Entrevista | “Marconi é um player para o governo e nós defendemos que ele seja candidato a governador”

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O deputado estadual Gustavo Sebba deixou de fazer a residência em Dermatologia, para qual havia passado em primeiro lugar, para disputar uma vaga na Assembleia Legislativa, em 2014. Foi eleito pela primeira vez com 27 anos e está em seu segundo mandato, se preparando para disputar o terceiro. “A política é muito parecida com a medicina; minha função é curar as pessoas ou melhorar a qualidade de vida delas, quando não for possível curar. A política é a mesma coisa; não vou resolver todos os problemas, mas vou tentar, e a política é uma ferramenta mais ampla do que a medicina”, explica. Filho do ex-deputado Jardel Sebba, Gustavo se filiou ao PSDB com 16 anos e, atualmente, experimenta o que é ser oposição, tanto no âmbito do estado como em Catalão, sua cidade natal.

Tribuna do Planalto – Como o senhor migrou da medicina para a política?

Gustavo Sebba – Eu já trabalhava como médico em muitas cidades e, quando chegou a eleição e o partido não tinha nomes, o pessoal da região foi atrás de mim. Meu pai queria que eu fizesse a residência, mas respeitou minha decisão e me apoiou. Eu não parei de atender como médico contratado, mas na grande maioria dos lugares atendo como voluntário.

O PSDB está com dificuldade para compor a chapa majoritária. Com quais os cenários o senhor trabalha para a próxima eleição?

Eu não acho que o PSDB tenha dificuldade, não; acho até o contrário: temos excelentes nomes com condições de disputar, com referência, com história de serviço prestado, como é o caso do ex-governador Marconi Perillo, que tem um legado que ninguém vai conseguir apagar. A pandemia só não castigou mais Goiás em razão dos 18 hospitais construídos, reformados ou ampliados pelo ex-governador.

Mas o projeto do ex-governador Marconi Perillo não é disputar o governo, mas uma vaga a deputado federal e sua eleição de­pende de uma chapa majoritária competitiva.

Marconi anunciou essa possibilidade de sair a deputado federal, mas ele é político de grupo. Nós estamos fazendo vários encontros, escutando a militância, não só do PSDB. Em Valparaíso, a deputada Magda Mofatto (PL) esteve no encontro e disse que está à disposição para se unir à oposição. Marconi é um player para o governo e nós defendemos que ele seja candidato a governador. Ele deixou claro que pode apoiar e pode ser candidato. Temos outros nomes com referência em Goiás, o José Eliton, apesar da última eleição que foi bem atípica; o prefeito de Sanclerlândia, Itamar Leão; o deputado estadual Helio de Sousa; na iniciativa privada, temos os Lage, em Goianésia; o Zé Garrote. Ele não se manifestou nesse sentido, mas nós temos o entendimento de que ele é um nome excepcional, que está figurado nos quadros do partido. Eu defendo que o melhor nome do PSDB é o do Marconi, disparado, e ele está preparado para ser candidato. O que está ficando definido nesses encontros é que o PSDB vai ter candidato ao governo.

O PSDB poderá também compor com a oposição e não ter candidato próprio?

Nosso primeiro cenário é ter candidato próprio. Mas não somos radicais para falar que não vamos compor com ninguém. Podemos compor e, nessa composição, Marconi sair candidato ao governo e outro partido indicar o vice. Eu não posso falar pelo partido, mas minha opinião é de que temos que conversar, principalmente com Gustavo Mendanha, um nome novo, um cara forte, tem feito uma boa gestão. Acredito que a antecipação que Ronaldo Caiado fez ao chamar Daniel Vilela para a chapa foi uma demonstração de medo do Gustavo Mendanha. Acho que a oposição tem tudo para caminhar junto e eu defendo essa união. Caiado dispõe das vagas de vice e do Senado e tem muitos partidos pleiteando essas vagas, o PP, Republicamos, e ele não vai conseguir contemplar todos. Acredito que muitos partidos vão se unir à oposição.

As conversas com os outros partidos, visando construir esse grupo de oposição, já estão em andamento, inclusive com Gustavo Mendanha?

Eu, particularmente, já conversei com Gustavo e disse para ele que precisamos estar juntos porque nosso projeto é um só. Se conseguirmos chegar em um consenso de que precisamos ter um nome único, um projeto para o estado, não de partido ou pessoal, chega lá na frente, faz uma pesquisa.  Não é a posição do partido, mas se chegar lá na frente o Gustavo Mendanha estiver com o nome melhor, não tem problema ele ser o candidato.

Esse grupo de oposição, até o momento, seria o PSDB e o PL?

O Gustavo Mendanha é oposição. Há muitos partidos que não são situação, são independentes, como o PP. Um partido que, pelas declarações, é independente e está resolvendo. Assim temos vários partidos; o Republicanos, um partido que amanhã pode não estar na base do governo.

Há conversa com os partidos de esquerda?

O PT, ideologicamente, é muito diferente do PSDB. Eu, particularmente, acho que PP, Republicanos, PL e outros partidos menores que podem vir, têm condição de caminhar junto no primeiro turno. O PT, não.  Acho difícil acontecer uma fusão com o PT pelo menos no primeiro turno. Uma coisa são os partidos independentes e oposição ao governo e outra coisa são os partidos de esquerda.

No âmbito do legislativo, com a perda de deputados que sinalizaram que vão deixar o partido, Francisco Oliveira, Talles Barreto e Célio Silveira, como está a atração de novos nomes para a chapa proporcional?

