Entrevista | “Oposição busca um candidato para representar o projeto sepultado em 2018”

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Em dos articuladores da aliança entre DEM e MDB, Lívio Luciano considera a coligação entre as duas legendas “natural”, considerando o histórico de apoio recíprocos desde 2004, quando o DEM subiu no palanque de Iris Rezende no segundo turno da eleição para prefeito de Goiânia. Ele afirma que a oposição encontra dificuldade para encontrar um candidato em razão da boa gestão de Ronaldo Caiado. Presidente do DEM Metropolitano, Lívio Luciano se diz favorável à fusão com o PSL e afirma que o novo partido será o fiel da balança na eleição para presidente da República.

Tribuna do Planalto – Qual a avaliação que o senhor faz do resultado do Democratas na eleição municipal, que elegeu 62 prefeitos e 374 vereadores?

Lívio Luciano – Era essa a expectativa, porque o governador, um ano atrás, já vinha dando demonstração de uma gestão saneadora das contas públicas do estado e saneadora no sentido do resgate da imagem do governo estadual em relação a sua população. Porque existia um descrédito grande em relação à governança estadual, e o resultado da última eleição confirma isso. Já havia esse processo de recuperação do estado em todo sentido, financeira e moral, e isso evidentemente fez os eleitores dos municípios terem a percepção de que esse governo, verdadeiramente, é um governo de mudança, é um governo de quebra de paradigmas em relação ao trato do dinheiro público. Sem dúvida que o desempenho do governador foi determinante para que o DEM alcançasse essa marca, que é disparado o partido que mais elegeu prefeitos na última eleição.

Na avaliação do senhor, o crescimento do partido é reflexo da gestão estadual?

Sem dúvida. Tanto é que, e é importante que se registre, o governador esteve presente em várias eleições municipais – dentro daquilo que a agenda dele possibilitava – e gravou vídeos para outras dezenas e até centenas de candidatos a prefeito nas últimas eleições. Existia uma demanda muito grande, por parte de candidatos, em busca de gravação de vídeo do governador, hipotecando apoio a determinados candidatos lá em seus municípios. Isso é uma demonstração de reconhecimento da força e da alta aprovação do governador, que foi fundamental para que diversos prefeitos tivessem êxito naquela eleição. Não só filiados ao Democratas, mas de uma maneira geral candidatos ligados ao governo.

Com a provável fusão do Democratas com o PSL, o novo partido já nasce com mais de 50 mil filiados. Qual o impacto que essa fusão terá na eleição de 2022?

Esse número de filiados, com trabalho, nós podemos, em pouco tempo, ter um número bem maior. Essa fusão entre Democratas e PSL, que está na iminência de acontecer, já está com convenção marcada para outubro e deverá ser uma convenção em conjunto das duas siglas para poder fazer o novo partido, já com definição de número e de nome. O TSE (Tribunal Superior Eleitoral) tem, depois, de três a quatro meses para fazer a convalidação dessa fusão. Mas o que mais se destaca é o tempo de rádio e televisão que esse novo partido terá e o fundo eleitoral, que será pelo menos 50% maior do que o segundo colocado. Isso, evidentemente, dá ao partido um cacife muito grande nos estados e, especialmente, em Brasília. Um partido, com essas credenciais, tende a ser o fiel da balança em uma eleição presidencial. Eu entendo que é uma força que surge, em termos de partido, que há muitos anos não se vê no país. Uma força retratada especialmente pelo tempo de TV e fundo eleitoral, sem contar a própria estrutura partidária de agentes públicos no Brasil inteiro. É uma coisa jamais vista ou poucas vezes vista em nosso país.

Qual a opinião do senhor, como presidente e como eleitor, sobre a fusão dos dois partidos?

Eu acho muito positivo. Na verdade, muitas tentativas de fusão partidária já aconteceram nos últimos tempos, mas que conseguem realmente se efetivar são poucas. Exatamente pelo conflito de interesses. O que nós estamos assistindo é uma fusão muito natural acontecendo. Tanto é que a aprovação de uma parte e da outra é praticamente unânime em relação a aceitar e querer a fusão. Quando se vai fazer uma fusão, aparece logo aquela questão: quem vai comandar o partido nacionalmente e nos estados? Lógico que não é uma tarefa simples, porque se, nacionalmente, pode até ter um bom encaixe, nos estados tem sempre algumas situações mais complexas; locais onde houve disputa de um partido contra o outro ou os líderes dos dois partidos não se dão bem em determinado estado. Mas isso é um problema menor que está sendo superado, mesmo porque é muito localizado. Parece-me que só em quatro estados tem algum tipo de dificuldade na definição do comando partidário. Mas em nível nacional, tanto ACM Neto, que é o nosso presidente nacional, quanto Luciano Bivar, que é o presidente do PSL, são do Nordeste brasileiro, têm uma afinidade natural, uma amizade de longa data, e isso tudo facilitou para que pudéssemos chegar nessa etapa com praticamente definida a fusão com o PSL.

Aqui em Goiás, o deputado mais bem votado, o delegado Waldir, foi pelo PSL. Ele estava, até pouco tempo, quase rompido com o governador. O que está definido no estado em relação ao comando do novo partido?

O que ficou definido é que nos estados onde o governador é do DEM ou do PSL esse governador é que vai comandar o partido. Aqui em Goiás ficou muito tranquilo e foi muito positiva essa fusão e o mesmo acontece na grande maioria dos estados.  Isso facilitou muito para que a fusão pudesse chegar nesse estágio, praticamente já definida.

