Governo estadual passa a reciclar o próprio lixo eletrônico

Por força de decreto, todos os órgãos da administração têm a responsabilidade comunicar ao programa Sukatech a existência de eletroeletrônicos que possam ser reciclados

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Foto: Divulgação Sedi

Andréia Bahia

A pauta do ESG – sigla de “environmental, social and governance” e que, em português, pode ser traduzido como ambiental, social e governança, tem ganhado força entre as empresas desde o ano passado e sendo revertida em capital financeiro. Trata-se da adoção de boas práticas empresariais associadas à sustentabilidade ambiental, apoio socioeconômico às comunidades e de boa governança. O termo foi criado em 2004, em uma publicação do Banco Mundial em parceria com o Pacto Global da Organização das Nações Unidas (ONU) de nome “Who Cares Wins”.

Uma das principais práticas do ESG é a reciclagem do lixo eletrônico e o governo de Goiás, por meio da Secretaria de Desenvolvi­mento e Inovação (Sedi) aderiu à proposta e criou o programa Sukatech. A boa prática foi institucionalizada por meio do Decreto 9.718/2020, que determinou que toda a administração estadual tem a responsabilidade e a incumbência de comunicar ao programa Sukatech a existência de equipamentos de informática e eletroeletrônicos ociosos, recuperáveis, antieconômicos ou irrecuperáveis que possam ser reciclados e recondicionados.

O programa, em parceria com a Organização da Sociedade Civil (OSC) Programando o Futuro, será lançado em setembro, mas já começou a receber sucatas, informa o secretário titular da Sedi, Márcio Pereira. Esta semana, a Controladoria Geral do Estado, a Agência Goiana de Habitação, a Secretaria de Educação e o Detran doaram 5 toneladas de sucatas de eletrônicos ao programa. Esse material foi encaminhado para o Centro de Recondicio­namento e Capacitação (CRC), que ainda está em construção na Escola do Futuro do Estado de Goiás José Luiz Bittencourt, unidade gestora do programa.

Empresas e pessoas também vão poder fazer o descarte responsável do lixo eletrônico em Pontos de Entrega Voluntárias (PEV), que serão distribuídos em alguns pontos da cidade. As caixas de 1,5 m² estão sendo confeccionadas. Segundo Pereira, o primeiro foi instalado no Shopping Passeio das Águas durante a Campus Party e vai ficar definitivamente no local a partir do lançamento do programa.

Durante os dois primeiros anos o programa será subsidiado pelo governo, que prevê um investimento de R$ 2 milhões nesse período. A partir do terceiro ano a OSC passa a se custear com a venda dos subprodutos para a indústria.  Parte da sucata é destinada ao recondicionamento de computadores, que serão doados a órgãos e escolas públicas estaduais, bibliotecas e instituições voltadas à inclusão digital e social. Segundo o secretário da Sedi, 99% da sucata eletrônica pode ser reaproveitada.

A meta do programa é, até 2023, recondicionar e doar 1,5 mil computadores e promover a reciclagem de 500 toneladas de lixo eletrônico, além de capacitar mil jovens em situação de vulnerabilidade, sendo 450 no curso de informática básica, 450 no curso de manutenção de computadores e 100 em robótica.

1,5 milhão de tonelada de lixo eletrônico por ano

O Brasil é o quinto maior produtor de lixo eletrônico do mundo e o maior da América Latina, de acordo com estudo do The Global E-waste Monitor de 2020. Mundialmente, está atrás apenas de China, EUA, Índia e Japão. Segundo o levantamento, o país gera cerca de 1,5 milhão de toneladas de lixo eletrônico por ano, e apenas 3% desse resíduo é reciclado ou descartado de maneira adequada.

Estimativas apontam que até 2030, o Brasil produzirá 680 mil toneladas por ano de resíduos eletrônicos, sendo que cada brasileiro será responsável pela geração de 3,4 kg de lixo digital, segundo o Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma).

Com a reciclagem do lixo eletrônico é possível produzir diversos materiais: pilhas usadas podem ser transformadas em pigmentos para fogos de artifício, pisos cerâmicos, vidros, tintas, além da reutilização do Zinco; placas de circuitos eletrônicos são enviados para a recuperação de metais e as partes metálicas são recicladas e transformadas em novas peças. Nas olimpíadas de 2020 em Tóquio, no Japão, as medalhas foram criadas a partir do lixo eletrônico.

Estima-se que em 44,7 milhões de toneladas de lixo eletrônico é possível aproveitar mais de R$ 252 bilhões com a reutilização dos materiais.

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