Entrevista | “Um dos caminhos da Iquego é a parceria com a iniciativa privada”

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Desde que assumiu a presidência da Indústria Química do Estado de Goiás (Iquego), Denes Pereira trabalha para reduzir a dependência da empresa de recursos do governo, que foi de 100% em 2019. Hoje, o laboratório reduziu os repasses em mais de 90% e se prepara para lançar novos produtos de medição de glicose em parceria com uma empresa chinesa. Mas, segundo o gestor, o melhor caminho para a estatal seria uma Parceria Público-Privada (PPP) que partilhasse a administração da empresa, que estava com sua fábrica paralisada há mais de sete anos e chegou a ter sua liquidação anunciada no governo passado.

Tribuna do Planalto – A Indústria Química do Estado de Goiás (Iquego) chegou a ter sua liquidação determinada por decreto, em 2016, que foi revogado. Como se encontra a saúde financeira da empresa?

Denes Pereira – A Iquego não passou por um processo de liquidação. O governador recebeu as empresas com muitas dificuldades e pediu que fizéssemos um estudo em todas as estatais para saber o caminho para que tivessem saúde financeira.  A Iquego partiu para ter um mínimo de independência financeira e avançamos muito no primeiro ano, diminuindo consideravelmente o repasse do governo. No segundo ano conseguimos quase zerar esse repasse, reduzindo-o em mais de 90% e a empresa se custeando por conta própria. No terceiro ano estamos conseguindo avançar. Estamos preparando alguns chamamentos públicos na área de luvas cirúrgicas, aumentando o portfólio da empresa para que ela possa ter saúde financeira. Também estamos em um processo de valuation (termo em inglês para avaliação de empresas) para que possamos saber seu valor de mercado se, porventura, tomar a decisão, ao lado do governador, de vender ou não as ações da Iquego. Do que recebemos, a empresa avançou e estamos preparando-a para aumentar o portfólio e ter saúde financeira para não depender do aporte do governo. Quando assumimos, pegamos uma indústria que há 13 anos tinha balancetes negativos e há 10 anos sobrevivia de repasse do governo. Diminuímos muito o custeio da empresa, aumentando a eficiência em relação à gestão. A Iquego já foi muito forte, terceiro laboratório oficial do Brasil a fornecer para o Ministério da Saúde, chegou a ser uma empresa que fomentava o sistema de saúde não só em Goiás, mas no Brasil todo, e que pegamos sucateada e quebrada, com muitos problemas no maquinário e o Ministério da Saúde pedindo devolução de mais de R$ 13 milhões porque não tinha cumprido seus objetivos. Com a gestão do governador Ronaldo Caiado e a nossa à frente da Iquego, tiramos mais de R$ 10 milhões de devolução ao ministério.

Assim que assumiu, o senhor falou da possibilidade de realizar um pregão internacional para a contratação de PPP, com o objetivo de modernizar o parque fabril da empresa. Isso avançou?

Estamos preparando o valuation da empresa, detalhando os dados da melhor forma possível para apresentar ao mercado e, ao lado do governador, tomar essa decisão. Um dos caminhos que a Iquego pode ter, por ter as prerrogativas de um laboratório público, é trazer a iniciativa privada para, junto com o poder público, dar uma nova roupagem, uma nova gestão. Mas para atrair algum parceiro privado ele não pode chegar aqui e ver uma empresa com 13 anos de balancetes negativos e há 10 anos sendo fomentada pelo Estado. Precisa ter o mínimo de assepsia fiscal para que essa parceria seja desejada.

A privatização está descartada?

A Iquego tem algumas particularidades em sua lei de criação e, na privatização, ela deixa de ter seu principal ativo, que é ser um laboratório oficial que pode fornecer para o Sistema Único de Saúde (SUS). A ideia é trazer um parceiro privado. O grande problema que havia com as outras PPPs era a falta de confiança na administração anterior. Hoje, temos um governador em quem a iniciativa privada confia, sabe da seriedade de Ronaldo Caiado. Exatamente por essa segurança acreditamos que iremos ter vários parceiros interessados em fazer parceria com a Iquego, para que a empresa possa atender o sistema de saúde como sempre o fez.

