Medo das crianças de sair de casa no pós-pandemia é discutido em audiência

A chamada Síndrome da Gaiola já acomete estudantes que resistem a ir à escola por medo da Covid-19

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Especialistas em saúde mental e educação participaram de uma audiência pública, nesta quinta-feira (17), para debater a Síndrome da Gaiola, que é o medo de sair de casa agravado pela pandemia do coronavírus. A reunião foi proposta pelo deputado federal Dr. Zacharias Calil (DEM-GO) na Comissão Externa de Enfrentamento à Covid-19.

O parlamentar, que também é médico pediatra, vê com preocupação o fato de crianças e adolescentes estarem a tanto tempo em casa, sem realizar atividades regulares. “Nós não temos mais condições de manter as escolas fechadas porque, além do fator emocional, tem o fator nutricional e a saúde mental das crianças”, afirmou, ressaltando a necessidade de reabertura das escolas no segundo semestre.

Segundo estudo realizado pela Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP), uma em cada quatro crianças e adolescentes apresentaram ansiedade e depressão a níveis clínicos – ou seja, com necessidade de tratamento e acompanhamento por especialistas. O coordenador da pesquisa, o psiquiatra pediátrico Guilherme Polanczyk, apresentou os dados na audiência, chamando atenção para o fato de que a saúde mental das pessoas nesta faixa etária é negligenciada. “Os casos são silenciosos, e uma parcela ínfima dos casos estão sendo acompanhados e têm acesso a serviços”, disse.

Enquanto as aulas nas escolas particulares já voltaram, as públicas seguem fechadas. Para a presidente da Associação Brasileira de Psicopedagogia – Seção Goiás, Maria do Carmo Abreu, as pessoas de baixa renda precisam ser informadas sobre a saúde mental e os professores, preparados para receber os estudantes que foram afetados pela pandemia. No retorno, será necessário implantar “possíveis saídas desse território movediço, como o diálogo e a escuta de sentimentos, valorizando-os; dar tempo e ter tolerância; ter espaço para a solitude e buscar esclarecimentos sobre os temas”, explicou.

A psicopedagoga goiana Bianca Granado, também presente na audiência pública, ressaltou a importância de a escola trabalhar o contexto familiar neste retorno, pois as crianças recebem todo tipo de informações pela internet e ficam assustadas. O secretário de Desenvolvimento Social de Goiás, Wellington Matos, ainda chamou atenção para outras questões que podem afetar a saúde mental das crianças, como os problemas financeiros das famílias provocados pela pandemia.

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