Entrevista | “Meu candidato a governador é Gustavo Mendanha”

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Foto: Tribuna do Planalto

Deputado estadual em seu quinto mandato e vice-presidente do MDB, Paulo Cézar Martins lidera ala do partido que defende candidatura própria ao governo e lançou chapa alternativa à de Daniel Vilela para o comando do Diretório Regional, na eleição marcada para o próximo dia 18. Ele defende o nome do prefeito de Aparecida de Goiânia, Gustavo Mendanha, para governador nas eleições do próximo ano. Em entrevista na sede da Tribuna do Planalto, ele cita frase de Iris Rezende, para cobrar fortalecimento do grupo e ter candidato próprio e competitivo.

Tribuna do Planalto – A eleição do Diretório do MDB goiano já tem data marcada: dia 18 de junho. O presidente Daniel Vilela será novamente aclamado ou terá disputa?

Paulo Cézar Martins – Eu aceitei ser candidato, liderar uma chapa, porque entendo que nosso partido tem uma história, que ao longo dos anos defende a bandeira do social e da democracia. Já chegamos a ter 11 dos 17 deputados federais; dos 41 deputados estaduais, 28; ministro, os três senadores, e o partido tinha uma liderança muito forte, tinha uma valorização muito significativa em relação às lideranças e à própria militância, porque os líderes, além de terem a representatividade coletiva, tinham representatividade partidária. Isso alavancou demais o partido. Nesses longos 20 anos em que o MDB vem perdendo eleições, houve uma modificação em relação à valorização dos companheiros, e há uma descrença dos companheiros. O partido diminuiu. Hoje, nós temos eleitos três deputados estaduais, não temos federal, nenhum senador eleito pelo partido. O partido vem, ao longo do tempo, valorizando adversário político e elegendo adversário político. Tem muitos companheiros que chamaram, e nós buscamos esse entendimento, para apresentar uma chapa no intuito de estabelecer candidatura própria de governador, senador e uma chapa competitiva, que possa oxigenar o partido, pessoas que tenham interesse de ser deputado, tenham interesse de participar de um partido. Ao longo do tempo isso não foi feito. Por isso, montamos uma chapa para disputar a eleição no dia 18. A composição do diretório venceu em 13 de março deste ano e foi pedida a prorrogação para março do ano que vem. Tinha tempo para se renovar, inclusive com um candidato novo, uma liderança nova, que é o Gustavo [Mendanha, prefeito de Aparecida de Goiânia], o momento de ele poder demonstrar sua vontade de ser candidato a governador e de se fortalecer para ter uma condição de disputar eleição para governador. Aí anteciparam a eleição do diretório. Não tem motivo para isso.

O senhor percebe um sentimento pela mudança no comando do partido?

Na verdade, não é um sentimento de mudança no comando do partido, mas que o partido possa ter o entendimento de fazer aquilo que o MDB sempre fez nas suas bandeiras e também na valorização dos companheiros do partido. Esse é o sentimento da grande maioria dos emedebistas. Existem homens e mulheres dentro do partido, mas entendemos que alguns não estão participando das tomadas de decisão. A gente precisa estabelecer esse comando de valorização de companheiros e, além de tudo, da valorização do partido, da valorização de candidatura. Precisa prevalecer a oxigenação do partido para, verdadeiramente, ter pessoas que possam dar ideias e alavancar o partido. O partido não pode ser colocado embaixo do braço, ser comandado por uma pessoa só.

O senhor defende candidatura própria ao governo e ao Senado. O MDB tem apoio de outros partidos, está conversando para levar adiante a formação dessa chapa?

