Falta de chuva vai pesar no bolso do goiano

Além do aumento na conta de energia e água, crise hídrica terá impacto no preço dos alimentos

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Foto: Governo Estadual

No dia 28 de maio, o governo federal publicou um alerta de emergência hídrica para o período de junho a setembro em Goiás e mais quatro estados brasileiro – Minas Gerais, Mato Grosso do Sul, São Paulo e Paraná. É o primeiro anúncio dessa natureza em 111 anos de serviços meteorológicos do país.

O Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), em comunicado, disse que a falta de chuvas no Centro-Sul do Brasil deve agravar a crise hídrica já decretada pelo Sistema Nacional de Meteorologia (SNM) na região da Bacia do Paraná. A perspectiva do instituto é que os próximos meses serão “tempos preocupantes”, pois não serão chuvosos. E, mesmo que chova, os volumes não serão suficientes para elevar os níveis dos reservatórios das usinas hidrelétricas.

Olivio Bahia, meteorologista do Inmet aponta que os próximos meses serão de extrema atenção. “O SNM emitiu o alerta de crise hídrica justamente por não haver chuvas previstas para mudar o quadro. É uma situação delicada, principalmente no Centro-Oeste e no Sudeste. No Sul, ainda devem passar frentes frias que ocasionarão chuvas que devem segurar um pouco a situação”, avalia.

CRISE ENERGÉTICA E A ECONOMIA

Com os reservatórios em nível baixo, ocorre a defasagem na demanda energética. E a consequência da dependência do Brasil das matrizes de energia hidrelétricas, cerca de 63% dos recursos energéticos são provenientes dessas matrizes, será o aumento de preços nas contas de energia, água e alimentos.

Isso porque, com a falta de água, é preciso concentrar a produção em usinas termelétricas para atender à demanda do país. Elas são mais caras e funcionam com base na queima de combustíveis. Segundo o Ministério de Minas e Energia, estima-se  quem, este ano, o acionamento de termelétricas resultará em um custo de R$ 9 bilhões ao consumidor, que deverá ser repassado no ano que vem, com um aumento de 5% no total da tarifa de luz.

Em maio, quando a bandeira tarifária passou de amarela para vermelha 1, a conta residencial subiu 5,37%, bem mais do que a inflação, que ficou em menos de 1%, e já foi o maior índice para um mês de maio em 25 anos. Em junho, a conta subiu mais: foi para a bandeira vermelha 2.

E o aumento da conta de luz, pode ser o problema mais visível, mas não o único. Pois, praticamente todos os setores da economia dependem de energia elétrica e, por isso, a tendência é que produtos e serviços também fiquem mais caros.

No campo, por exemplo, o maior impacto será na cultura irrigada. Com a estiagem prolongada, os produtores são obrigados a escolher qual parte da lavoura será irrigada. E quando o setor agropecuário aumenta o custo de produção, os preços são repassados para o consumidor. No final, a população é quem mais sente no bolso.

Ou seja, o consumidor paga duas vezes pelo problema, porque ele paga na tarifa de energia da casa dele, e ele gasta, todo mês, três vezes mais pela energia dos produtos que ele compra. “Energia do frango congelado do supermercado, energia do saco de cimento, de uma cerâmica para fazer uma pequena obra. Então, nós precisamos enfrentar isso olhando o preço da energia direto e indireto pago pela sociedade”, afirma o presidente da Associação dos Grandes Consumidores de Energia, Paulo Pedrosa.

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