Eleições OAB | “O que me difere é a experiência e a habilidade”, diz Rodolfo Mota

Presidente da Casag por duas gestões, o pré-candidato a presidente da Ordem diz não pertencer a grupos e ser uma alternativa à tradicional polarização que existe na advocacia goiana

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Rodolfo Mota acredita que até a data da eleição, em novembro, apenas dois ou três dos cinco pré-candidatos permanecerão na disputa.

Por Andréia Bahia

O pré-candidato à presidência da OAB-Goiás, o advogado Rodolfo Otávio Mota, de 41 anos, já está recebendo advogados em seu comitê de campanha, que funciona na esquina das avenidas 85 e Mutirão e recebeu o nome de Fórum da Advocacia Unida. Segundo ele, o nome remete ao momento atual, quando os fóruns estão fechados e a prestação jurisdicional sofre os impactos da pandemia, e tem o intuito de ser representativo para a advocacia goiana. “Esse espaço, que vem da acepção da palavra fórum, que é a praça da democracia, o foro das discussões em prol de uma advocacia cada vez mais valorizada, respeitada e coesa para o enfrentamento das batalhas que se avizinham”, esclarece.  Segundo ele, essas discussões darão origem a uma carta programática que será o “mantra” a ser seguido em sua eventual gestão.

Advogado com atuação na área empresarial e tributarista e presidente da Caixa de Assistência dos Advo­gados de Goiás (Casag), Mota é considerado um pré-candidato da situação, junto com Rafael Lara e Valentina Jungmann. Mas ele se apresenta como uma alternativa aos dois polos. “Essa dicotomia que tomamos emprestado da política partidária não serve à advocacia. No projeto da advocacia unida nós adotamos todas as cores”, afirma Rodolfo, rechaçando o que ele chama de “ideal de grupo”. “Não admitimos rótulos: grupo de gestão, de oposição, OAB Forte, renovação, independente. Queremos um projeto que abrace todos que queiram uma advocacia vanguardista.”

Questionado sobre a motivação de sua pré-candidatura, Mota afirma que são as agruras da advocacia. “Há muita dor, sofrimento, dificuldade financeira, preocupação sanitária, pandêmica e uma necessidade imperiosa de dar oportunidade aos jovens advogados, somados à certeza de que sou o único dirigente experimentado, testado, inclusive em momento de crise financeira, que demonstrou aptidão para gerir e levar a Casag a ser uma referência nacional”, diz.

Rodolfo Mota enumera algumas demandas dos advogados a serem tratadas no próximo triênio, entre as quais a justa remuneração, resgate das prerrogativas do advogado e a redução da anuidade. “A advocacia reclama muito que é a única fonte de financiamento do sistema e que a anuidade é muito cara. Precisamos desonerar a advocacia e implantar alternativas para a solução de conflitos para enfrentarmos a guia de custas judiciais, que talvez seja hoje a maior concorrente do qualquer advogado quando da precificação de seus honorários.”

Rodolfo iniciou a campanha no interior do estado e, só agora, começa o trabalho na capital. Mas ele afirma que não foi uma estratégia eleitoral. Como presidente da Casag, ele afirma que sempre esteve presente nas cidades do interior, estruturando a advocacia e, nesse momento, levando as campanhas de imunização. “O dinheiro, o investimento e o financiamento da advocacia são goianos e a entrega também tem que ser goiana. Por isso que sempre tratamos com muito respeito uma advocacia esquecida, que é a do interior”, afirma.  Essa presença foi, segundo ele, acentuada nos primeiros meses para que a partir de agora ele pudesse ter tempo para se aproximar dos advogados da capital.

O balanço da campanha no interior é positivo, na avaliação de Mota. Ele contabiliza o apoio das subseções de Aparecida de Goiânia, de Rio Verde, da advocacia do Entorno do DF – Luziânia, Valparaíso, Águas Lindas e Cristalina – da base oposicionista em Anápolis, Nique­lân­dia, Ipameri, entre outras. “É um fato atípico e histórico que começamos a caminhada com quase 20 das 54 subseções da gestão nos apoiando e as maiores delas conosco.”

Entre os pré-candidatos a presidente da OAB, a preocupação com os grupos de advogados que enfrentam maior dificuldade na profissão, como os jovens, as mulheres e aqueles que atuam no interior do estado, é semelhante, assim como a atenção à condição de trabalho da categoria. Rodolfo afirma que o primeiro diferencial de sua pré-candidatura está no “divórcio entre propor e fazer”.  “Somos o único, nitidamente e conhecidamente aquele que se compromete e entrega.” Essa afirmação se baseia, segundo ele, na carta programática das duas últimas gestões. “Nós de fato entregamos; a gente faz.”

Outro diferencial é o conhecimento sobre a advocacia. Rodolfo Mota é filho de advogado e três dos cinco irmãos também são advogados. “Saber quais são as agruras da advocacia talvez os demais pré-candidatos até saibam, não com o grau e a profundidade, inclusive de estar com os advogados do interior, as mulheres, os negros, os brancos de todos os segmentos”, diz Mota. Ele aponta a experiência, a gestão e a habilidade em entregar o que foi prometido como principais diferenciais de sua pré-candidatura.

O pré-candidato afirma que não ficou surpreendido com a declaração de apoio do presidente da OAB, Lúcio Flávio de Paiva, ao pré-candidato Rafael Lara. Segundo ele, quando lançou sua pré-candidatura, em fevereiro, já havia uma tendência de apoio de Lúcio Flávio a Lara. “Sem que fosse discutida a vontade da advocacia e que perpassaria simplesmente pelo presidente e, talvez por isso, muitos tenham se rebelado depois de declarado o apoio”, relata. Segundo Mota, era esperado que fosse ouvido o desejo da advocacia para escolha do sucessor do presidente.

Rodolfo Mota acredita que até a data da eleição, em novembro, apenas dois ou três dos cinco pré-candidatos permanecerão na disputa. “Esperamos que tenhamos a nossa, mais uma tida como situacionista, da gestão, e talvez uma outra, não mais que isso.”

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