Entrevista | “Patriota terá candidato a governador”

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Presidente do Patriota em Goiás e secretário-geral do partido em âmbito nacional, Jorcelino Braga afirma que Jânio Darrot só não será candidato a governador pela legenda se não quiser. O marqueteiro que participou do processo judicial que culminou com destituição do presidente Adilson Barroso e anulação dos atos que permitiram a filiação de Jair Bolsonaro ao partido afirma que a vinda do presidente é bem-vinda e significaria um salto na candidatura a governador do Patriota, facilitando inclusive que o partido alcance o objetivo de eleger de dois a três deputados federais e de quatro a seis deputados federais. O marqueteiro acredita que as eleições gerais de 2022 vão repetir o que ocorreu nas municipais, quando as forças dos campos mais radicais de direita e de esquerda perderam espaço para os candidatos de centro.

Tribuna do Planalto – Com a destituição do presidente do Patriota, Adilson Barroso, pelo vice Ovasco Resende, como estão as negociações para a filiação do presidente da República, Jair Bolsonaro? Ele é bem-vindo ao partido?

Jorcelino Braga – Na verdade, o nosso grupo nunca foi contra a vinda do presidente. Nós já declaramos isso para todos os veículos, que o nosso grupo é a favor da vinda do presidente. Quem não quer um presidente no partido? O que nós contestamos e judicializamos foi a forma irregular que o presidente já afastado, Adilson Barroso, fez.  Ele fez um quórum irregular para ter maioria. Ele tirou quatro delegados nossos no SGIP (Sistema de Gerenciamento de Informa­ções Partidária) do TSE, ele tem a senha, e colocou quatro dele; criou dois novos cargos com direito a voto, dois vice-presidentes de honra, sem poder; substituiu o secretário de Organização, Nilton Silva, que morreu de Covid, e ele não poderia substituir, isso tinha que ser feito via convenção. Na verdade, ele colocou sete delegados dele e tirou quatro nossos para fazer uma maioria, que foi feita de forma irregular, porque todos nós, inclusive ele, tínhamos mandato de quatro anos, definido na convenção de fusão dos partidos em 7 de novembro de 2018, com vencimento para 2022. Ele tentou registrar a ata e não conseguiu registrar. O cartório colocou em diligência, mandou ele explicar o quórum e ele não explicou até hoje. Depois disso, ele fez mais quatro convenções e não conseguiu registrar. Nós conseguimos que tudo aquilo que vínhamos falando que ele fez de forma irregular fosse reconhecido pelo TSE, que o afastou por 90 dias, voltou com todos os delegados e desfez todos os atos que ele fez.

Em Goiás, qual a tendência do Patriota para as eleições de 2022?

O Patriota em Goiás tem candidato a governador. Eu convidei Jânio Darrot (ex-prefeito de Trindade) para vir para o partido porque ele externou a vontade de disputar o mandato a governador. Eu lhe disse que se ele viesse para o Patriota seria candidato a governador e que não ele não seria candidato a governador só se ele não quisesse ou se eu não estivesse mais no partido. Para o partido e para qualquer partido ter uma candidatura majoritária é altamente interessante para o partido conseguir crescer.

A candidatura própria interessa ao presidente Jair Bolsonaro, caso ele se filie ao Patriota. Uma de suas exigências é ter candidato próprio a governador no estado para garantir palanque para a campanha a presidente. Em Goiás, o nome preferido do presidente é o do deputado federal Major Vitor Hugo. Caso Bolsonaro se filie ao Patriota e traga para o partido o deputado Major Vitor Hugo, como fica a candidatura de Jânio Darrot?

Eu disse isso em uma reunião em que participei, inclusive quando Adilson fez uma convenção de forma irregular e eu participei para, de novo, afirmar que ele estava errado. Foi nosso advogado que me instruiu a fazer isso. Eu participei de forma on-line da reunião e estava presente Flávio Bolsonaro. Eu voltei a reafirmar que a vinda do presidente para o Patriota, em Goiás, é muito boa porque, como temos candidato a governador, com o presidente vindo para o Patriota – e em Goiás ele é forte – o nosso candidato dá um salto. É lógico que se ele vier conversar conosco sobre esse assunto vamos informar que temos um compromisso com o Jânio, que o candidato nosso é o Jânio. Se ele falar que quer a candidatura do Vitor Hugo quem tem que definir isso é o Jânio. Se o Jânio falar que quer ser candidato e se eu continuar no comando do partido em Goiás, secretário-geral do Patriota e tendo o relacionamento que tenho hoje nacionalmente o candidato será o Jânio.

Como está o andamento da formação de chapa para deputado estadual e federal?

Nós vínhamos em um processo a partir do qual tínhamos conversado com várias pessoas porque o objetivo nosso é obter, no mínimo, 500 mil votos para a chapa de deputado federal e 500 mil votos para a chapa de deputado estadual. E nosso objetivo é eleger, no mínimo, de dois a três deputados federais e um grupo de quatro a seis deputados estaduais.

O presidente da Câmara Municipal de Goiânia, o vereador Romário Policarpo, é um dos nomes a disputar para deputado federal? Como está a relação dele com o partido?

