Brasil tem o maior índice de mortalidade entre grávidas

Ainda há muita desinformação, estudos em andamento e discussão acerca das vacinas

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Foto: Jucimar de Sousa/Arquivo

Por Mirella Abreu

Segundo dados do Boletim do Observa­tó­rio Covid-19 da Fio­cruz (Fundação Oswaldo Cruz), o Brasil é o país com o maior número de mortes maternas devido à Covid-19. Entre mulheres grávidas e puérperas, esse indicador atinge a cifra de 7,2%, enquanto a atual taxa de mortalidade por Covid-19 é de 2,8. E com a suspensão da aplicação da vacina contra a Covid-19 da AstraZe­neca em gestantes e puérperas, orientada pelo Ministério da Saúde, o aumento dos óbitos desde o início do ano preocupa especialistas.

De acordo com dados do Observatório Obstétrico Brasileiro(OOBr) de Covid-19 divulgados no início de julho, na comparação entre 2020 e 2021, houve um aumento da mortalidade materna semanal pela doença  de 328,8%. Enqua­n­to isso, em relação à população geral, o aumento foi 110,5% na média semanal de 2021 em relação ao ano passado.

Outros dados que preocupam são do estudo de Oxford Academic, em que mostra que esse grupo tem mais chance de morte e há maior possibilidade de complicações. O risco de sepse — popularmente conhecida como infecção generalizada— é 14 vezes maior e as chances de precisar de ventilação mecânica são multiplicadas por 13. As probabilidades de ter AVC, insuficiência renal, evento cardíaco adverso e doença tromboembólica também são aumentadas.

Apesar da vacinação contra Covid-19 está caminhando ainda há muita desinformação, estudos em andamento e discussão acerca das vacinas. Com o objetivo de acelerar o ritmo da imunização em gestantes e puérperas, um novo debate tem surgido entre governo, especialistas e fabricantes das vacinas. A intercambialidade das vacinas, ou seja,primeira dose de um fabricante a segunda de outro.

No final de junho, a Prefeitura do Rio de Janeiro autorizou a aplicação da segunda dose da vacina contra Covid-19 com o imunizante da Pfizer para gestantes que haviam tomado o produto da AstraZeneca na primeira dose. Porém, o Ministério da Saúde disse que as gestantes quetomaram a primeira dose da vacina da AstraZeneca, não devem buscar tomar um imunizante diferente na segunda aplicação contra o novo coronavírus.

Segundo o Ministro da Saúde, Marcelo Queiroga as gestantes que tomaram a primeira dose da vacina da farmacêutica anglo-sueca devem aguardar a passagem do puerpério (fase pós-parto) para receber, normalmente, a segunda dose do imunizante. “A intercambialidade não está autorizada, seja em grávidas ou em não grávidas”, disse.

Como argumento, o chefe da Saúde afirmou que ainda estão sendo realizados estudos científicos sobre a eficácia da intercambialidade de vacinas. Queiroga ainda pediu que estados e municípios não autorizem a intercambialidade para as gestantes que tomaram a primeira dose contra a Covid-19 com o imunizante da AstraZeneca.

Apesar de ainda está em estudo a questão de intercambialidade das vacinasquatro países já autorizaram o uso do imunizante da Pfizer como segunda dose da AstraZeneca: Espanha, Emirados Árabes, Inglaterra e Itália. Outros nove países recomendam a combinação: Alemanha, Canadá, Coreia do Sul, Chile, Dinamarca, França, Finlândia, Noruega, Portugal e Suécia.

Não deve haver suspensão da vacinação

Especialistas defendem que no caso da suspensão da vacina da AstraZeneca para essas mulheres, elas podem fazer a troca dessa vacina e tomar a segunda dose da imunizante da Pfizer.

Recentemente, a Oxford reconheceu que, não só no caso das grávidas, mas aqueles que tomaram o imunizante AstraZeneca pode tomar a segunda dose da vacina da Pfizer. Segundo a Oxford, a troca das vacinas não traz prejuízo e sim benefícios. É “seguro e eficaz”, diz declaração.

Para muitos especialistas, essa troca seria uma das alternativas para as grávidas que tomaram a vacina da AstraZe­neca antes da suspensão pelo MS. O problema da segunda dose nesse grupo de risco tem causado preocupação aos especialistas, e eles alertam, é preciso das duas doses para estar imunizados corretamente contra a Covid-19.

Janssen vetada

Queiroga também reiterou que a vacina da Jans­sen­­ não deve ser utilizada para a imunização de grávidas e puérperas, já que ela possui a mesma tecnologia do produto da AstraZeneca. Sendo assim, as únicas vacinas disponíveis para a vacinação de grávidas e puérperas no Brasil são a da farmacêutica americana Pfizer e a CoronaVac.

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