Boa gestão municipal nunca elegeu governador

Gustavo Mendanha, a exemplo de outros como Iris Rezende, Paulo Roberto Cunha, Vanderlan Cardoso e Antônio Gomide, levaria para campanha estadual sucesso da administração na prefeitura, insuficiente para, por si só, garantir força na disputa

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Prefeito de Aparecida vê no MDB crescer o número dos que querem união com o DEM e diminuir o dos que defendem candidatura própria ao governo /Foto: Divulgação

Por Thiago Queiroz

Gustavo Mendanha chamou a atenção do país ao se reeleger para a prefeitura de Apare­cida de Goiânia, aos 37 anos, tendo a maior vitória proporcional da eleição: 95,81%, um total de 197.491 votos. Desde então, passou a dividir com o presidente regional do MDB, Daniel Vilela, a preferência dos que querem um nome para disputar com o atual governador, Ronaldo Caiado (DEM), a eleição do próximo ano.

A aproximação de Daniel e Caiado, selada com o convite feito pessoalmente pelo governador para o MDB participar da composição da chapa, fez Mendanha ver seu projeto embrionário, iniciado com visitas a vários municípios e com a recepção de lideranças de muitos outros em Aparecida, se distanciar ainda mais da realização. Sem o aval do partido a seu nome, que ficou claro ante o apoio dos prefeitos da legenda à composição, e diante do enfraquecimento do grupo de emedebistas que defendem candidatura própria ao governo, restaria a ele buscar outra legenda que bancasse sua candidatura.

Nesse cenário, em que os maiores grupos do estado já praticamente definiram quem vão apoiar, Mendanha teria pela frente o desafio de liderar um consenso por seu nome e provar que sua força e apoios não estão unicamente no MDB. Sem grupo de sustentação, para essa negociação e uma eventual campanha ele teria como bagagem apenas seus feitos na prefeitura de Aparecida e o talento próprio para a política, a exemplo do que enfrentaram outros prefeitos do estado, que, por se destacarem nas gestões de municípios grandes, se aventuraram numa disputa estadual. Como mostra a história de nossa política, os últimos a tentar o que Gustavo pretende fazer não tiveram carimbado o passaporte para o Palácio das Esmeraldas.

Dono de um dos jingles mais conhecidos no estado — Tá certo, Paulo Roberto; Paulo Roberto tá certo —, Paulo Roberto Cunha aproveitou os embalos da redemocratização do país e deixou, em 1990, o cargo de prefeito de Rio Verde para disputar o governo do estado. Foi nesta campanha que surgiu a música que se transformou em bordão em todo o estado. Para contrapor o líder Iris Rezende do PMDB, partido artífice da redemocratização, o prefeito do Sudoeste goiano tinha como bandeira a gestão de sucesso na prefeitura de seu município, iniciada em 1988, além da grande influência junto ao setor do agronegócio, por ter liderado a fundação da Cooperativa Agroindustrial dos Produtores Rurais do Sudoeste Goiano (Comigo), uma das maiores do país. No PDC, ele pouco se beneficiou com a administração admirada e amplamente explorada em seus materiais de campanha, sobretudo nos programas de TV, que ressaltavam seus feitos com imagens de suas ações tendo como fundo musical o famoso jingle. Paulo Roberto, no entanto, atingiu 34,03% dos votos e foi derrotado por Iris, que no momento estava sem mandato e obteve 56,39% da preferência do eleitorado.

Em 2004, o mesmo Iris já havia sido governador de Goiás por dois mandatos, dentre outros cargos, e foi eleito com 56,71% dos votos para a Prefeitura de Goiânia quando enfrentou o então prefeito Pedro Wilson (PT). Em 2008, tamanha sua aprovação, foi reeleito pelos goianienses com 74,16% dos votos. Além da experiência como governador e em outros cargos, como senador e ministro, o histórico emedebista se valeu dos feitos no executivo da capital, maior colégio eleitoral do estado, para, em 2010, ser o candidato ao governo estadual. Foi derrotado por Marconi Perillo (PSDB), por 46,33% a 36,38%. Marconi era senador quando venceu para seu terceiro mandato de governador. Nas eleições em que venceu para o governo, 1982 e 1990, coincidentemente, Iris estava sem mandato eletivo.

A campanha ao governo estadual em 2010 tinha ainda outro prefeito desincompatibilizado para a disputa: Vanderlan Cardoso, então do PL. O ex-prefeito de Senador Canedo, a exemplo de Iris, tinha sido reeleito em 2008 e sua votação batia a do emedebista: 80%. Não foi suficiente o sucesso das duas disputas e das gestões. Ele, que encabeçou a chamada Terceira Via para contrapor os já conhecidos Marconi e Iris, teve o apoio do então governador Alcides Rodrigues (PP), mas obteve apenas 16,62%, ficando em terceiro lugar no pleito. Vanderlan gozava de predicados muito semelhantes aos que Mendanha tem hoje. Eram bem conhecidos na Região Metro­politana de Goiânia seu nome e suas realizações como administrador empre­sarial e político. Além disso, para o interior do estado, ele era novidade na política. De partido pequeno, Vanderlan entrou na disputa para ser o nome de outro grupo e levou consigo apenas o prestígio pessoal.

O mais recente prefeito a disputar eleição de governador foi o de Anápolis, Antônio Gomide (PT), em 2014. Vitrine petista para a campanha nacional do PT em Goiás, sua administração chegou a ser aprovada por mais de 90% dos anapolinos. Ele contava ainda com o apoio e teve como cabos eleitorais em comícios no estado o ex-presidente Lula e a então presidente e reeleita Dilma Rousseff, ambos do PT. A reeleição de Gomide, em 2008, foi garantida por 75,63% dos votos do município. Para o governo, ele também venceu lá, com 56,41%. Mas o desempenho no restante do estado foi insuficiente e o total geral foi de apenas 10,09%, quarto lugar. Numa demonstração de que gestões exitosas municipais nem sempre fortalecem nomes no âmbito estadual, o petista não conseguiu nenhum partido para sua coligação. Na chapa pura ele contou com o vereador por Goiânia e seu colega de partido, Tayrone Di Martino, que na última semana da campanha renunciou ao posto, abandonando o grupo para apoiar Marconi, vencedor da eleição.

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