Pandemia acelera mudanças na formação de professores

Universidades investem em conhecimento de tecnologia para educadores e passam a estimular habilidades socioemocionais dos professores

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Por Fabiola Rodrigues

Os cursos de formação de professores estão se adaptando de forma gradual aos novos modelos de educação impostos pela Covid-19. As faculdades tiveram que modificar as metodologias de ensino e aprendizagem. A Pontifícia Universidade Católica de Goiás (PUC-GO) e a Universidade Federal de Goiás (UFG) passaram a formar educadores que estejam mais capacitados para lidar com os aparatos tecnológicos, dando ênfase ao aspecto emocional dos professores.

A UFG adotou ações relacionadas à formação de docentes para o Ensino Remoto Emergencial (ERE) desde agosto de 2020, que foram sendo implantadas de acordo com as etapas de retomada das atividades de ensino. É o que conta a diretora de Ensino da Pró-Reitoria de Graduação (Prograd) da UFG, Moema Gomes. Em um primeiro momento, foram oferecidas formações, por meio digital, que abordavam temas relacionados ao contexto da UFG sobre o Ensino a Distância (EaD) e o uso das tecnologias em sala de aula.

Moema Gomes, diretora de Ensino da UFG: “Cabe ao professor ter competências relacionadas ao conteúdo que ministra.

“No mês de agosto de 2020, iniciamos o Programa Integrado de Formação: diálogo sobre o ensino e aprendizagem remota emergencial. Foram três módulos, sendo que dois destinados aos docentes e técnicos em assuntos educacionais, com 54 lives, e duas oficinas contemplando mais de 3 mil participantes”, diz a diretora.

Para o acompanhamento desse processo, Moema Gomes relata que foi criado um programa intitulado Prounidades, com representantes de 24 unidades acadêmicas, que permitiram o mapeamento de temáticas para ofertar formação continuada por meio de lives ou rodas de conversa com os professores.  As lives acontecem por meio do Google Meet ou do canal da UFG oficial do YouTube e são destinadas à formação continuada relacionadas aos aspectos didático-pedagógicos para o uso das tecnologias em atividades não presenciais. Os professores se encontravam duas vezes por mês.

Romilson Martins, diretor da da PUC-GO: “A pandemia trouxe de novo a relação entre o professor e uso da tecnologia”

Na UFG, atualmente, dois órgãos cuidam da saúde emocional e mental dos professores. Um deles é o Subsistema Integrado de Atenção à Saúde do Servidor – Pró-Reitora de Gestão de Pessoas (Sias-Própessoas). “No contexto da pandemia, o programa da Pró-Reitoria de Assuntos Estudantis – Saudavelmente – mesmo sendo destinado ao atendimento dos estudantes está prestando serviço aos servidores da educação que necessitam em função de perdas ou adoecimento”, explica a diretora.

 

Outro programa que surgiu foi o Próunidades no intuito de dar continuidade à formação dos professores e técnicos em assuntos educacionais, para o uso das tecnologias em atividades presenciais e não presenciais. “Para isto, busca-se temáticas relacionadas aos aspectos técnicos e também didático pedagógicos. Além disso, o Centro Integrado de Aprendizagem em Rede (Ciar) está oferecendo a formação continuada”, relata Moema Gomes.

Para a diretora, a partir deste momento de pandemia cabe ao professor ter competências relacionadas ao conteúdo científico que ele ministra, mas também ter conhecimento de aspectos didático pedagógicos para o uso dos recursos de maneira a cumprir seus objetivos educacionais. Ela observa que não se trata apenas de ter conhecimento técnico destes aparatos tecnológicos, mas de compreender como eles podem contribuir nos processos de mediação pedagógica e de organização do trabalho docente.

Processo de reflexão

Para o diretor da Escola de Formação de Professores e de Humanidades da Pontifícia Universidade Católica de Goiás (PUC-GO), Romilson Martins, a pandemia trouxe um processo de reflexão sobre os modos de ensinar e aprender. “O que a universidade fez, está fazendo e fará é repensar como essas dinâmicas passarão a ser incorporadas como maior força na formação de professores, o que dá sentido ao trabalho com essas tecnologias e o modo como o professor vai aprendê-las e fará uso delas no processo ensino-aprendizagem. Dominar as tecnologias, conhecê-las, aprimorá-las no processo didático pedagógico isso já consta no programa de formação dos professores. A questão é como fazer”, observa o diretor.