Eu sempre defendi uma posição confortável que precisamos estabelecer dentro da democracia. Tem de parar com essa aliança, esse balcão de negócios de partido para cá e partido para lá. Eu nunca concordei com isso, de fazer aliança, digamos, simplesmente política. O partido, primeiro, precisa entender, ter responsabilidade e amadurecer propostas e trabalhar com honestidade para administrar o município, o estado e o Brasil. O MDB, como qualquer outro partido, precisa entender isso. Nós temos de parar de fazer do município, do estado e da União um balcão de negócios. Hoje, partido vem para cá, partido vai para lá em troca disso e daquilo. A sociedade não aguenta mais e está exigindo que os políticos possam fazer uma mudança radical. Eu entendo que nós do MDB precisamos nos motivar, nos valorizar e estabelecer as propostas para buscar o eleitor, não partidos aliados.

Em discurso na Asse­m­bleia, o senhor deu a enten­der que haverá a possibilidade de uma divisão entre Gustavo Men­da­nha e Daniel Vilela, tendo em vista que parte do MDB trabalha com a possibilidade da candidatura de Mendanha, e Vi­lela não havia se decidido sobre o assunto.

Eu coloquei que o MDB tem homens e mulheres para poder fazer uma participação política na disputa a deputado estadual, deputado federal, senador e governador. Nós temos que valorizar. E tem que ir até o momento em que a pessoa demonstre que tem condição de ser candidato a deputado estadual, deputado federal, senador e governador, e que ele tem a legitimidade eleitoral para isso. Eu falei que o Daniel foi candidato a governador, teve uma participação fundamental, saiu em segundo lugar e com a possibilidade de ter a viabilidade de ser novamente candidato a governador. Ele veio com dificuldade na eleição, o pai dele adoece e morre, e isso a gente tem que respeitar. Ele não teve condição de liderar essa questão da candidatura. O Gustavo avançou, vem criando essa musculatura e está a ampliando. Eu demonstrei que o MDB, nós todos, temos que alavancar isso com o Gustavo. Ele está fazendo isso sozinho, o MDB não está acompanhando e o MDB precisaria acompanhá-lo. Hoje, em uma pesquisa qualitativa, o Gustavo está bem acima e está demonstrando que não precisa nem do partido. É uma discussão que estou colocando para acordar o MDB. O MDB precisa acordar para isso. O MDB tem a história, a militância e as lideranças para poder fazer. Eu não vejo motivo de racha nessa posição do próprio Gustavo. Eu vejo que há uma discordância de pensamento, que é natural. O partido tem por obrigação acompanhar a posição dos filiados. Se o Gustavo não conseguir mostrar musculatura eleitoral, não conseguir buscar a simpatia do povo, se não tivermos nenhum outro candidato, vamos fazer o quê? Vamos discutir qual a melhor opção para o MDB e para o povo. Eu não interpreto essa questão como um racha. Eu interpreto como um distanciamento das pessoas por divergência, arrogância ou até questão pessoais, dor de cotovelo ou ciúme. Nós temos que parar com isso, entender isso.

Como lidar com o ce­nário no qual tem uma ala defendendo a candidatura do Gustavo Men­danha a governador, sen­do que Daniel Vilela vinha sendo o nome natural do partido?

O Daniel, o Gustavo ou qualquer outro militante do MDB tem o direito de postular a candidatura a governador, a senador, a deputado federal ou estadual. Se tem 100 candidatos a deputado estadual e só pode lançar 60, dos 100, 60 têm de demonstrar que têm composição eleitoral para ganhar a eleição: colégio eleitoral, viabilidade eleitoral, condição de manter a campanha. Nós não podemos ficar impondo aleatoriamente qualquer um. Federal a mesma coisa, governador a mesma coisa. Não tem nenhuma dificuldade o Daniel ir para um lado ou ir junto com o Gustavo. Falar: sou candidato a governador pelo MDB, o Gustavo é, o Paulo Cézar quer ser ou “Zé dos Anzóis”. Vai para a convenção e vai ser escolhido aquele que tem mais condição. Aí escolhe o “Zé dos Anzóis” e ele não tem nenhuma viabilidade eleitoral. O partido tem que escolher o “Zé dos Anzóis”? Não tem jeito. Eu tenho de brigar lá dentro e sair do partido? Não. Eu tenho que demonstrar que eu quero ser candidato e mostrar que eu tenho capacidade de convencer meus aliados, os militantes do partido que eu milito, para ter condição de convencer o povo lá fora de que eu tenho capacidade de ser governador. E nós precisamos entender isso.