A relação do Romário Policarpo com o partido é a melhor possível. Por um lado, temos uma grande amizade e um respeito muito grande um pelo outro. Nas nossas conversas, ele seria candidato a deputado federal porque, na estratégia que estamos fazendo para construir a nossa chapa, conversamos com seis a sete candidatos de 50 mil votos. Se prevalecer esse formato atual de eleição, um candidato com potencial de 50 mil votos seria eleito dentro do Patriota para deputado federal.

Para a disputa para governador, o Patriota apresentando candidato próprio, com quais cenários o partido trabalha?

Evidentemente que, para quem está no governo, quando se pulverizam as candidaturas, o candidato do governo é beneficiado, se se tem um candidato natural que é o governador. Se além do candidato natural se tem de dois a três candidatos de oposiçã, a oposição é dividida e, de certa forma, o candidato do governo é beneficiado. O que todos os partidos estão fazendo nesse momento é apresentar seu candidato para, lá na frente, todo mundo se senta e define qual o melhor candidato, qual o candidato que tem condição de vencer a eleição.

Em relação a possibilidade de o MDB compor com o Democratas, como o senhor avalia essa composição?

Evidentemente que o MDB, pela história, é um partido maduro, que sempre teve candidato a governador. Do ponto de vista prático, pelo histórico, o MDB sempre teve candidato a governador. Eu imagino que ele deva manter essa história, essa coerência. Mas isso é uma decisão interna deles.

Se a eleição fosse hoje, o governador Ronaldo Caiado seria um candidato imbatível ao governo?

Eu aprendi, ao longo da minha vida, que não existe candidato imbatível; não existe eleição ganha nem eleição perdida. Campanha, sabe-se como começa e não se sabe quando termina. Evidentemente, que os acontecimentos, o que vai acontecer –  nós estamos há um ano das eleições, estamos longe ainda – e tem muita coisa para acontecer. Isso vai depender muito de campanha, de estratégia de campanha. Não acredito que tenha ninguém imbatível.

Em um eventual segundo turno, no qual o Patriota não teria candidato próprio, o partido teria preferência de apoio a algum outro candidato?

Na eleição do atual governador, eu me afastei da presidência do Patriota porque a maioria queria apoiá-lo; eu fiquei com o Daniel Vilela, fazendo campanha para o Daniel. Mas, democraticamente, acatei a decisão da maioria e a maioria acompanhou o atual governador. Hoje, nós temos candidato a governador, em um segundo turno, quem vai decidir é o partido, Jânio Darrot, como candidato, e os companheiros, e o que a gente achar que é melhor para o partido e qual a posição que vai ter.

Qual a avaliação que o senhor faz da administração do prefeito de Goiânia, Rogério Cruz? Ele está consolidado a marca dele na administração?

Eu fiz a campanha do Maguito Vilela e me encontrei com o Rogério uma ou duas vezes e ele foi sempre muito simpático, é um sujeito inteligente nas colocações. Evidentemente que o governo tem que ser a cara e ter as pessoas de confiança do Rogério Cruz. Está muito cedo para fazer uma avaliação dos atos do prefeito. Ele tenta resgatar os compromissos de campanha, mas para avaliar o governo é preciso ter as informações estratégicas porque no momento em que se emite uma opinião do governo pode ser que a estratégia que, neste momento, não aparece, vá aparecer lá na frente. Depende muito da estratégia de cada governo e vamos poder avaliar com precisão se a administração foi boa ou não na hora em que ele vier a entregar o mandato.

Em relação aos projetos de reforma eleitoral que tramitam no Con­gresso Nacional, o senhor acredita que haverá alguma mudança no pleito de 2022?

Eu tenho conversado com o líder do Patriota na Câmara, o deputado federal Fred Costa e acredito que, nesse momento, essas mudanças não passam. Já vimos isso na história, mudanças muito perto da eleição não acontecem. São muito abruptas e está muito perto das eleições. Eu acredito que não tenha mudanças.

Caso seja aprovado o voto distrital, o Patriota teria um plano para dar andamento a eleição dentro desse modelo?

Quem está dentro do ambiente tem que cumprir todas as regras. Qualquer ambiente político que tiver o partido vai ter que sobreviver, vai precisar criar uma forma para sobreviver. Se formos analisar o resultado das eleições municipais – ele espelha um pouco o que vai acontecer no próximo pleito – o Brasil tinha uma linha mais à esquerda e caminhou para a direita, com o efeito Bolsonaro, e, agora, as eleições municipais mostraram que tudo voltou para um equilíbrio, para o centro; as câmaras municipais tiveram uma renovação interessante. Vai depender muito do humor do brasileiro. Se a pandemia de Covid-19 já estiver arrefecida, com os números em queda, é uma coisa; se as coisas permanecerem a situação fica complicada. O brasileiro está muito temeroso e muito insatisfeito, e ainda não tomou a decisão sobre o caminho que ele vai tomar.

O fim da pandemia e a volta do bom humor podem reverter o quadro de desaprovação em que se encontra o presidente Bolsonaro?

O presidente do país tem uma vantagem muito grande porque ele está com a máquina na mão. Não acho impossível reverter, apesar de tanto Lula quanto Bolsonaro terem um índice de reprovação alto. A população não achou ainda uma pessoa que pudesse representá-la. Quando se coloca nas pesquisas o nome só dos dois as pessoas apontam suas preferências, mas, com certeza, o país vai ter um candidato, uma nova opção, alguém que pode surpreender.

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