Variante Delta tem mesmos sintomas de gripe e resfriado

Pacientes doentes com nova cepa apresentam febre, dores no corpo e de garganta, além de coriza

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Foto: Reuters/direitos reservados®

A variante Delta está mudando o panorama da pandemia no mundo e já está presente em pelo menos 124 países, segundo o mais recente boletim epidemiológico da Organização Mundial da Saúde (OMS). Infectologistas do mundo todo afirmam que a cepa, que surgiu na Índia, além de mais transmissível, causa sintomas diferentes daqueles apresentados pelo SARS-CoV-2 e pelas outras mutações do vírus. O indivíduo infectado apresenta dificuldades semelhantes a uma síndrome gripal.

Segundo o estudo Zoe Covid Symptom, no Reino Unido, é possível que tenha acontecido mutações do coronavírus, dando surgimento a variantes como a Delta, também houve uma evolução nos sintomas da Covid-19 provocadas por essas novas cepas. O professor Tim Spector, que dirige o estudo, diz que o sintoma mais comum da variante delta são as dores de cabeça.

Em seguida, os sintomas mais comuns da nova cepa são dor de garganta, coriza (nariz escorrendo) e febre. Alguns sintomas que eram muito pronunciados na versão original do coronavírus são menos comuns na variante delta. “Não há tantas ocorrências de tosse ou de perda de paladar e olfato”, diz o documento.

Além da predominância desses sintomas, o estudo mostra que as pessoas infectadas pela delta têm menos tosse se comparado com os infectados no ano passado e no começo deste ano. Nos primeiros dias de infecção, os sintomas são muito parecidos com os dos vírus respiratórios, principalmente a gripe

O fato dos novos sintomas da variante delta serem muito semelhantes ao de um resfriado comum gera preocupações nas autoridades de saúde. Por conta disso, muitas pessoas sequer percebem que estão com Covid da variante delta, e acreditam estar meramente resfriadas, sem tomar medidas preventivas para impedir o contágio de outras.

“As pessoas podem pensar que acabaram de pegar algum tipo de resfriado sazonal e ainda irem a festas. Elas podem espalhar o vírus para outras seis pessoas. Achamos que isso está alimentando grande parte do problema”, afirma Spector.

Diferenças

No Brasil, o que chama a atenção é que os pacientes que foram confirmados infectados com a nova cepa, apresentam um pouco mais coriza no início do quadro infeccioso do que no começo da pandemia. “Anterior­mente, os pacientes apresentavam muita tosse e nada de coriza, seco. Parecia uma gripe seca”, explica o infectologista Gustavo Henrique Johanson, médico do Hospital Israelita Albert Einstein.

Segundo ele, as diferenças começam a surgir a partir do terceiro dia de sintomas. “A maioria das pessoas ficam três dias resfriadas, quando muito. Com Covid, o paciente pode ficar com febre 10, 12, 14 dias. Obviamente, se a pessoa não melhora em dois dias, contínua dor de garganta, febre, inapetência, coriza, dor no corpo, é óbvio que, clinicamente falando, a probabilidade de ser Covid ganha mais força”.

Independentemente de a cepa ser predominante ou não no país, a orientação do médico segue a mesma do começo da pandemia. “Por conta da alta incidência de casos de Covid que ainda temos no Brasil, a primeira hipótese que fazemos para um sintoma gripal ou de resfriado é de Covid. Espirrou, tossiu, escorreu o nariz, doeu a garganta é Covid até que se prove o contrário”, conclui Johanson.

Casos são confirmados em Goiás

A variante Delta é mais transmissível e considerada um alerta pela Organização Mundial da Saúde (OMS), por poder causar infecção em quem já teve a doença e escapar da cobertura vacinal. E mesmo em países com altos índices de pessoas imunizadas, o número de infectados com a cepa que surgiu na Índia não para de crescer. No mundo países como Índia, Inglaterra e Estados Unidos já tem a delta como a variante predominante. Por isso, mesmo com apenas cinco casos registrados no Estado, as entidades responsáveis pelo controle e monitoramento do vírus estão em alerta.

Segundo a SES-GO, a transmissão não pode ser considerada comunitária já que, todos os casos registrados da variante têm relação com o surto ocorrido no Distrito Federal (DF). Dos cinco casos, quatro são de pessoas residentes de Goiânia e um do município de Santo Antônio do Descoberto.

O portador do novo caso em Goiás, trabalha no Distrito Federal e afirmou que teve contato com duas pessoas positivadas no local de trabalho e a confirmação ocorreu após o sequenciamento genômico. Além desse, os outros quatro casos confirmados são: um é de uma pessoa que retornou de viagem ao exterior, outro de um contato próximo dela. Os outros dois têm relação com o surto em Brasília.

A SES-GO ainda investiga um caso suspeito, em Anápolis, de outra pessoa que poderia ter contraído a variante Delta em Brasília. A pasta confirma que atualmente, a variante Gama, permanece como dominante no estado, sendo responsável por mais de 90% dos casos sequenciados.

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