. A participação da população é de extrema importância. Ela é um braço da agência, a população tende a vigiar também as áreas de preservação, e vendo qualquer delito, qualquer coisa ilegal, entram em contato com a Amma para que a gente possa intervir e sanar esse crime ambiental, quando ele está acontecendo, para que a gente possa fazer a devida autuação. Não é o intuito da gente querer punir e multar, mas, se preciso for, a gente tem que intervir nesse sentido.

A atuação da Amma é transversal: ela atua no trânsito, em relação a emissão de poluentes, na reciclagem de lixo, dentre outros. Como ela articula com as demais pastas para dar andamento a essa proposta de Cidade Sustentável?

A Amma abrange vários assuntos como vocês pontuaram. A gente vai de bem-estar animal até as questões fiscais, como foi abordado aqui, até à questão do aterro sanitário. A questão da reciclagem a gente faz as normativas para que a Comurg aplique, porque hoje está sob responsabilidade da Comurg fazer a gestão da reciclagem. A agência tem se reunido e tratado com todas as pastas afins, com a Secretaria de Comunicação, como eu falei para vocês das campanhas que a gente visa fazer neste ano de 2021. Na Comurg, o presidente Alex é uma pessoa muito inteligente, muito pautada no meio ambiente, é ex-secretário de Estado de Meio Ambiente. Então, é um amigo e um parceiro, um conselheiro que eu tenho. A gente tem construído tudo em duas mãos, sempre participando junto dessas ações, dessas discussões e criações de políticas públicas. A Amma tem conversado com todas as secretarias. A gestão Rogério Cruz está muito bem entrosada. Todos os secretários têm se alinhado, têm buscado ficar próximos. Estamos construindo o projeto no campo macro, não só pensando na gestão da Amma, mas na gestão de Rogério Cruz. Tudo que está sob o comando do Rogério tem que ser conversado. Esse é o pensamento da Amma e da gestão.

No dia 5 de junho se comemora o dia Nacional do Meio Ambiente, e em comemoração a Amma realizou várias ações, dentre elas o lançamento dos programas Disque-árvore e o Rearboriza Goiânia. Como eles serão executados?

Ontem foi o lançamento da Semana Mundial do Meio Ambiente na cidade de Goiânia, com várias pautas positivas, e uma delas é o Disque-árvore, que é um programa que muito me alegra fazer parte dele, porque Goiânia não tinha nenhum tipo de programa de arborização. Tudo está caminhando para que Goiânia ganhe muito no meio ambiente. A questão das recomposições de nascente, neste sábado, vamos fazer um plantio no Parque da Vovó, o replantio na área da nascente do Parque da Vovó.

A gente tem buscado visitar os parques e preservar essas nascentes. A gente esteve presente no Parque Macambira Anicuns, onde tem uma nascente linda. Até convido vocês a conhecerem presencialmente. É até uma coisa que a gente nem imagina que aquilo existe dentro de Goiânia. Quando estive no local, imaginei que eu estava em Bonito, aquela cidade do Mato Grosso do Sul. É impressionante a beleza da nascente dentro do parque, e que eu não conhecia. Eu creio que várias pessoas que moram perto não tinham conhecimento daquela beleza no local. Meus olhos nunca tinham visto uma coisa tão bonita.

Sobre essa questão de plantar árvores em Goiânia, isso é visto como uma necessidade urgente?

Eu vejo a importância de uma árvore, de uma cidade arborizada para beneficiar a questão do clima, hoje uma questão mundial, além da questão da água e dos benefícios psicológicos. Os parques são locais de descanso, um lugar prazeroso para se ver e tem também as ações que a árvore produz para a gente, como na sensação térmica. Sem contar que ela faza função de filtrar a água que desce pelo solo e é levada para o lençol freático, para os rios. A árvore tem várias funções benéficas para a saúde, para o bem-estar dos munícipes. Então, não é uma ação apenas de plantar a árvore, é o que ela representa, o que ela traz de benefícios para a cidade. Por isso que é uma das importâncias e prioridades do governo Rogério Cruz.

Como foi recebido pela população o programa Disque-árvore e como ele atua?

Foi surpreendente. Antes do lançamento, só com o anúncio do programa, nós obtivemos 2 mil pedidos. No dia do lançamento, por volta do meio-dia, já tínhamos 3 mil pedidos. É um programa que teve adesão da comunidade, e é um programa que a gente trabalha em conjunto com a comunidade, porque a partir do momento em que o cidadão solicita o plantio é porque ele está interessado também em cuidar. A gente faz o plantio com grades de proteção, e da espécie adequada para o local. É um programa muito fantástico.

O programa de instalação dos bueiros inteligentes também é da Amma?

É da Amma. Instalamos alguns no parque Areião como projeto-piloto para a gente ver como funcionaria, se daria certo. Nós vamos replicar nos outros parques em breve. Temos um planejamento para que a gente possa fazer em outros parques, tendo em vista que a ideia foi muito bacana, foi positiva. É importante ampliar e replicar tudo que deu certo. Esse projeto funciona com uma estrutura metálica, que tem uma grade que visa repreender os resíduos, plásticos, folhagem, tudo quanto é tipo de sujeira que iria para o encanamento, para as tubulações de drenagem, entupindo bueiros e impedindo a passagem da água. A sujeira fica, então, retida naquela estrutura, que é uma espécie de tela que pode ser esvaziada pela equipe de limpeza urbana.

Goiânia já é a cidade com mais de 1 milhão de habitantes mais arborizada do Brasil e vocês querem que seja também a campeã mundial, então, nessa política, a preocupação é manter esse trabalho de plantio, visto que já é uma cidade arborizada?

Mas que ao longo do tempo se perdeu muitas espécies. O pessoal só procura a Amma para fazer extirpação, eu assino uma média de 20 a 30 processos por semana de extirpação. A gente precisa recompor o que foi perdido ao longo dos anos, tendo em vista que não tinha uma política de plantio. O Disque-árvore não é somente uma política de plantio, mas de plantio consciente, adequado, a partir do momento em que o técnico analisa o local e indica a espécie apropriada para aquele local, evitando no futuro a retirada da árvore.

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