Entrevista | “A digitalização e o agendamento vieram para ficar no Vapt Vupt”

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Superintendente de Gestão e Atendimento ao Cidadão do governo de Goiás, Dioji Ikeda é o responsável pela coordenação dos serviços do Vapt Vupt. Dentre as modificações que ele fez no programa, desde que assumiu o cargo no início do governo de Ronaldo Caiado, está a implantação do agendamento prévio para o atendimento nas unidades físicas, que tiveram seu número ampliado e hoje contam com 71, a digitalização de mais de 170 serviços e a implantação de totens de autoatendimento. Atualmente, aproximadamente 500 mil goianos são atendidos por mês. Ele revela que até o final deste ano serão entregues as obras de reforma de 25 unidades, e faz apelo para que quem fizer o agendamento compareça no dia do serviço e, caso não puder comparecer, que faça o cancelamento via internet. Hoje, aproximadamente 35% de quem faz o agendamento acaba não comparecendo, o que causa prejuízo para o estado e para os demais cidadãos que buscam atendimento.

Tribuna do Planalto – Como estão funcionando as unidades dos Vapt Vupt durante a pandemia de Covid-19?

Dioji Ikeda – Temos hoje 71 unidades e todas elas funcionando normalmente, mas todo o atendimento feito nas unidades é mediante agendamento prévio. Até porque não podemos abrir mão da segurança em relação às normas sanitárias, evitando aglomeração. O  atendimento é feito respeitando um distanciamento mínimo entre o atendente e o usuário, temos disciplinadores em todas as unidades que regulamentam esse distanciamento, assepsia de todo o mobiliário e do ambiente e não se permite que haja aglomeração, tanto de servidores como de usuários. Nas unidades que não têm espaço físico adequado para que os servidores cumpram a sua jornada de trabalho, estamos trabalhando com a rotina de revezamento de servidores, mantendo o número mínimo, mas em condições de fazer todos os atendimentos agendados para que o cidadão não seja prejudicado. Mas hoje todas as unidades estão em pleno funcionamento, atendendo uma média de 500 mil goianos por mês, mesmo nesse período de pandemia.

Houve represamento de atendimento nesse período em que as unidades tiveram o atendimento limitado?

Sim. Tivemos represamento principalmente de alguns atendimentos do Detran e SSP, que é emissão de RG. No ano passado, ficamos praticamente seis meses emitindo RG somente em casos emergenciais, para procedimento médico, viagem, posse em concurso público. Isso gerou uma demanda reprimida que estamos trabalhando para diluir. Já diminui um pouco porque fizemos ações de mutirões, acelerando um pouco esse procedimento, diminuímos o tempo para emissão de RG, que era de 30 minutos para 20, e isso aumentou praticamente 30% do número de vagas, mas ainda é um problema que estamos enfrentando. É bom esclarecer que esse serviço é prestado pela Secretaria de Segurança Pública nas unidades de Vapt Vupt, não é um serviço do programa. Estamos trabalhando no sentido de otimizar todo esse processo para que possamos, até o final do ano, normalizar a demanda, porque hoje a nossa capacidade de emissão de RG é limitada. Com relação ao Detran, já normalizamos os atendimentos e já se consegue agendamento para atendimento até para o mesmo dia. A espera para emissão de RG é variada. Em algumas unidades temos uma fila virtual de 60 a 65 dias e, em outras, se consegue até para o mesmo dia. Sempre orientamos o cidadão que busca o agendamento para que monitore o sistema. Quando o cidadão, às vezes, cancela um agendamento realizado, a vaga já cai automaticamente à disposição para que outro possa fazer o agendamento. Fazemos um apelo para que quem faz o agendamento compareça no dia do serviço e, se não comparecer, que faça o cancelamento. Hoje, aproximadamente 35% de quem faz o agendamento acaba não comparecendo. Se houver essa consciência por parte do cidadão, vamos gerar mais vagas para que o cidadão que precisa de fato ser atendido faça o agendamento e procure o serviço. E lembrando que, quando o cidadão não comparece ao serviço público que está agendado, está causando prejuízos ao Estado. O atendente vai ficar ocioso, sem ter o que fazer porque o agendamento foi feito e o cidadão não compareceu.

De todas as mudanças feitas no Vapt Vupt durante a pandemia, quais devem permanecer?

