Entrevista | “Entendo que o governador terá o apoio do MDB”

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Em seu terceiro mandato de deputado estadual, Bruno Peixoto se prepara para disputar a reeleição, mas não mais pelo MDB. O deputado vai se filiar ao DEM, partido no qual afirma ter pavimentado sua vida política, a despeito de ter sido sempre filiado ao MDB, legenda pela qual se elegeu duas vezes vereador e três vezes deputado. Atual líder do governo na Assembleia Legislativa, Peixoto credita à articulação realizada por ele e pelo presidente da Casa, Lissauer Vieira, o sucesso do governo na aprovação de projetos polêmicos, como a PEC do Teto dos Gastos e a adesão ao Regime de Recuperação Fiscal (RRF). Apesar de estar deixando o MDB, o deputado “torce” para que o partido venha a fazer parte da aliança que o governador Ronaldo Caiado vai construir para disputar a reeleição no próximo ano e elenca as legendas que devem compor a chapa majoritária: DEM, MDB, PSD, PP e Republicanos. 

Tribuna do Planalto – Nas últimas votações foram aprovados projetos importantes para o governo, como a PEC do Teto dos Gastos e a LDO, qual foi o papel do senhor?

Bruno Peixoto – Nós trabalhamos, juntamente como o presidente da Assembleia (Lissauer Vieira) e os deputados da base, explicando a importância da PEC do Teto, a importância da adesão ao Regime de Recuperação Fiscal, e houve uma união entre os deputados da base, os secretários e o governador (Ronaldo Caiado), que mostraram a realidade das contas do estado. Eu fui apenas o porta-voz, juntamente com o presidente Lissauer, articulando as reuniões. Mas eu entendo que o principal foi a união da base para juntos melhorarmos a qualidade de vida da população do estado. O governador foi de grande importância em conseguir, no cenário nacional, junto ao STF e Ministério da Economia, fez o dever de casa e, hoje, dos quatro estados que estão em calamidade, Goiás é o primeiro no novo modelo de Regime de Recuperação Fiscal como base na Lei Complementar 178 de 2021. O diferencial foi a união na base, junto com a equipe técnica do governo e a articulação política do governador e eu, como líder do governo, e o presidente Lissauer, mostrando à base a importância da aprovação da PEC do Teto e a adesão ao RRF.

Os projetos foram aprovados com votos de deputados da oposição, contrariando inclusive a orientação dos partidos. A que o senhor atribui o apoio da oposição a esses projetos?

Eu entendo que dois deputados da oposição que votaram favorável à matéria votaram em virtude da importância e do conhecimento. Quando buscaram conhecer a importância da adesão, votaram a favor do estado de Goiás e não contra a orientação do partido. O certo é que eles votaram a favor da população do estado, porque sem a adesão o estado estaria inviável, inclusive com a possibilidade de comprometer o pagamento em dia dos servidores, a exemplo de gestões do governo passado. O governador Ronaldo Caiado assumiu o governo do estado com quase três folhas em atraso e o pagamento estava sendo efetuado no décimo ou vigésimo dia do mês vindouro ao trabalhado.  Encontramos o estado em situação de calamidade e, hoje, o pagamento está em dia, dentro do mês, e as obras estão chegando. O governador mostrou, através de sua equipe técnica, e também a articulação política minha e do presidente Lissauer, conseguimos mostrar a todos os deputados da base e também a alguns da oposição, nesse caso a dois deputados, a importância dessa matéria.

Finalizada a adesão ao RRF, como está a previsão de investimentos nos municípios?

Nós entendemos que haverá investimentos em infraestrutura, asfalto, indus­trialização de regiões, moradia, construção de casas populares, transferência de renda. Vamos olhar não apenas para infraestrutura, mas também cuidar das pessoas. O Probem, que é o programa universitário, já houve a abertura de suas vagas e já iniciou a inscrição do programa; estamos trabalhando um programa de transferência de renda e o nome sugerido é Cartão do Bem, e estamos trabalhando muito em todas as vertentes, na industrialização do estado, infraestrutura, que também gera emprego e atrai empresas, construção de moradias populares gratuitas para a população, asfalto, pelo Goiás em Movimento, que é o programa de recuperação asfáltica dos municípios, reparação das GOs pavimentadas e não pavimentadas. Melhorando a infraestrutura há maior investimentos. E nós também estamos cuidando das pessoas.  É uma ação de todas as secretarias para buscarmos novamente o protagonismo nacional, que é a população voltar a se alegrar com o governo. Nós estamos observando que a população tem orgulho do estado de Goiás com a gestão de Ronaldo Caiado e os deputados da base.

Qual a maior demanda que os municípios levam aos deputados?

São diversos os pedidos. O governo investiu muito em reformar todos os colégios estaduais, investiu muito na infraestrutura. Hoje, o maior pedido é para asfalto no perímetro urbano. Por isso, lançamos o programa Goiás em Movimento, que vai recuperar a pavimentação asfáltica.

A produtividade na Assembleia não caiu com as sessões híbridas.  O senhor acredita que esse modelo vai ser mantido para que os deputados possam participar das votações e ao mesmo tempo desenvolver outras atividades de fiscalização e visitar as bases?

