Daniel com Caiado redesenha oposição

Divergências no MDB e aproximação com o DEM mudam estratégias de vários partidos e ressuscitam protagonismo do PSDB nas discussões de candidatura ao governo estadual

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Por Thiago Queiroz

Embora ainda não consolidada, a união do MDB com o DEM para as eleições estaduais do próximo ano dará nova roupagem à oposição ao governador Ronaldo Caiado. O mais beneficiado até agora foi o PSDB, que até então falava sozinho e tímido diante de um MDB possuidor de nomes como Daniel Vilela, segundo colocado na última eleição, e Gustavo Mendanha, outro nome do partido, que se destacou com a reeleição recorde de votos em Aparecida de Goiânia (95%). Os dois ex-governadores Marconi Perillo e José Eliton de imediato chamaram para si as discussões de formação de um bloco oposicionista no dia seguinte à ida de Caiado ao diretório do MDB para formalizar o convite de união em 2022. O tema que tem pautado nas últimas semanas o assunto eleição, e envolve vários partidos, é a candidatura de Mendanha a governador e a vontade de vários grupos em atraí-lo, caso ele deixe a legenda pela qual se elegeu vereador por duas vezes e prefeito por outras duas em Aparecida.

O gesto de Caiado e a boa vontade de Daniel, visto que passou a participar de agendas de eventos e reuniões com o governador, sinalizam que, pelo menos, uma das duas vagas da chapa majoritária, sem se contar as duas suplências de senador, já está reservada e fora das negociações. Estopim para todos os partidos e grupos que querem espaço se movimentarem em outras direções, seja para se fortalecer e continuar na disputa por elas ou para se acomodar em outros grupos. O PL, que tem a deputada federal Magda Mofatto, participou de encontro do PSDB, em Valparaíso de Goiás, com a presença dos ex-governadores e os três deputados estaduais da legenda: Lêda Borges, Gustavo Sebba e Helio de Sousa. O presidente do PL, Flávio Canedo, declarou apoio a Marconi para que ele busque unidade na oposição, além de também se oferecer para abrigar o prefeito de Aparecida. O tucanato se encontrará novamente no dia 11, em Posse, no Nordeste goiano.

O PP de Alexandre Baldy, por exemplo, que chegou a declarar publicamente o desejo de voltar a apoiar a administração de Caiado e quer a vaga de senador na chapa, se fortaleceu com a quase confirmada filiação do presidente da Assembleia Legislativa, o deputado Lissauer Vieira (PSB), liderança mais desejada pelo PSD de Vilmar Rocha para ser o vice de Caiado dentro de seus quadros. Lissauer tem como projeto ser candidato a deputado federal e fortalece qualquer legenda para a qual for, visto que tem bases consolidadas e será o presidente da Casa até 2023. Em evento que ele organizou no início de agosto, em Rio Verde, sua base eleitoral, foram reunidos mais de 60 prefeitos e outras lideranças.

Lehniger Mota, cientista político: “PSDB tenta dar rosto e corpo a um candidato da oposição, que até então não existe”

Cientista político, Lehni­n­ger Mota observa que, por no momento não existir uma consolidação da oposição em Goiás, o início dessas movimentações são apenas alguns governistas que flertam com uma possível guinada à oposição. “Mas, ao que parece, o verdadeiro interesse é ganhar mais espaço no governo.”

Segundo ele, o PSDB se aproveita da divergência entre Daniel Vilela e Gustavo Mendanha e se apega a este para tentar dar rosto e corpo a um candidato da oposição, que até então não existe. “Mendanha é jovem e muito bem quisto em Aparecida e bem conhecido na Região Metropolitana, mas não tem grupo que lhe dê capilaridade em todo o estado, e é exatamente o que partidos como PSDB, PL, PP e outros querem lhe dar, se sua saída do MDB for confirmada.

Lehninger observa que eleições são sempre embates de agenda, e que na de 2022 o tema que vai predominar é a economia. “Então, mais do que unir forças políticas, a oposição em Goiás, se se unir para apresentar um nome de consenso, vai ter que ser capaz de transmitir ao eleitor esperanças de melhorias econômicas. Difícil, mas eleição é o campo das possibilidades.”

Vaga para o Senado será a mais disputada

Rondam o atual governador em busca de espaço na chapa majoritária, além do PP e PSD, com o ex-mi­nistro da Fazenda Hen­rique Meirelles, o Republi­canos do deputado federal João Campos; PSL do também deputado federal Delegado Waldir; PSC do ex-senador Wilder Morais; e o deputado federal Zacharias Calil (DEM). Portanto, confirmado Daniel Vilela na vice de Ronaldo Caiado, cinco desses seis ficarão de fora, já que a eleição será de vaga única para o Senado.

A situação em que se encontrará o DEM será semelhante à enfrentada pelo PSDB, em 2018. Depois de 20 anos no poder, o partido teve de abrir mão de apoio de aliados históricos pela falta de espaço na chapa majoritária, sobretudo para as vagas ao Senado. Preterido para a chapa, o primeiro a buscar outro grupo foi o então senador Wilder Morais, que deixou o PP e voltou ao DEM para tentar a reeleição. Ficou no terceiro lugar da disputa, superando os algozes Marconi e Lúcia Vânia (à época do PSB).

O mesmo PP deixado por Wilder também não teve garantido o espaço desejado na chapa e rompeu com a gestão de José Eliton para embarcar na terceira via e compor com o MDB de Daniel Vilela. O partido acabou elegendo Vanderlan Cardoso senador. Já o PSDB, após muita costura política para perder o mínimo possível de partidos em sua coligação, acabou lançando chapa-pura, com Raquel Teixeira na vice.

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