Romilson Martins explica que a formação de professores no país é regulada por resoluções emanadas do Conselho Nacional de Educação (CNE). São duas resoluções vigentes em pauta hoje no país, a resolução 2 de 2015 e a 2 de 2019. Essas duas resoluções orientam o modo como as universidades devem organizar a formação de professores. É uma diretriz nacional que orienta como os cursos devem conduzir a formação de professores, qualquer mudança parte deste contexto, assim como também como serão as próximas diretrizes.

Na grade curricular das universidades brasileiras  ainda não houve mudança. O diretor conta que se as resoluções forem alteradas no sentido de aprimorar algum elemento novo posto pela pandemia isso será feito pelo CNE. Porém as mudanças no formato de ensino podem acontecer devido às faculdades terem autonomia para fazer uma gestão dos seus currículos, pautados nas duas resoluções do CNE, explica Romilson Martins.

“O que a pandemia trouxe de novo é a possibilidade da relação que se estabelece entre o professor, o uso da tecnologia e o modo como as crianças, adolescentes e jovens vão aprender daqui para frente. Evidencia-se repensar sobre o uso das metodologias ativas e sobre o uso dessa tecnologia de modo mais planejado, organizado de forma a atender a especificidade dos alunos”, observa.

O diretor ressalta três grandes caminhos para se trabalhar a formação de professores daqui para frente. “A primeira é do ponto de vista da comunicação, da interação e do uso das tecnologias, esse campo, terá que ser bem mais explorado, observa; o segundo, a possibilidade de pensarmos a afetividade, as relações sociais e os processos de diálogo entre professores e alunos e fazer o uso dos aparatos tecnológicos de forma exitosa; a terceira, trata da produção dos conteúdos com conhecimento relevante, socialmente, para a aprendizagem. As propostas de ensino, até mesmo acadêmicas, têm que fazer cada vez mais sentido para toda comunidade”, enfatiza.

Cuidar das habilidades socioemocionais dos professores será um dos pontos fundamentais na escola de formação de professores, reitera o diretor. “Entendemos que daqui para frente os processos de atividades interpessoais, sobre afetividade, comunicação social, das emoções são elementos que vão aparecer neste contexto social, claramente. E elas precisam ser bem desenvolvidas para a boa educação, inclusive dos docentes”, pontua.

“Nós mudamos a perspectiva de ensino”

A superintendente do Centro de Estudos Pesquisa e Formação dos Profissionais da Educação em Goiás, da Secretaria de Estado da Educação (Seduc), Rita de Cássia, revela que, com a pandemia, ficou evidenciado mais ainda a importância do aprimoramento do conhecimento dos professores. Para ela, as mudanças ocasionadas durante esse momento, na área da educação exigiram competências que antes não eram tão demandadas, como por exemplo, o conhecimento em tecnologias digitais, ensino híbrido, metodologias ativas.

Rita de Cássia,
superintendente do Centro de Estudos Pesquisa e Formação dos Profissionais da Educação

“Nós precisamos de muito aprendizado em relação a esses temas. A pandemia nos obrigou a incentivar e trabalhar muito com essa modalidade de live, palestras voltadas para este contexto educacional atual. Nós mudamos a perspectiva de ensino após essa fase, trabalhávamos muito com a perspectiva presencial. Agora estamos muito em formato on-line”, diz a superintendente.

Segundo Rita de Cássia, a superintendência de Gestão e Desenvolvimento de Pessoas e a Gerência de Segurança e Saúde do servidor têm feito um trabalho importante, realizando atendimentos individuais com apoio psicológico e terapêuticos aos educadores.

“É momento de grande aprendizado para todos nós e neste ciclo. Está sendo exigido dos professores que busquem conhecimento das tecnologias. Estamos oferecendo formação continuada aos educadores e orientando sobre pilares importantes que demandam esta fase de adaptação”, diz.

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