A tendência é de que suspenda a híbrida e permaneça apenas a presencial, essa é a tendência para o segundo semestre, agosto ou setembro.  Mas, com o advento da tecnologia, como todos os meios hoje, pode ser que, em um curto espaço de tempo, possamos ter esse modelo híbrido na Assembleia e em vários outros poderes que já estão adotando esse sistema que tem um custo menor para o contribuinte. O planejamento para o segundo semestre é: suspenda as sessões híbridas e retornar 100 por cento presencial. Mas o avanço da tecnologia nesse período foi grandioso e eu entendo que pode, sim, pensando no futuro, ser algo compatível e que tenhamos tanto a presencial como a virtual. Em especial para audiências públicas, comissões temáticas. Eu acredito que o sistema híbrido ainda vai ganhar muito espaço dentro do poder legislativo. Vou dar um exemplo: em audiência pública que tínhamos a presença de 80 a 100 pessoas na Asse­mbleia, através de lives chegamos a ter a presença de 250 pessoas. Acredito que esse modelo será adotado pela Assembleia, mas as sessões ordinárias, essas, eu entendo que no segundo semestre serão 100 por cento presenciais. Mas as sessões temáticas, as ho­menagens, as audiências públicas tendem a manter o modelo híbrido, presencial e sendo também transmitido através de aplicativos. Acho que tem uma participação maior da população.

A base do governo da Assembleia está consolidada?

Temos uma base consolidada e eu entendo que esses 27 deputados vão caminhar para o projeto de reeleição do governador Ronaldo Caiado.

O senhor acredita que no próximo ano, ano de eleição, a tendência é que essa base de hoje permaneça igual?

A tendência é essa base, formada evidentemente para aprovação de matérias e para administrar o estado juntamente com o governador. Mas eu percebo um alinhamento político natural dos 27 deputados da base com o governador.

Qual o projeto do senhor para 2022?

Eu trabalho para disputar a reeleição e, dentro do Poder Legislativo, conversar com os pares, ouvir todos os pares e estou pronto para estar à frente do Poder Legislativo, para presidir a Assembleia. Evidentemente, tendo a anuência do governador reeleito, se Deus quiser, Ronaldo Caiado, também dos pares da base do governador, se entenderem que eu tenha capacidade para gerir a Assembleia e contribuir com o estado. É uma vontade que eu tenho e me sinto capacitado, mas tenho que construir isso junto ao governador Ronaldo Caiado – eu sei que ele tem uma simpatia grande por mim e conhece meu trabalho – mas eu preciso conquistar esse espaço dentro do Legislativo em sintonia com o governador, se Deus quiser, reeleito.

O senhor não tem projeto para deputado federal?

Não. Já delineei meu projeto para estadual e não tenho condição de mudar.

O senhor já decidiu por qual partido vai disputar a reeleição?

Eu pavimentei a minha vida política dentro do Democratas e é natural até mesmo pela ligação que tenho com o governador.

O MDB tende a apoiar a reeleição de Ronaldo Caiado?

Sim, eu entendo que o governador terá o apoio do MDB. Cinco partidos vão compor a chapa majoritária: Democratas, MDB, PSD, PP e Republicanos e aí nós temos governador, vice-governador, senador, primeira e segunda suplências. Temos cinco espaços na chapa majoritária e acho que esses cinco partidos tendem a uma composição. Torço para que isso aconteça e que todos se desprendam de vaidades e entendam que o governo Ronaldo Caiado está dando certo e temos que pensar sempre no melhor para a população. É um governo bem avaliado, é um governador dinâmico, que tem dado resultados positivos e que o estado se alegra com sua gestão.

Como o senhor avalia a possibilidade de o presidente da Assembleia, Lissauer Vieira, ser o vice na chapa de Ronaldo Caiado? 

Eu entendo que o deputado Lissauer está pronto e tem capacidade para assumir a candidatura a vice.

Qual a avaliação do senhor sobre o enfrentamento à pandemia em Goiás?

Não existe regra. Foi a primeira vez no mundo de uma pandemia de tamanha proporção. O governador Ronaldo Caiado não foi omisso, ele ouviu a ciência e agiu com os preceitos técnicos e conseguimos trabalhar e superar. Agora é o momento de trabalhar para recuperar os empregos perdidos durante a pandemia, de investir em infraestrutura e de cuidar do nosso povo. Observe que isso está sendo realizado e que a cidade, o estado e a nossa gente têm se alegrado com o governo.

Mas há o desgaste com o setor produtivo, em razão da necessidade de fechamento.

Isso foi superado até mesmo porque quantas pessoas – pelas ações e medidas do governo – conseguimos que não contraíssem o vírus? Um número significativo. A prioridade do governo sempre foi a vida. E, hoje, todos estão vendo isso. O governador investiu mais de R$ 110 milhões para o microempreendedor, pequeno e médio empresário. Então, temos hoje o crédito, através do Goiás Fomento, que o governador sempre dispôs, durante a pandemia, para esses empresários. Temos uma estrutura voltada para esse meio.

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