Brasil em luto e em luta contra a COVID-19

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Por Mirella Abreu

19 de junho. Esse foi o dia em que o Brasil chegou à marca dos 500 mil mortos pela Covid-19. A luta contra essa doença tem mais de 15 meses e o presidente Jair Bolsonaro e uma parcela da sociedade continuam ignorando os seus efeitos colaterais e o luto de centenas de famílias brasileiras. Nova­mente, o país encontra-se em um ritmo acelerado no aumento de casos e de mortes. A chamada terceira onda já é bastante discutida entre os profissionais que estudam o coronavírus.

De março de 2020 até junho deste ano não houve, por parte do governo federal, uma ação efetiva para combater o coronavírus. Essa falta de comando do Palácio do Planalto é afirmada por muitos cientistas como um dos fatores determinantes para o país ter chegado a marca de 500 mil mortes. O Brasil segue batendo recordes diários de casos confirmados de coronavírus. No dia 23, por exemplo, foram registrados pelo Ministério da Saúde, 105 mil casos da doença no território nacional, o maior número de infectados desde o início da pandemia.

Em março, quando o Brasil chegava a 300 mil óbitos, o neurocientista Miguel Nicolelis avisava que chegaríamos à marca dos 500 mil, caso os protocolos de combate à Covid-19 não fossem corrigidos. O combate foi, mais uma vez, negligenciado e, três meses depois, chegamos em um dos momentos mais tristes da pandemia. O pesquisador afirmou, também, que o Brasil vai passar os EUA e ser o país com o maior número de mortes por Covid no mundo, apesar de termos uma população menor.

“O governo federal conseguiu não fazer nada eficientemente, não tomou as decisões corretas, não criou um comando central, uma mensagem nacional, não fez um lockdown nacional, não fez um bloqueio das estradas nem fechou o espaço aéreo e ainda não conseguiu vacinar nos níveis necessários”, disse o pesquisador no seu podcast, que foi ao ar no dia 18 de junho.

GOIÁS SOFRE ALTA DE CASOS

O efeito da terceira onda já pode ser sentido em Goiás, é o que mostra o alto índice de novas contaminações registrado nas últimas semanas. Segundo a superintendente de Vigilância em Saúde, Flúvia Amorim, o estado encontra-se, tecnicamente, numa nova onda pandêmica. Na última quinta-feira, Goiás registrou 2,8 mil novos casos de Covid-19, atingindo a marca de 666.127 contaminados. E a atual taxa de ocupação de UTIs em Goiás – 83% em hospitais públicos e privados; 84% em hospitais estaduais – tem seguido estável nas últimas duas semanas, variando entre 85% e 90%.

Marcelo Daher, médico infectologista: “É preciso imunizar mais pessoas e com uma velocidade maior”

O médico infectologista Marcelo Daher confirma essa preocupação com as altas nos números de casos e óbitos em Goiás. Para ele, estamos entrando na terceira onda e é preciso acelerar a vacinação. “Existe uma premissa de chegada de vacinas em maior quantidade agora em julho e a gente espera que, com isso, a vacinação ganhe força para conseguirmos mitigar ou diminuir essa questão da terceira onda”, diz.

Segundo Marcelo, a preocupação agora é com a alta de casos, mesmo com a vacinação, o que gera incerteza. Ele explica que o fato de mais pessoas estarem testando positivo para o coronavírus mostra que a doença não está sob controle. “A taxa de transmissão ainda está elevada, pois vivemos hoje uma situação de alta  ocupação de leitos de enfermaria e UTI crescendo”.

O infectologista afirma que o risco de ocorrer uma super ocupação das unidades hospitalares, como aconteceu em março e abril, é real. “Isso vem se desenhando. Esperamos que com a vacinação a gravidade da doença seja menor. Então talvez a gente veja um aumento de casos bastante expressivo, mas com uma letalidade menor”. Ele explica, ainda, que pelo fato de os idosos e as pessoas com comorbidades já estarem vacinadas, pelo menos uma grande parte dela, pode diminuir a gravidade da doença.

AS VARIANTES

A preocupação dos especialistas é com as variantes que surgem pelo mundo. Atualmente, em Goiás, a dominante é a brasileira chamada de P.1. Ela é a causadora da maioria das infecções . Mas outra variante tem deixado os médicos e cientistas alertas, é a variante indiana Delta.

A Delta já circula em Goiás. No dia 18 de junho, a Secretaria de Saúde de Goiânia (SMS) confirmou a circulação da variante Delta, conhecida como a Cepa indiana ou B.1.617.2, na capital. A cepa foi detectada em uma mulher de 18 anos após a realização de um estudo do sequenciamento genético em um grupo de 62 pessoas.

Marcelo Daher alerta para essas duas variantes que estão circulando. “Isso pode trazer uma preocupação no sentido de maior velocidade de transmissão e risco de uma infecção com um pouco mais de gravidade. A variante Delta é muito mais fácil de ser transmitida que as outras. É preciso uma quantidade menor de vírus e isso faz com que ela seja a variante dominante no Reino Unido e quase na Europa toda, e que está ganhando força nos Estados Unidos. No Brasil, ainda, a P.1. é a predominante, e espero que ela se mantenha predominante, porque ela é menos agressiva que a Delta”.

Na semana passada, as três maiores cidades de Goiás – Goiânia, Aparecida de Goiânia e Anápolis – suspenderam agendamentos para a aplicação das primeiras doses das vacinas contra a Covid-19. Marcelo enfatiza que para que se consiga a proteção coletiva na sociedade, precisamos de um número muito maior de pessoas vacinadas. E para que isso seja feito é preciso imunizar mais pessoas com uma velocidade maior. “Há preocupação com essa nova  variante, seja por conta de que não temos pessoas suficientemente vacinadas, seja porque é uma variante que tem maior transmissibilidade”. Ele conclui que a intensificação da vacinação é importante neste momento, já que não tem essa variante predominando no estado.

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