Qual o peso de Iris Rezende nessa decisão do partido de apoiar a reeleição do governador Ronaldo Caiado e na escolha do candidato do MDB?

Eu não conversei com o Iris, por quem tenho grande respeito, mas o Iris mostrou, mesmo com grande possibilidade de ganhar a reeleição [à prefeitura de Goiânia], que ele largou de mão; ele se aposentou. Peso político o Iris tem, e eu vou copiar uma frase dele de 20 anos atrás, quando foi candidato a governador e perdeu a eleição porque, como líder, ele não mostrou capacidade de aglutinar os companheiros do MDB. Ele falava o seguinte: “Todo partido grande que tem uma militância formada, como “MDB tem, tem que ter candidato a governador”. A fala do Iris nos motiva a ter candidato a governador. Ele é o maior líder e eu estou me espelhando nele. Espero que eu não seja decepcionado.

E Iris Rezende faria, de verdade, campanha para o candidato do MDB?

Se você está dentro de um partido tem que seguir as regras dele. O povo está analisando isso e ele não pode contradizer a fala dele de 20 anos atrás.

O MDB, desde 1998, disputa eleição para governador e é derrotado. Não seria a hora de, como o senhor disse na Assem­bleia, “o partido ir na garupa de outro”, no caso do DEM, e, assim, se fortalecer e em um segundo momento ter candidato ao governo com mais chan­ces de vitória?

Existem algumas pessoas, como em todos os partidos, principalmente no MDB, que querem apenas buscar acomodação no governo, que querem sempre ter as benesses do governo. O Iris sempre foi contra essa posição, inclusive quando perdemos para Marconi [Perillo, na eleição de 1998], muita gente do MDB debandou para o lado de lá por causa das benesses. Eu, por pouco que conheço Iris, não acredito que ele vá fazer isso. Acho que isso não é do feitio do Iris.

Sobre o Plano de Recuperação Fiscal e o projeto que faz mudanças na Saneago, como o senhor avalia o impacto deles no governo?

O governo tem o seu plano de governo, mas precisa convencer os demais para acompanhá-lo. O governador Ronaldo Caiado, quando assumiu, eu o procurei e, dentro desse processo, eu esperava que o governo nos chamasse para conversar. Eu nunca fui chamado para ter essa participação. Eu entendo que não é porque o Caiado ganhou do MDB que eu tenha que ser contra o Estado de Goiás. Fui lá para fazer uma sugestão, ajudar, mas ele não deu importância. Eu quero ser ouvido e eu nunca fui ouvido. E eu não faço parte da política do governo, tenho uma outra política e nós temos um candidato próprio. Eu tenho de estabelecer esse papel. Se eu não estou satisfeito com o partido e com o candidato do meu partido, eu tenho que pedir licença do partido e ir para o lado que eu acho que tem que ser. Hoje, eu tenho uma bandeira, uma filiação e um pré-candidato do MDB que eu vou apoiar, que é o Gustavo Mendanha. Infeliz­mente, o governo tem a sua posição e não buscou entendimento para fortalecer o papel do Legislativo.

Falta diálogo do Executi­vo com o Legislativo?

Muito. Aliás, os deputados têm que implorar para falar com o governador. Em três anos de governo eu consegui falar com o governador apenas três vezes.

Como avalia a gestão do governo do Estado em relação à pandemia de Covid-19?

O governador conseguiu, em alguns momentos, avançar, sem sombra de dúvidas, e, inclusive, teve muito dinheiro para isso. Não posso criticar, dizendo que ele não fez nada, porque ele fez. Mas, como médico, poderia ter feito muito mais. Um homem que já foi deputado federal, senador e, hoje, governador e médico.

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