Temos inúmeros bons nomes que vão ser candidatos: Eliane Pinheiro, que já foi deputada, Paulinho de Hidrolândia, que era prefeito, vários nomes. A saída de alguns nomes, neste momento, é até bom porque vai ficar quem realmente se identifica com a sigla, quem não barganha cargo por posição política, porque o político tem que ter o mínimo de coerência. Pessoa igual ao Chiquinho de Oliveira, que foi o líder do governo e criticava Caiado; de repente passa a dizer que Caiado é o melhor do mundo e Marconi já não é tão bom assim como ele dizia, eu só vejo que pode ter acontecido alguma coisa de interesse pessoal. Isso mostra uma falta de caráter.

Jardel Sebba tem projeto de candidatura?

Ele está na Executiva do PSDB, como tesoureiro, ajudando a estruturar a chapa a deputado federal e estadual do partido. Pessoalmente, acredito que ele não tenha nenhum projeto de candidatura, a não ser de coordenação. Ele também está trabalhando para as prévias do PSDB nacional, apoiando Eduardo Leite. Mas quem quiser caminhar com João Dória, pode caminhar, o partido não fechou questão sobre isso.

Por que não o Dória?

Eu, particularmente, gosto muito da gestão do Dória, acho que como gestor de São Paulo ele está fazendo um bom serviço. Os números dele são muito bons, mas politicamente ele consegue apanhar da direita, da esquerda, do centro. Eu defendo a candidatura do Eduardo porque entendo que ele se viabiliza mais. A gestão do Eduardo também é excepcional, atingiu um crescimento do PIB de 4,5%, três vezes acima do crescimento do Brasil; fez reforma administrativa e não teve uma greve; está reduzindo o ICMS de vários produtos. Ele não tem desgastes. O Dória já tem um certo desgaste.

Nas eleições para presidente, a oposição consegue avançar com diversas candidaturas?

Acho difícil. Se tiver nomes sólidos, mas fragmentados, vai favorecer a polarização PT e Jair Bolsonaro. Eu vou defender a candidatura do Eduardo dentro de uma terceira via. No segundo turno, PT e Bolsonaro, eu vou votar no Bolsonaro. Eu tenho uma dificuldade muito grande de caminhar com a esquerda. Tenho uma posição mais de centro-direita que de centro-esquerda.

Como presidente da Comissão de Saúde da Assembleia, como avalia a gestão da pandemia em Goiás?

Eu gosto de ser justo. Não é porque eu sou oposição ao governo que eu critico tudo. O que chegou de bom do governo eu votei favorável e elogiei. O projeto dos soldados de terceira classe, votei favorável. O gestor estadual, secretário Ismael Alexandrino, é um técnico e minha relação com ele é estritamente institucional. Todas as vezes em que a Comissão de Saúde pediu dados a ele, a secretaria forneceu; todas as vezes em que fizemos audiência pública ele foi. O gestor é bom, é técnico, porém, o governador não tem uma visão apropriada para a saúde.

Um dos conflitos do governador com o presidente Bolsonaro se deu justamente em razão da gestão da pandemia. Caiado não acatou as orientações do governo federal, defendeu as vacinas e foi contra os protocolos do kit Covid. A postura pró-ciência do governador não foi positiva?

Eu acho que o governador teve postura oportunista do que era popular na época. Ele convidou Henrique Mandeta para ser secretário de Saúde.  Achei aquilo de uma deselegância. Se o povo está contra a ivermectina, ele vai ser contra; se está a favor, ele ia ser a favor. No começo, o povo as pessoas eram a favor de fechar tudo; ele mandou fechar. Ele teve decisões acertadas, como o fato de não ter aderido ao protocolo da ivermectina, porém, na grande maioria, ele até errou ou, por oportunismo, acertou.

A Comissão de Saúde da Assembleia teve alguma ação no combate à pandemia?

Ano passado não fizemos visitas técnicas aos hospitais e passamos a fazer as audiências virtuais para discutir e focamos nos projetos de leis que dizem respeito à pandemia. As calamidades públicas dos municípios todas passaram pela comissão e nós concordamos com todos os pedidos de decretação, apesar de achar que isso vai favorecer a corrupção. O prefeito de Catalão (Adib Elias), por exemplo, recebeu milhões de reais e não entregou nada. Catalão recebeu R$ 15 milhões só no ano passado. Este ano voltamos a fazer visitas, e estivemos na Santa Casa de Goiânia e estamos avaliando abrir um CPI para investigar, poque ela recebe R$ 2 milhões por mês de recurso estadual.

Qual o objetivo da medida cautelar que o senhor entrou no Tribunal de Contas do Estado contra o Ipasgo?

Os prestadores de serviço do Ipasgo me informaram que receberam um comunicado por mensagem de texto orientando a reduzir os serviços pela metade. Se tinha dez por mês é para fazer cinco. Não tem um ofício do Ipasgo falando isso; não tem nada no Diário Oficial falando isso. A medida cautelar é para suspender essa orientação. O corte de 50% pode até acontecer, mas o Ipasgo vai ter que explicar para o TCE o porquê, mostrar números, definir critérios para cortar. A clínica que vai escolher o exame que vai deixar de fazer? O médico?

Mas como a medida cautelar vai suspender uma decisão que não é oficial, não está registrada?

Se a cautelar for concedida, o TCE tem o poder para exigir que todos os prestadores de serviço continuem atendendo 100% até que o corte no atendimento seja avaliado. Nossa ideia é que o corte não aconteça, mas, se for necessário, que seja dentro de um planejamento.

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