Nós já estávamos fazendo um trabalho de adequação no Vapt Vupt, até porque o programa foi criado em 1999, em um momento em que, para se fazer uma renovação de CNH, precisava perder dois, três dias. O programa instalou uma sistemática de atendimento integrado, mas de lá pra cá quase nada ou pouquíssima tecnologia foi implementada no programa. Quando assumimos a superintendência, nos deparamos com 64 unidades em processo de sucateamento, servidor desmotivado, não havia nenhum treinamento para o servidor. O Vapt Vupt é um programa extremamente válido porque é a porta de entrada do cidadão goiano ao serviço do Estado. Em tempos normais a gente faz 1 milhão de atendimentos por mês. Eu recebi a incumbência de repensar o sistema e trabalhávamos na reestruturação quando veio a pandemia, mas já estávamos em uma linha de trabalho no sentido de disponibilizar mais serviços ao cidadão de forma on-line e também a reestruturação do sistema de atendimento integrado de forma física. Nesse período, abrimos cinco unidades, já em pleno funcionamento, em regiões importantes, como é o caso do Jardim Ingá, em Luziânia, com quase 100 mil habitantes, e em São Luís de Montes Belos. Até o final do ano, vamos entregar 25 unidades devidamente reformadas, com troca de mobiliário e centenas de computadores já trocados. O maior patrimônio que o Vapt Vupt tem é o servidor, ele é treinado, é dedicado, veste de fato a camisa e a nossa maior conquista são os treinamentos continuados e avaliações. Nós disponibilizamos a eles cursos de treinamento nas mais diversas áreas, certificações e, a cada seis meses, os servidores passam por um processo de avaliação. Quem não está qualificado e preparado para estar no programa é desligado para que a gente possa colocar outro que esteja mais comprometido com o programa. Outra linha que buscamos foi a digitalização dos serviços. Goiás figurava nas últimas colocações em nível nacional quando se falava de virtualização de serviços. Hoje, já estamos entre os dez estados – isso cresceu muito na pandemia, evidentemente, porque não poderíamos parar com a prestação de serviço ao cidadão. O governador criou uma lei de atendimento amplo ao cidadão, que é o Simplifica, que trouxe uma nova sistemática de atendimento ao cidadão: o programa Expresso e já temos totens de autoatendimento. Goiás é uma referência em nível nacional em relação a esse tipo de autoatendimento. O cidadão para emitir boleto do Ipasgo, agendar uma consulta, boleto do Detran, uma Guia de Trânsito Animal, fazer um agendamento no Vapt Vupt, pode fazer tudo no totem de autoatendimento que temos em todas as unidades de Vapt Vupt Goiânia e, no interior, estamos instalando nas prefeituras. Goiás figura entre os dez estados que mais têm investido em virtualização e digitalização de serviço, temos uma equipe própria para isso dentro da Secretaria de Admi­nistração, já são mais de 170 serviços digitais disponíveis no portal Expresso.

O atendimento por agendamento vai permanecer?

O agendamento é um caminho sem volta. A tendência natural de atendimento físico ao cidadão é que esses atendimentos sejam agendados.

Qual o projeto de expansão do Vapt Vupt?

O Vapt Vupt está quase finalizando sua expansão. Temos ainda três unidades a serem instaladas, a primeira em Novo Gama, um município de 130 mil habitantes que não tem nenhuma prestação de serviço por parte do Estado. O governador, semana passada, inaugurou um posto do Cinetran, o primeiro atendimento por parte do Estado no município. As obras já iniciaram e devemos implantar, no máximo em 180 dias, a unidade em Novo Gama. Estamos estudando, junto à prefeituras, instalar unidades em Hidrolândia, uma cidade que está com a tendência de crescimento muito acelerada, principalmente com relação ao crescimento industrial e comercial, e em Crixás. Os municípios que não têm Vapt Vupt, que têm 10 mil habitantes, com Balcão Expresso, que é uma outra modalidade de atendimento também integrado que veio com a lei do Simplifica, conseguimos atender com quase 70% dos serviços que estão disponíveis no Vapt Vupt com uma estrutura de 3, 4, servidores. Esse edital foi publicado e já temos quase 40 municípios que mandaram suas cartas de intenção para poder instalar o Balcão de Atendimento Expresso e acho que, no máximo em 90 dias, já vamos estruturar os balcões nesses municípios para eles abrirem essa estrutura para prestar esse serviço.

Os convênios para instalação do Balcão de Aten­dimento Expresso são abertos a todas as prefeituras?

O governador nos impõe que o Estado é um Estado único e que ele foi eleito para fazer a gestão dos 246 municípios. A gente não faz distinção, partido A ou B, muito pelo contrário, a gente procura atender todos de forma ampla no sentido de realmente levar soluções. O edital de chamamento foi publicado, inicialmente abrimos 30 vagas e os 30 primeiros municípios que apresentaram as propostas terão prioridade. Num segundo momento devemos abrir mais pelo menos 40 vagas. O projeto nosso é, até o final do ano que vem, abrir espaço para que todos os municípios goianos possam apresentar, caso tenham interesse, a sua carta de intenções.

Qual o custo para o município?

Toda estrutura, tanto física como de mobiliário, e a disposição de servidores são do município. A gente faz um trabalho de monitoramento, treinamento e disposição de serviços para que o município possa prestar esse serviço. E o município pode levar os serviços do município para o Balcão Expresso. A Supe­rintendência de Aten­dimento ao Cidadão tem uma expertise no sentido de preparar o servidor para atender melhor. Para o município é um ganho muito grande, porque ele vai ter um atendimento de qualidade, um padrão Vapt Vupt de atendimento com toda a rotina já estabelecida, que facilita muito a vida do cidadão.