O delegado Waldir Soares, presidente do PSL em Goiás, fez alguma objeção à fusão?

Não houve objeção nem condição. Foi muito pacífica a fusão em Goiás, e nos municípios nós também não teremos dificuldades maiores. Em Goiás está exemplar, caminhando muito bem. São partidos de perfil ideológico parecido e os atores políticos das duas legendas são pessoas que se dão bem. E o mais importante: é positivo para ambas as partes. Isso ajuda muito.

Como ficaria a bancada goiana do novo partido?

O DEM tem hoje cinco deputados estaduais e a perspectiva da vinda de outros, como é o caso de Bruno Peixoto. Deputados federais temos dois no DEM, José Mário e Zacharias Calil, o Delegado Waldir e Major Vitor Hugo no PSL. Mas a tendência é que Vitor Hugo não acompanhe, assim como dois dos três deputados estaduais do PSL. A gente espera que pelo menos um nos acompanhe nessa fusão. Em relação a prefeitos, após a fusão, vamos chegar a 90 prefeitos e vamos passar de 400 vereadores. Mais importante é a perspectiva para a eleição do ano que vem. Um partido com essa potência vai ser um polo de atração de muitos candidatos, inclusive até mandatários de outros partidos tendem a vir se filiar, sabendo que aqui vamos eleger vários deputados federais e estaduais.

Qual foi a participação do senhor na aliança entre DEM e MDB?

Eu tenho uma relação muito boa com muitos membros do MDB, mesmo porque foi a casa sempre onde estive; eu tenho uma ligação muito próxima com Iris Rezende, tenho admiração e respeito profundo por ele, uma pessoa que foi muito importante nessa aproximação. Eu vejo essa aproximação entre MDB e DEM um tanto quanto natural até. Em 2014, os dois partidos estavam coligados, quando o governador foi eleito senador. E ele não cansa de dizer que, não fosse o MDB, o apoio total que ele teve do MDB – não conheço um emedebista que não tenha, não só votado, que não tenha trabalhado pela eleição de Ronaldo Caiado – e o mais importante, o governador reconhece o apoio maciço que teve e diz que, se não fosse o MDB, ele não seria senador e, se não tivesse sido senador, fatalmente, não teria chegado ao governo do estado. Existe essa relação muito respeitosa e muito próxima. Em 2004, me lembro muito bem, o então PFL lançou uma candidata à Prefeitura de Goiânia, Rachel Azeredo, e ela não chegou ao segundo turno, disputado por Iris Rezende e o então prefeito Pedro Wilson, mas tivemos em nosso palanque o apoio da própria candidata como também do governador Ronaldo Caiado, então deputado federal. Ele fez campanha junto com Iris aqui em Goiânia e foi muito importante e emblemática essa participação do governador Ronaldo Caiado, enquanto deputado federal, na campanha de Iris em 2004. Em 2014, ele saiu candidato ao Senado junto com Iris, candidato a governador. Em 2018, por pouco não fizemos esse alinhamento, essa junção MDB e Democratas, por um detalhe. Ela não aconteceu, mas é o tempo de Deus. Ela veio acontecer agora.

Ronaldo Caiado, se reeleito, o vice-governador se torna naturalmente candidato a governador. Os democratas devem apoiar um nome do MDB, no caso, Daniel Vilela?

Nós aceitamos perfeitamente e com muita felicidade a liderança do governador. Quando eu falo nós, não estou me referindo só a mim, mas aos democratas de um modo geral. O governador é, disparado, a grande liderança do Democratas. Se é do Brasil, em Goiás nem se fala. Nós aceitamos plenamente sua liderança e o que ele traçar. Na sucessão dele o que ele definir todo o partido seguirá.

Qual a tendência do DEM em relação à eleição para presidente da Repú­blica?

Podemos ir de candidatura própria ou podemos apoiar um outro candidato, mas o mais importante é aquilo que eu já ressaltei: seremos o fiel da balança. Pela força partidária não tenho dúvida de que teremos um assento privilegiado na mesa que definirá o próximo presidente da República.

O DEM tem nomes para apresentar?

O próprio presidente do Senado, senador Rodrigo Pacheco, é um nome, mas vai depender muito do andar da carruagem, dos nomes que irão se destacar. Seria um exercício de futurologia cravar algum cenário agora.

 O senhor tem algum projeto de candidatura para 2022?

Meu projeto é o que for melhor para o governo e para o governador. No momento oportuno vamos conversar, mas eu não me apresso. Onde o líder quiser que eu esteja, estou pronto a servir.

A tendência do prefeito de Goiânia, Rogério Cruz, é de apoiar a reeleição do governador?

O prefeito e o governador têm uma parceria administrativa muito boa. A gente espera que, com a aproximação do processo eleitoral, haja algum tipo de conversação em nível político. Essa composição é uma possibilidade. Vai depender muito do interesse por parte do prefeito Rogério Cruz.

Como o senhor avalia a possibilidade de união da oposição em torno de um único candidato?

O que a gente vê nos noticiários é que existe uma dificuldade. Diante da boa performance do governo, poucos se autoproclamam candidato contra o governo. O que estou enxergando é que existe um movimento de ex-governadores buscando um prefeito da Grande Goiânia para tentar ser o candidato para representar isso que a população sepultou nas urnas em 2018. Um projeto que levou Goiás a dificuldades, que levou Goiás às páginas policiais e a perder a credibilidade junto a seu cidadão. A tendência é que venha alguém representar esse projeto que foi sepultado pelas urnas.

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