Quais produtos estão sendo fabricados pela Iquego?

Temos uma parceria e estamos finalizando a transferência de tecnologia com uma empresa de Taiwan para produção do glicosímetro e de uma fita de medição de glicose, para atender mais de 200 prefeituras no Brasil. Depois de sete anos paralisado, o parque fabril voltou a ter uma máquina funcionando, atendendo à demanda da Covid-19, para a fabricação do álcool gel. As dificuldades de mercado, de importação, de preço do dólar dificultaram a operação, mas atendemos algumas prefeituras e também o próprio estado.

Com a pandemia foi muito cobrado do laboratório alguma ação de socorro para a área da saúde. O que a Iquego teria condições de fazer?

É uma falsa ideia que todos têm de que, por ser um laboratório público, no outro dia deveria estar fabricando vacinas. Nós temos dois laboratórios centenários no Brasil que têm esse potencial, essa expertise e vocação: Instituto Butantan e Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz). A Iquego, como outros laboratórios públicos, não tem essa vocação, nunca fabricou vacina. O governador Ronaldo Caiado esteve com o ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, deixando a empresa à disposição. Para produzir vacinas, o ministério teria de preparar uma nova planta praticamente do zero e isso é muito complexo.

A previsão é de que a vacina contra a Covid-19, a exemplo da influenza, tenha que ser aplicada anualmente. Seria interessante para a Iquego passar a fabricar o imunizante?

Sem sombra de dúvida. Nós conhecemos muito pouco sobre o que esse vírus vai trazer para o mundo nos próximos anos. Por isso mesmo, o governador Ronaldo Caiado disse ao ministro Queiroga que temos um laboratório público, que ainda não tem expertise, nunca fabricamos vacinas, mas está à sua disposição. Não é uma coisa do dia para noite, mas não é uma coisa que saiu do radar da Iquego.

O PRTB em Goiás, independentemente das composições nacionais, vai caminhar com Ronaldo Caiado nas eleições de 2022?

Sim. O PRTB, em nível nacional, é o partido do vice-presidente da República, o general Hamilton Mourão, e ele nos dá total condições e liberdade de decidir os rumos do partido no estado. Em Goiás, fizemos aliança com o governador Ronaldo Caiado, elegendo dois deputados estaduais. Estamos ajudando o governador a devolver Goiás aos goianos e o trabalho do partido é para continuar com o governador na próxima eleição.

O PRTB busca algum espaço na chapa majoritária?

Todo partido que não entra no campo para jogar está fadado ao fracasso. O PRTB não é diferente. Vamos preparar uma chapa de deputado estadual das mais competitivas do estado para dobrar a nossa bancada; temos dois deputados e vamos trabalhar para eleger quatro. Na eleição passada, faltaram menos de 1,2 mil votos para eleger um deputado federal no PRTB e, nessa eleição, acredito que iremos eleger um deputado federal em Goiás. Se temos chapa completa para deputado estadual e federal, evidentemente que o partido quer participar das composições da chapa majoritária. Mas sabemos também que o governador está muito bem, que a maioria dos partidos está procurando estar ao lado dele, em razão da gestão exitosa que tem feito, mas acreditamos que com uma chapa com 62 candidatos a deputado estadual e 26 a deputado federal temos como pleitear também o espaço, seja de suplente de senador, para estar ao lado do governador na próxima eleição.

Qual a visão do PRTB sobre a aproximação do governador com o MDB e a possível ocupação da vice por Daniel Vilela?

