Formação de professores está comprometida

Com o aumento do Ensino a Distância no país falta regulamentação para medir qualidade de aprendizado dos acadêmicos de licenciatura e rendimento do formando fica comprometido

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Por Fabiola Rodrigues

Ensino a Distância (EAD) veio para ficar, é o que revela uma pesquisa do Instituto Naci­onal de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep). De 2009 a 2019, o número de novos alunos em cursos superiores a distância aumentou 4,7 vezes e saltou de cerca de 330 mil estudantes para mais de 1,5 milhão. Um crescimento de 378,9%. A procura por cursos EAD de Pedagogia e Licenciatura teve aumento de 48% nos últimos dez anos.

O líder de Políticas Educa­cionais da Organi­zação não Governamental (ONG) Todos Pela Educação, Gabriel Cor­rêa, faz críticas e afirma que os cursos de licenciatura estão com regulação frouxa e que o sistema de avaliação não permite aferir qualidade da formação.

Mediante a formação de professores por ensino EAD, Corrêa lamenta que o Brasil não tenha boa avaliação e regulação desses cursos. A preocupação é justamente pelo fato de estar em jogo toda formação da Educação no cenário brasileiro, porque inicia na Educação Básica todas as diretrizes do processo de ensino do país.

“Para boa formação dos professores o aluno deve ter contato ao máximo com a formação presencial, mais contato com os professores, mais elementos da prática. A expansão dos cursos EAD, principalmente em Pedago­gia, preocupa muito”, enfatiza, Gabriel Corrêa.

Segundo ele, o Ministério da Educação (MEC) tem os procedimentos internos, normativas de regulamentação e avaliação, mas  que essa avaliação que é feita deixa muito a desejar e eles não conseguem contemplar se os alunos estão sendo bem formados ou não. “Temos que avançar nessa avaliação dos cursos”, diz.

Gabriel Corrêa reforça que os atores mais importantes para a qualidade da Educa­ção Básica são os professores, e que a formação inicial deles deve ser de alta qualidade para o exercício da profissão. “Se a gente não melhorar a qualidade da formação do Brasil, diferente da que temos hoje, não vamos conseguir avançar de forma consistente o sistema educacional. Essa é uma agenda urgente para o país, de transformar a formação de professores. Essa é uma pauta do governo federal e ele não tem dado a devida atenção a essa questão”, revela.

Nos cursos de formação de professores, e até mesmo dos que são a distância, cerca de 25% é presencial, o grande gargalo é como as instituições estão trabalhando o conteúdo. Os cursos EAD permitem mais flexibilidade de horário e é mais barato, então, é natural que muitos alunos procurem por eles. Mas Gabriel Corrêa explica que o curso de Pedagogia é uma formação muito importante para o país e está atrelada à qualidade da formação básica, logo, precisa ser olhado com mais cuidado.

Ele pontua que os cursos de melhor qualidade são aqueles que oferecem uma prática real para os alunos logo serão professores. Praticar a residência pedagógica, passar tempo na escola é muito importante para formação. “Estes são alguns dos elementos que precisamos avançar quanto à formação de professores, para ele fazer a articulação entre a teoria que ele aprende e a prática que ele vai viver em sala de aula”, conclui.

“O MEC vem para regulamentar e se ele permite o curso é porque a instituição está preparada”

O presidente do Sindicato das Entidades Mantenedoras de Estabelecimentos de Educação Superior de Goiás (Semesg), Jorge de Jesus, ressalta que os cursos de modalidade Ensino a Distância (EAD) aumentou bastante, mas que isso não é parâmetro para dizer que estão sem regulamentação, inclusive às Licenciatura.

Jorge de Jesus, presidente do Semesg: “Ser privado não significa oferecer ensino de má qualidade é muito pelo contrário”

Ele observa que, como em todo segmento que tem bons e maus empresários, poderá existir instituições que não oferecem qualidade de ensino, mas que estes são cortados pelo Ministério da Educação (MEC). Defensor da ideia de que o governo federal faz o trabalho de acompanhamento de regulamentação dos cursos, ele acredita na boa formação dos acadêmicos.

“Ser privado não significa oferecer ensino de má qualidade; muito pelo contrário, temos boas instituições privadas. Um curso de EAD bem feito vale da mesma maneira do presencial. O MEC vem para regulamentar isso, se ele permite o curso é porque a instituição está preparada”, pontua.

Segundo o presidente, as instituições particulares superiores estão preparadas para atender a demanda. Ele explica que se se há um curso aprovado pelo MEC ele é validado; se ele não tem qualidade, é suspenso e pode ser fechado. “Temos cursos EAD muito conceituados nas instituições particulares, inclusive os de Pedagogia”, frisa.

Jorge de Jesus conta que os cursos EAD têm controle porque até o próprio aluno denuncia. Ele lamenta o fato de que existe o preconceito com relação ao EAD no país e que não é somente nos cursos de Licenciatura e Pedagogia. Para o presidente, isso tem que ser quebrado, porque os cursos são de excelente formação tanto quanto os presenciais.

 

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