 Qual o projeto do DEM para a próxima eleição?

Em nível nacional, eu gostaria muito de ver um candidato do DEM, até porque eu não sou adepto dessas políticas extremistas. Eu entendo que a política tem que ser moderada, precisamos fazer do diálogo um instrumento sempre presente na política. E a política raivosa, da ofensa e da briga tem atrapalhado muito o desenvolvimento nosso em nível nacional e isso é muito ruim. O governador Caiado tem dado uma aula  no sentido de sempre agregar e dialogar com todos, sem nenhuma distinção. O Estado de Goiás é uma referência nesse processo pandêmico, não só pelo conhecimento de causa do governador, que é  médico, mas suas ações foram sempre no sentido de preservar a vida de forma muito corajosa. Ele tem sido um defensor intransigente da vacina e tudo isso me deixa muito tranquilo com relação à questão estadual. Queria muito ver realmente uma estrutura encabeçada pelo DEM, mas com os partidos de centro-esquerda e centro-direita para que a gente pudesse ter uma oportunidade de ter um candidato moderado para poder disputar a presidência da República.

O senhor tem algum nome em mente que poderia ser esse candidato?

O próprio governador. Ele nunca se posicionou como candidato a presidente e eu creio, como goiano principalmente, que não podemos abrir mão de ter o governador por mais um mandato para o bem do Estado. O trabalho tem que continuar, um trabalho de responsabilidade, de devolver o Estado aos goianos. Conseguimos agora colocar Goiás no regime de recuperação fiscal, algo que, se não acontecesse, seria a derrocada. Estávamos entre os quatro piores estados na questão fiscal e, hoje, a gente consegue respirar. O Estado precisa do governador à frente por mais um mandato, mas o DEM tem bons nomes como o ex-ministro Henrique Mandetta, ACM Neto, que fez uma grande gestão em Salvador, um dos prefeitos mais bem avaliado do país. Acho que isso é questão de diálogo e também de ouvir outros partidos, outras frentes partidárias no Brasil para que o processo seja coeso no sentido de agregar.

Como o senhor posiciona o DEM no espectro ideológico?

O DEM é hoje um partido de centro-direita mais voltado para a direita, mas não coaduna com ações de agressão ao cidadão brasileiro como temos visto. Não podemos fazer parte de uma política segregadora, que faz gestão para minorias, o presidente não foi eleito para fazer gestão para 25% da população.

O senhor acha que o DEM não deve apoiar a reeleição do presidente Jair Bolsonaro?

Eu, hoje, não gostaria de apoiar a reeleição do presidente Bolsonaro.  Eu acho que o cenário hoje não seria isso, na visão do Dioji.

Qual a tendência do governador?

Ele faz gestão em relação à Presidência da República de forma muito republicana. Tem sido assim desde o começo, o governador tem sido conselheiro de muitas ações do governo federal no sentido de ponderar mais as ações de governo e ser mais brasileiro, mais povo do que minorias. A gente não pode virar as costas para o governo federal. Eu sempre disse que o prefeito não faz oposição ao governo, e entendo que o governo também não pode fazer oposição ao governo federal. O governador é muito sábio nesse sentido e vai saber se posicionar. Ele tem posições muito firmes e, no momento oportuno, vai ter o posicionamento dele. Claro que alinhado com o partido porque é um homem de partido, sempre teve lado partidário.

O DEM perdeu com a saída do Rodrigo Maia?

Todo partido perde quando sai uma liderança. A gente tem divergência em casa, tem divergência nas amizades, na família e o importante é saber aparar essas divergências no sentido de convergir. Eu acho que poderia ter sido feito de forma diferente, uma conversa mais ampla no sentido de preservar o Rodrigo, que querendo ou não é uma liderança, foi presidente da Câmara por dois mandatos e a gente não pode desprezar liderança.

Como o senhor vê a possibilidade de uma aliança com o PMDB?

Vejo com bons olhos porque fazem parte de uma mesma linha política em nível estadual. Hoje, a raiz emedebista se traduz na gestão do governador Ronaldo Caiado. Emedebistas históricos estão próximos do governador, como é o caso do Iris Rezende. As conversas vão se afunilar e vejo com alegria a possibilidade de  ter o MDB fazendo parte da base do governador Ronaldo Caiado.

Qual o projeto do senhor para 2022?

Eu sempre coloquei meu nome à disposição do projeto do governador, me coloco como soldado do governador. Para onde ele entender que eu posso estar somando com o trabalho que ele faz em favor do cidadão goiano ele vai ter sempre o Dioji do lado dele. Se for preciso que ele me tenha como candidato para ajudar na campanha estarei à disposição até porque tenho um carinho muito grande por Inhumas e para mim seria um orgulho muito grande representar Inhumas e toda a região na Assembleia. Eu tenho certeza de que, se porventura for da vontade do governador que eu seja candidato e, sendo deputado estadual, vou poder ajudar muito mais a minha cidade.

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