“Com a retomada das presenciais houve menos casos de professores e alunos com Covid-19”

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Foto: Divulgação

Por Fabíola Rodrigues

A rede privada de ensino defende o retorno das aulas presenciais desde o ano passado e um dos que defendem a tese de que a escola ajuda a minimizar a contaminação de Covid -19 é o professor Weverton Júnior Guimarães, diretor de três escolas particulares em Goiânia e ex-conselheiro do Conselho Municipal de Educação de Goiânia de 2019 até início de 2021.

TRIBUNA DO PLANALTO – Como conseguiu a retomada das aulas nas escolas particulares em Goiânia?

Weverton Júnior – Sou ex-conselheiro do Conselho Municipal de Educação em Goiânia e acompanhei bem de perto toda problemática da pandemia nas escolas particulares. Mobilizei dois grupos de escolas, uma média de 200, criei uma associação e entramos com uma ação na Justiça contra o prefeito, que no ano passado era Iris Rezende, e ganhamos a ação. Mas logo veio uma liminar derrubando a ação e, em setembro do ano passado, imediatamente mobilizei outro grupo com 35 escolas e ganhamos a segunda ação. Consegui uma reunião com o então prefeito Iris Rezende, ele nos ouviu e baixou o decreto permitindo que as escolas voltassem às aulas presenciais. Ele entendeu que os pais dos alunos das escolas particulares tinham total interesse que as aulas retomassem.

Manter o distanciamento social é um dos fatores principais para evitar o contágio da Covid-19. De que maneira estão mantendo os alunos em sala de aula?

Foi criado um protocolo e seguimos ele desde novembro do ano passado, em fase de adaptação. Com o novo decreto, liberado há mais ou menos uns 45 dias, permite-se mais alunos na escola. Na verdade, até a escola pública já poderia ter voltado às aulas há muito tempo. Não voltam por questões políticas. Eu era do Conselho Municipal de Educação e regularizava as escolas da Educação Infantil. Corri atrás do funcionamento das aulas. Ganhamos a liminar de funcionamento em outubro do ano passado e muita gente ficou com medo de represália, mas então voltamos, aos poucos, em novembro do ano passado. As minhas escolas foram as primeiras a voltarem às aulas presenciais em Goiânia. Tive uma adesão de 90% dos pais que quiseram mandar seus filhos para a escola. Desde quando voltamos às aulas presenciais eu tive menos casos de professores, alunos e pais de alunos com Covid-19 do que quando a escola estava fechada, tinha muito mais casos de pessoas infectadas, porque, na sala, seguimos o protocolo, em casa nem todos seguem.

Suas críticas pela não retomada das aulas nas escolas públicas, em Goiânia, priorizam a qualidade do ensino?

A escola é importante no processo de orientar e ensinar até mesmo quanto a questões de higiene na pandemia. A escola ajuda a minimizar a contaminação e hoje sabemos lidar com toda situação da pandemia. Presencialmente, estamos trabalhando com 90% da capacidade dos alunos nas nossas escolas. E claro que todos cumprem todas as normas. Em alguns casos fazemos rodízio das aulas, mas isso não é nem em 50% das turmas. Cerca de 90% dos pais têm enviado os estudantes para a escola, quase 100%. São poucos os pais que têm receio de enviar os filhos para a escola. Tem sido tranquilo, não estamos tendo dificuldade de manter o distanciamento, usar máscara. Os alunos que estão assistindo aulas on-line comentam que sentem falta do ensino presencial. A maioria dos estudantes que está assistindo aulas on-line e não vai para escola é porque os pais não deixam, mas, por eles, já teriam voltado, na maioria dos casos. As crianças querem ir para a escola. A base da educação é a socialização, o método de ensino mais usado no Brasil é o método do interacionismo. A criança precisa da escola para socializar. Eu já estou com quase 100% dos alunos nas aulas presenciais. Nosso novo passo é oferecer aulas presenciais de forma integral. Nossos colaboradores já estão tomando a vacina, vacinamos todos os funcionários, desde o porteiro ao professor.  Acredito que em agosto iremos retomar as aulas presenciais por completo. Não tivemos nenhum estudante que morreu dentro destes seis meses de aulas que foram retomadas, nenhuma.

Aulas presenciais: difícil escolha para o estudante

Participar de aulas presenciais ou não na rede particular, atualmente, é uma escolha da família do aluno. A estudante Giovanna Lenini, de 10 anos, está no 5º ano, e estuda no Colégio Princípios, Unidade Sudoeste em Goiânia, voltou para sala de aula em novembro do ano passado, assim que as aulas nas escolas particulares foram retomadas. “Acho melhor participar das aulas presenciais porque quando estava assistindo às aulas on-line sentia falta da convivência. Reencontro meus amigos, fiz novas amizades. A escola toma todas as medidas de segurança e cumpre os protocolos, fico mais tranquila”, expressa Giovanna Lenini.

Tálita Lenini, de 38 anos, mãe da estudante, conta que apoia a filha a ir para escola, desde que tomem todos os cuidados para que a trajetória escolar seja segura. “Ir à escola é fundamental para a criança, inclusive para a saúde emocional dela. As aulas presenciais geram sentimento afetivo. Socializar é muito importante, respeitando todos os protocolos, estamos conseguindo enviar ela para escola”, observa Tálita Lenini.

A mãe de Giovanna ressalta que os cuidados são diários e sempre dá orientações para a filha de como agir na escola e em casa.

A estudante Ana Clara Nunes, de 13 anos, está no 8º ano, e estuda no Colégio Agostiniano Nossa Senhora de Fátima, localizado no Setor Aeroporto, em Goiânia, continua desde o começo da pandemia assistindo aulas on-line. Mesmo depois que o colégio começou a receber os alunos, ela prefere, pelo menos por enquanto, ficar em casa por achar mais seguro e evitar o contágio da doença. “O Coronavírus é uma doença perigosa e tenho muito medo de pegar. Tenho medo porque vejo na TV muita gente morrendo. Meu maior receio é de passar para outra pessoa. Prefiro aulas on-line, mesmo que não esteja vendo meus amigos. Essa parte é bem chata. Mas prefiro ficar em casa. Acho que é mais confortável e seguro”, conta a estudante.

Ana Clara relata que sente falta dos professores, das amigas, de sentar para conversar com elas na hora do recreio, mas que vai seguir assistindo as aulas remotas durante a pandemia. Nathá­lia Nunes, 38 anos, mãe da estudante, dá todo apoio para Ana Clara, já que ambas e a família acham mais seguro estudar em casa. “Minha filha aprende bem, mesmo que não esteja na escola, ela continua tendo rendimento talvez não tanto quanto no presencial, mas tem aprendido. Apoio ela no que precisa”, diz Nathália Nunes.

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