Na última eleição, o governador Ronaldo Caiado tinha o apoio de poucos prefeitos e a maioria dos partidos eram considerados partidos menores. Tivemos a satisfação de começar esse projeto ao lado do governador, conseguimos aglutinar vários partidos na coligação e o PRTB foi protagonista nesse trabalho. Sabemos que, em eleição, temos que ciscar para dentro. O MDB é um partido forte em Goiás, que tem raiz muito forte no estado, mas que hoje não tem o protagonismo que sempre teve. Não tem mais a Prefeitura de Goiânia e estamos vendo que o prefeito de Aparecida de Goiânia quer procurar um novo caminho. É extremamente importante para o governador ter o MDB apoiando sua reeleição, mas não necessariamente precisa ser na vice. O governador não definiu se seria na vice, falou que o MDB estaria na chapa majoritária. O MDB, pela sua pujança e grandeza, tem que estar na chapa majoritária, mas para a vice temos, além do MDB, outros nomes importantes e leais ao governador, que contribuíram muito com o governo. Por exemplo, o presidente da Assembleia Legislativa de Goiás (Alego), Lissauer Vieira (PSB), um grande nome, um jovem que surpreendeu a todos na condução da presidência da Alego e vem de uma região extremamente importante para o estado de Goiás, que é Rio Verde. Lissauer tem uma liderança em relação aos deputados estaduais muito grande. Dias atrás ele demonstrou isso, colocando 65 prefeitos em Rio Verde. Eu não me lembro de outro político colocar essa quantidade de prefeitos em determinado evento, fora de eleição. É um player (indivíduo capaz de exercer influência em um contexto político) muito grande que acredito que tem condição de compor a chapa do governador. Mas a vice é uma situação muito específica, de cunho pessoal, e acredito que o governador, na hora certa, vai ter a solução. O MDB é muito bem vindo na chapa majoritária, mas o governador nunca disse que o partido seria vice, deixou claro que estaria na chapa majoritária.

E quanto à vaga para o Senado, que vários partidos estão pleiteando. Com qual cenário o PRTB trabalha?

Nessa eleição terá só uma vaga no Senado. O governador se preocupa muito com a vida pregressa de quem está ao lado dele e o candidato que compor a chapa tem de ter um histórico de seriedade e de muita retidão. Não dá para ter todo mundo na chapa majoritária e muitos partidos vão ter que ceder e entender.

A possível união do MDB e o DEM pode levar à convergência da oposição com o intuito de apresentar um candidato para disputar a eleição contra Ronaldo Caiado?

Eu vejo a oposição com muitas dificuldades. Vemos o ex-governador Marconi Perillo tentando arrumar esse candidato. Se ele estivesse bem e a oposição estivesse bem, ele não estaria atrás de candidato. Ele seria o candidato a governador. Isso mostra a fragilidade da oposição. Não se arruma um candidato para enfrentar um governador bem avaliado como Ronaldo Caiado do dia para a noite. Marconi Perillo está procurando um bode expiatório, um boi de piranha. Quem é que vai ser o candidato da oposição? O partido que governou o estado por quase 20 anos não tem candidato a governador.

Qual a pretensão do senhor para a próxima eleição?

Eu estou muito focado nas chapas de deputado estadual e federal. Partido que não tem parlamentar fica fadado ao fracasso. O PRTB é um partido que tem dois vereadores na capital; somos o quarto partido mais votado na última eleição em Goiânia; temos o deputado estadual mais votado da região Noroeste, o vereador mais votado da região Noroeste, uma região que ajuda a definir a eleição em Goiânia e também no estado de Goiás. Porém, eu estou à disposição do partido. O que o partido entender e achar que é necessário eu coloco meu nome à disposição.

O partido é um dos que correm o risco de não atingir a cláusula de barreira. O senhor acredita que, nesta eleição, o partido vai superar o exigido pela legislação?

Na eleição passada, o PRTB focou muito na eleição presidencial e isso acabou penalizando o partido em relação à cláusula de barreira. Mas nesta eleição temos uma grande estrela, que é o general Mourão. Isso tem ajudado bastante. Eu não tenho dúvida nenhuma de que o PRTB vai cumprir a cláusula de barreira. Sabemos que essa regra foi colocada pelos partidos grandes, que queriam vender para a população que tinha que diminuir o número de partidos, mas só estavam de olho no fundo partidário. Eles só pensam no dinheiro, essa é a realidade dos grandes partidos.  Os maiores partidos do Brasil são os que estão mais envolvidos em corrupção. O PRTB, que tem 27 anos de história, nunca teve nada que o desabonasse.

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