Atos pró e contra governo marcam 7 de setembro

Em Goiânia, manifestações ocorreram em pontos distintos da cidade e não houve registro de incidentes violentos

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Andréia Bahia e Maísa Lima

Após os dias de tensão que antecederam às manifestações do 7 de Setembro, feriado pela Independência do Brasil que tem se tornado palco das disputas políticas que acirram os ânimos no país; em Goiânia, sob um forte aparato policial que acompanhou os dois grupos – pró e contra o presidente Jair Bolsonaro (ex-PSL) -, não houve registro de nenhum incidente violento.

Com mais de uma hora de atraso, a manifestação pro-Bolsonaro seguiu do Autódromo Internacional de Goiânia rumo ao Setor Guanabara, um percurso de cerca de 45 minutos. O comboio não passou pela região central da cidade, onde estava acontecendo o 27º Grito dos Excluídos. Um forte aparato policial, com cerca de 70 policiais militares, acompanhou a motocarreata.

A Polícia Militar (PM) não divulgou a estimativa sobre o número de participantes, mas um policial do Giro afirmou que havia cinco drones da corporação no local e que os carros ocupavam uma extensão de 6 km e as motos de 10km.

Os participantes não respeitaram o distanciamento social e a maioria estava sem máscara.

Os manifestantes vestiam camisetas amarela e carregavam bandeiras do Brasil e cartazes. Alguns o pediam a liberdade de Roberto Jefferson, mas a maioria era de crítica ao Supremo Tribunal Federal (STF).

Grito dos Excluídos

Pela contagem dos organizadores, o 27º Grito dos Excluídos reuniu cerca de 4 mil pessoas em Goiânia. A concentração começou por volta das 9 horas, na Praça do Bandeirante e às 11 horas os manifestantes começaram a subir pela Avenida Goiás até a Catedral Metropolitana, onde o ato foi encerrado por volta das 12h30.

Tradicionalmente, o Grito dos Excluídos, que aconteceuem várias cidades brasileiras, é uma iniciativa da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB). Este ano seu lema foi Vida em primeiro lugar e somou-se à campanha “Fora Bolsonaro”. Participaram desde ativistas do meio ambiente a pequenos agricultores; de religiosos a movimentos de trabalhadores.

Presidente da Comissão Episcopal Pastoral para Ação Sociotransformadora da CNBB, dom José Valdeci Santos Mendes disse que essa união de vozes se deu porque tudo está sendo negado no Brasil, “a começar pelo direito à vida e pela derrubada dos direitos conquistados”. E acrescenta: “as bandeiras que tomarão o país serão a luta por participação popular, saúde, comida, moradia, trabalho e renda já”.

Em Goiânia, os manifestantes também se posicionaram contra o racismo, a homofobia e a violência policial. “Estão nos matando. Está acontecendo um genocídio da juventude negra nas periferias brasileiras, sob o manto da impunidade e do silêncio covarde de uma sociedade que ainda não conseguiu se livrar da vergonhosa herança da escravidão”, pontuou a coordenadora nacional do Movimento Negro Unificado (MNU) – que atua há 42 anos -, Iêda Leal, que participou do Grito em Goiânia.

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