Anel viário de Goiânia exige novos traçados

Com o crescimento da região metropolitana, a complexidade e os custos do projeto aumentaram também

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Foto: Governo de Goiás

Por Mirella Abreu

Os anéis viários são considerados, pela maioria dos especialistas de infraestrutura de trânsito, uma solução para o tráfego. Porém, em Goiânia, já são cerca de 30 anos de espera por essa solução que vai desafogar a BR 153, que, com o passar dos anos, se tornou uma via urbana, dividindo parte da capital.

Nos anos 1990, surgiu o primeiro projeto do Anel Viário de Goiânia, que daria vazão a 11 rodovias, porém, somente em 2001 o Depar­tamento Nacional de Infraes­trutura de Transportes (Dnit) entregou os únicos 18 quilômetros da via, localizado na divisa de Goiânia e Aparecida de Goiânia, que liga as rodovias BR-153 e BR-060.

Em recente entrevista ao Tribuna do Planalto, Pedro Sales, presidente da Goinfra, afirmou que o trajeto do primeiro projeto, que teria 82 quilômetros de extensão, precisa ser revisto o quanto antes. “O que está aprovado não tem mais valia, sob a nossa perspectiva, porque conceberam uma solução que, com o avanço da expansão urbana, deixou de ser uma solução. Não faz muito sentido insistir com um traçado que não atende mais a expectativa. O projeto anterior não chegou a evoluir”.

Sales lembra que o plano de ação era de responsabilidade da Triunfo/Concebra, mas não chegou ao ponto de ser consolidado. Em maio, o Ministério da Infraestrutura (Minfra) propôs um programa de concessão de um trecho da BR-060/364/452. (Veja página 9). Contudo, o processo de relicitação depende muito das tratativas com a Triunfo/Concebra, concessionária que atua no trecho desde 2014.

Em 2019, o Fórum Empre­sarial de Goiás criou um gru­po para incentivar a implantação do Anel. E durante esses anos, juntamente com os governos federal, estadual – responsáveis pela implementação – e administrações municipais, eles têm trabalhado em novos traçados para solucionar os problemas do passado.

Nesses 30 anos, a Região Metropolitana cresceu, a complexidade e os custos do projeto acompanharam o desenvolvimento urbano da região. Ioav Blanche, presidente do Secovi-Go, afirma que, hoje, o Anel Viário precisa, no mínimo, de 140 quilômetros para atender a demanda, e o custo para a extensão seria de R$ 1,2 bilhão. “Sem dúvida, um projeto de longo prazo, que necessita do envolvimento de todos: governos municipais, governo estadual e ainda o federal, além da iniciativa privada”, explica.

A construção do Anel Viário de Goiânia é fundamental para a região metropolitana, pois a capital possui um grande volume de veículos pesados que circulam pela região, que passam por uma área urbana com grande movimentação. Com o anel, o tráfego seria desviado da área de maior congestionamento, como nas saídas para as cidades, tornando, assim, as estradas da região avenidas urbanas que suportam melhor esse transporte pesado.

A falta da concretização das obras do Anel Viário de Goiânia desencadeou diversos problemas e perdas incalculáveis para a sociedade. Muitas vidas foram perdidas por causa do fluxo intenso da região, infraestrutura urbana danificada, os usuários diários desperdiçaram tempo e dinheiro com combustível. Sem contar a perda no desenvolvimento social e econômico da região.

Responsabilidades

Em busca de uma solução para destravar a continuidade do anel viário, o governo estadual, prefeituras, senadores, deputados, vereadores e empresários se reuniram em março para dialogar com o ministro do Minfra, Tarcísio Freitas. Porém, como acordado em 2012, para haver um novo projeto, a participação de investimentos municipais e estaduais está descartada. Há 9 anos, caberia à União fechar o anel viário com as obras do contorno da BR-153; o Estado ficaria com a responsabilidade de fazer o arco norte, entre GO-070 E BR-153; e o município de  Goiânia faria a ligação entre GO-060 e a GO-070. Agora, a solução seria apenas via União.

Mas, segundo Freitas, o governo federal não tem recursos para fazer um investimento direto. As premissas seriam que na gestão atual as obras licitadas diretamente com o poder público, em especial as rodoviárias que são mais longas, possuem problemas quando há troca de governos, prolongando ainda mais a entrega da intervenção. A única solução para o trecho do anel entre BR-153 e BR 0-60, dada pelo ministro, seria conceder esse trecho como contrapartida para as concessões das rodovias federais. Em outras palavras, as empresas que tiverem o contrato para prestar serviços nas vias terminarão o anel.

Outro traçado em discussão é entre a BR-060 e todo o contorno Noroeste e Nordeste do Anel Viário – que passa por Trindade, Goianira e Nerópolis até chegar a Terezópolis. A solução dada pelo Minfra foi de colocar a obra na contrapartida da concessão da rodovia federal que liga Brasília a Jataí, região Sudoeste do estado. Segundo foi repassado pelo ministro Tarcísio, a previsão do edital de licitação desse trecho é que se inicie em 2022. Sendo assim, as obras seriam iniciadas pela empresa responsável apenas entre 2023 e 2024. E a expectativa de finalização das obras do anel, colocada pelo Minfra, seria apenas em 2027.

Com a falta de interesse do governo federal em fazer investimento direto,  a única solução dada pelos representantes do ministério foi colocar as obras na contrapartida das conceções, já que os governos estadual e municipais também não vão fazer o investimento. A saída agora seria uma parceria público-privada.

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